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Documento:

POLÍTICAS PÚBLICAS DE RECREAÇÃO/LAZER E DESENVOLVIMENTO LOCAL: CONSTRUÇÃO A PARTIR DA EDUCAÇÃO POPULAR

Autor:

LEILA MIRTES SANTOS DE MAGALHÃES PINTO. [1]
Diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Esporte, Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Esporte e do Lazer, Ministério do Esporte, Governo Federal do Brasil.

Origen:

X Congreso Nacional de Recreación
Coldeportes / FUNLIBRE
10 al 12 de Julio de 2008. Bogotá, D.C., Colombia.

 

 

 

 

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Ú   Uso apropiado
del Documento

 

Ø Ponencias del Congreso

 


Ponencia

 

 

Inicialmente agradeço a oportunidade da conversa com vocês, esperando que essa seja a primeira de muitas outras trocas de experiências entre nossos países. Para nós brasileiros é fundamental poder conversar sobre avanços e limites que enfrentamos nas políticas públicas de Recreação/Lazer[1] que têm em vista o desenvolvimento local fundado na educação popular, aprendendo com outras experiências dessa natureza.

 

Esse desafio tem se tornado cada vez maior desde a abertura democrática ocorrida no Brasil no início da década de 1980, que marcou um momento de transição importante na gestão social brasileira. As idéias de descentralização, municipalização e participação popular na formulação e no controle das políticas públicas ganharam força, ao mesmo tempo em que se ampliaram os direitos sociais. O ponto auge desse momento histórico foi a promulgação da Constituição Federal de 1988, que incluiu o lazer como um dos direitos sociais de toda a população. As mudanças ocorridas a partir daí têm gerado experiências de proteção/promoção dos direitos coletivos promulgados.

 

Nesse cenário, são construídos novos desenhos de ação coletiva por parte de movimentos sociais e governos. E as políticas públicas de lazer, desafiadas a avançar nessa direção, têm, sobretudo, buscado superar barreiras que dificultam, ou impedem, o acesso às oportunidades culturais de lazer disponíveis para os sujeitos de todas as idades, etnias, gêneros e camadas sociais.

 

Além disso, o reconhecimento do lazer como um dos fatores de desenvolvimento local sustentável implicou na concepção de lazer como tempo/espaço/oportunidade disponível à livre escolha de diversificadas práticas culturais lúdicas pelos sujeitos. (PINTO, 2008).

 

Com esse sentido, o lazer passou a integrar as agendas das políticas que tratam das desigualdades sociais as quais, como analisa Kliksberg (2000), não se referem somente à carências materiais – como pobreza socioeconômica que conduz à fome, ao desemprego, ao desabrigo, à falta de acesso a projetos, bens e serviços, dentre eles os de lazer. Pedro Demo (1996) nos lembra que lidamos com pobreza, sobretudo, como falta de consciência política dos direitos e deveres sociais, desigualmente distribuídos entre nós. Por isso, para ele, a redução de desigualdades sociais supõe a participação dos cidadãos em ações políticas que sejam,

primeiro preventivas, indo às raízes do problema, evitando que  [desigualdades] se processem; segundo redistributivas de renda e poder, o que implica atingir concentrações de privilégios, acumulação de poder, centralizações administrativas. Em terceiro lugar equalizadoras de oportunidades, partindo-se do pressuposto de que as oportunidades foram apropriadas pelo grupo dominante. Uma face desse desafio é a universalização [dos direitos sociais]: todos devem ter acesso às oportunidades de modo incondicional, com a mesma qualidade. Em quarto lugar [promotora de] política social que deve ser, sempre que possível, emancipatória, unindo autonomia econômica [voltada à auto-sustentação] com autonomia política [alicerçada por práticas participativas conscientemente vividas]. (DEMO, 1996, p. 21-23)

Mudanças nesse sentido acontecem a partir do momento em que políticas sociais passam a assumir o princípio da eqüidade associado ao da universalidade, como critério de prioridade e de garantia dos direitos sociais. Ou seja, parto do reconhecimento de que as pessoas e os grupos sociais são diferentes entre si em vários aspectos (físicos, culturais, sociais, educacionais, econômicos e outros) e que também têm condições diferentes de acesso ao que está disponível em seu meio.

 

Ao mesmo tempo assumo que as políticas sociais devem ter caráter universal, independente das diferenças socioculturais e limites vividos. Se existem diferenças que impedem o acesso é preciso que sejam construídas políticas que o viabilizem, como, por exemplo, políticas que atendam demandas de segmentos historicamente excluídos como indígenas, populações ribeirinhas, do campo e de assentamentos, idosos, adultos, pessoas com deficiências, crianças e jovens que vivem em situação de risco e de vulnerabilidade social, dentre outros.

Mas, como as experiências desenvolvidas pelas políticas públicas brasileiras têm enfrentado esses desafios? Em que sentidos as políticas de lazer têm contribuído com o desenvolvimento local?

Para construir respostas a essas perguntas trago para nossa reflexão experiências de políticas de lazer por mim analisadas em estudos recentes (PINTO, 2007) e que têm em comum o compromisso da garantia da democratização do acesso da população à oportunidades de lazer[2].

 

De um modo geral, as análises dessas experiências mostram que, para alcançarem os resultados pretendidos, as políticas de lazer precisam ser articuladas com políticas de garantia de renda mínima, trabalho, provisão de serviços para a família, saúde, educação, planejamento urbano, transporte, cultura, esporte e outras ações intimamente integradas às desenvolvidas no campo do lazer.

 

Além disso, é considerado como imprescindível a construção, a manutenção e o uso de espaços e equipamentos específicos e adaptados para as práticas de lazer, de modo a gerar oportunidades diversificadas de vivências de conteúdos culturais que atendam a interesses: físicos, esportivos, artísticos, sociais, intelectuais, tecnológicos, turísticos, de atividades na natureza, dentre outros requeridos pela população.

 

A ocupação espacial local alia-se ao controle, à preservação, à proteção e à valorização do meio ambiente. Precisamos cuidar dos rios, matas, campos, cachoeiras, praias, florestas, montanhas e outros espaços naturais usados no lazer.

 

Também é destacada a importância da animação cultural lúdica mobilizada pelos e com as pessoas, os grupos, as comunidades e os profissionais envolvidos nos Programas em ação.

 

O acesso responsável ao patrimônio cultural disponível é, pois, indispensável à democratização do lazer. Exige competência não só do setor público, como dos outros setores sociais envolvidos no campo do lazer. E, sobretudo, exige consciência para o acesso às oportunidades de lazer vividas nos gêneros de prática, assistência ou busca de conhecimentos, por meio de participação crítica e criativa, superando vivências conformistas no lazer.

 

No entanto, afirmam os gestores com os quais dialogamos, o principal problema que tem dificultado a democratização do acesso ao lazer, e que está na base de muitos outros problemas, é a falta de conscientização, conhecimentos e informações a respeito da importância, das possibilidades e dos limites das práticas de lazer, comprometendo a participação consciente tanto de gestores como de pessoas participantes nessas ações. Porque, segundo eles:

é ainda restrito, por parte do conjunto do governo e da população, o conhecimento da importância do lazer para a qualidade de vida dos cidadãos. O lazer merece maior investimento financeiro e educativo para se consolidar nas políticas sociais. (A1)

Em nosso município precisa ser melhorada a consciência da população e dos gestores de que a participação, embora dê mais trabalho e exija predisposição de todos, não pode ser substituída por benesses, que até podem sanar questões e problemas pontuais, mas não contribuem para a emancipação da população. Não fomos educados para a participação e isso dificulta muito. (A2)

Falta maior participação das comunidades no desenvolvimento de ações no lazer e de políticas favoráveis ao desenvolvimento sustentável da comunidade. Precisamos avançar nas questões administrativas com maior descentralização das ações, combinadas com a criação de Conselho Municipal de Esporte e Lazer e Conferências Públicas Deliberativas. A Secretaria precisa ampliar parcerias com setores públicos (estadual e federal) e o Terceiro Setor. (B1)

Precisamos melhorar a comunicação e interlocução da Secretaria com a comunidade. Pensando nisso, trabalhamos no planejamento das pré Conferências Regionais, a ocorrer neste 2005. Fazemos com o que temos, mas estamos muito longe do que queremos. As demandas são tantas!!! (B2)

Precisamos melhorar a comunicação/divulgação das ações desenvolvidas. Os veículos utilizados eram os mais alternativos. Os veículos de comunicação com maior abrangência, rádio, imprensa escrita e TV na maioria das vezes não tinham interesse pelo lazer. Daí a necessidade de criarmos rádios comunitárias e de mais tempo para consolidar a participação popular. (C1)

A sociedade hoje exige formação acadêmica dos profissionais de lazer para atuar em políticas participativas, maior disponibilidade de tempo de todos os envolvidos, processos menos burocráticos e decisões mais rápidas. (D1)

Necessitamos da construção de um modelo mental da nossa entidade, que ainda é muito individual. À medida que os modelos mentais são explicitados e compartilhados, expande a base dos significados compartilhados na organização e aumenta a sua capacidade para realizar ações integradas. Precisamos ainda maior alinhamento conceitual, ampliando a reflexão sobre a própria prática, seus sentidos, significados e intencionalidades. (E1)

Também Sílvio Bava (2002) afirma que, para que se concretizem inovações políticas, é preciso que haja atuação constante e qualificada da sociedade que estimule a participação consciente. Pois o objetivo principal não é apenas atender necessidades materiais do público alvo, mas especialmente fortalecer a capacidade dos cidadãos de se auto-governarem nos diversos aspectos da vida coletiva. E destaca (BAVA, 2002, p. 87), nunca é demais lembrar que é pela associação livre de vontades que o poder se cria. Desenvolver a capacidade da população de exercer a cidadania, isto é, a capacidade de saber escolher, efetivar escolhas e se beneficiar delas, é a mola central desse processo.

Nesse sentido, os gestores com os quais dialogamos apontam para a importância de três estratégias de educação popular para autonomia dos sujeitos no lazer, que podem ser desenvolvidas em diferentes espaços educativos (escolas, clubes, comunidades, projetos sociais, praças, ruas e outros), tendo como estratégia articuladora a categoria diálogo, ou seja:

 

1) sociabilidade lúdica a partir de demandas específicas e do universo de referências das populações atendidas;

2) participação cidadã;

3) formação e ação integrada de gestores, agentes e lideranças comunitárias.

 

Sociabilidade lúdica a partir de demandas específicas e do universo de referências das populações atendidas

Em qualquer circunstância educativa, se desejamos promover uma educação consciente pelo e para o lazer, é importante que as ações sejam ajustadas aos interesses, necessidades e referências culturais dos participantes. Daí a importância de tudo começar com diálogos que busquem conhecer os anseios individuais e coletivos, identificar valores, conceitos, significados, hábitos, memórias lúdicas, mudanças culturais, culturas familiares, condições de habitar, de organizar e animar espaços, mobilizando conhecimentos na realização de atividades de lazer. (PINTO e ZINGONI, 1997).

A familiarização com as pessoas e os grupos populares com os quais são desenvolvidas ações educativas, gera ambiente propício para a realização de diagnósticos, que serão enriquecidos na medida em que experiências cotidianas do lazer são identificadas e analisadas, ampliando diálogos com outros membros do grupo, entidade e/ou comunidade.

Se a proposta educativa for construída em um município é fundamental considerar os resultados de conferências, congressos, plenárias e reuniões realizadas entre governo e população para tomadas de decisões sobre as prioridades das políticas de lazer. (BONALUME, 2004).

Nesse processo, diversidades culturais e interação de pessoas das várias idades (intergeracionalidade) expressam a riqueza humana e elementos que facilitam nosso entendimento intercultural e potencializam as culturas dos diferentes grupos, que variam segundo o nível de renda, as condições culturais, educacionais e hábitos de lazer, dentre outros aspectos a considerar. (BRASIL, 2007).

Há nessa experiência descobertas importantes para a educação para o lazer. A começar pelo maior conhecimento das diferenças entre as pessoas e suas práticas culturais. Isso é fundamental para a inclusão e o acesso de todos na realização de múltiplas ações, pois cria oportunidade de ampliar e diversificar o número de práticas culturais vividas no lazer, considerando vivências significativas para os sujeitos.

Os diálogos estabelecidos favorecem o levantamento de conhecimentos prévios que estruturam o arcabouço de experiências consolidadas pelos grupos - base inicial para novas experiências que valorizem os participantes como co-autores das ações realizadas, questionem o vivido e (re)criem conteúdos. Se esse diálogo for interdisciplinar, ampliando condições de leitura e compreensão dos limites e das possibilidades das experiências vividas.

Assim, segundo essa estratégia, educar para e pelo lazer é estabelecer relações entre o vivido e o proposto, desejos e necessidades, o real e o subjetivo, envolvendo os sujeitos conviventes nas ações. Ação que implica poder falar, escutar e ser ouvido com acolhidas atenciosas e sensíveis ao outro.

Contexto propício para as vivências, que no meu modo de entender representam a construção lúdica, ou seja, da alegria pela prática com autonomia. Conceito que analiso com base na inter-relação dos princípios de vivência plural (diversificada), significativa e compartilhada com o outro, exercitando a autonomia dos sujeitos. (PINTO, 2007).

O lazer como tempo/espaço/oportunidade privilegiada para vivências lúdicas é, pois, uma conquista do sujeito no contexto de suas relações socioculturais, vividas com sentidos e significados diversos, valorizando os atribuídos pelos sujeitos, como por exemplo, o de lazer como tempo/espaço/oportunidade de (re)criação, encontro e pertencimento (PINTO, 2004).

Participação cidadã

Estratégia que considera oportunidades para as pessoas decidirem sobre seu destino, influenciando nas decisões públicas de lazer e participando das atividades que afetam a sua vida.

Nesse sentido, desde os primeiros diálogos com os participantes podemos não só problematizar suas vivências de lazer como também identificar e analisar demandas, recursos e possibilidades disponíveis com vista a ampliar e otimizar práticas de lazer, ao mesmo tempo iniciando o planejamento participativo com os sujeitos envolvidos. (PINTO e ZINGONI, 1997).

O processo educativo participativo implica formas de construção de idéias, vínculos e trocas de conhecimentos, negociações das regras de convivência e dos conteúdos em ação. Na relação sujeito/mundo, a ação compartilhada gera conhecimentos sobre o outro, as relações estabelecidas e os sistemas simbólicos das práticas sociais e culturais do grupo.

Convivência que se enriquece quando envolve pessoas com diferentes experiências, modos de ser e preferências culturais. Nesse sentido, o lazer é um tempo e espaço importante para a interatividade e participação. E quando essa participação implica decisões compartilhadas com o público local, buscando formas de mediação entre o Estado e a sociedade civil, a prática democrática pode inferir em tomadas de decisão das políticas de lazer, como revelam relatos dos gestores ouvidos.

Foram muitas reuniões e encontros de qualificação dos recursos humanos: muito diálogo, paciência e humildade. (A1)

As decisões foram tomadas nas reuniões de planejamento da equipe da Secretaria e com a comunidade, Conselho Municipal, Conferências, Orçamento Participativo, Plenária Temática, Congresso da Cidade. (A2)

Os técnicos da Secretaria coordenavam os projetos sociais de esporte e lazer. Havia uma coordenação geral para implantação do setor de ação comunitária no organograma da Secretaria. As ações desenvolvidas eram decididas com as lideranças comunitárias participantes de cada projeto. (B1)

No programa Lazer e Trabalho as decisões foram tomadas com os servidores. No programa Lazer na Cidade, discutimos com a comunidade por meio das regionais administrativas, associações, grupos organizados. Elaboramos Pré-Conferências Regionais de Esporte e Lazer para diagnosticar anseios, potencialidades e lideranças de cada região da cidade, preparando para a 2ª Conferência Municipal de Esporte e Lazer do município. Na Secretaria nossa principal instância de decisão é o Conselho Gestor e nos Pontos de Encontro de Lazer discutimos e decidimos com os agentes comunitários. (B2)

Nossas instâncias de decisão são os: Encontros das Comunidades, Congressos Temáticos e Setoriais da Cidade, Conselhos Municipais das áreas afins, Encontros com Famílias. (C1)

O envolvimento da alta direção é básico para o sucesso da mudança. Foi fundamental o envolvimento do Conselho/Superintendência, corpo técnico, gerentes, assessores, analistas, terceiros, parceiros, estagiários e beneficiários (representantes). (D1)

As ações locais sem dúvida são úteis para a democratização do acesso ao lazer, mas não podemos descuidar da consolidação de medidas mais amplas em outros níveis de poder.

Uma dessas possibilidades de efetiva participação na cidade, citada por todos os gestores entrevistados, é o “Orçamento Participativo” (OP). Essa é uma estratégia fundamental para as políticas sociais, uma vez que reflete a direção política das relações econômicas referentes ao processo estatal de alocação e distribuição de valores conforme as prioridades dos municípios.

Relatando experiência vividas na cidade de Porto Alegre (RS), Rodrigues e Gutterres (1996), afirmam que o OP contribuiu para aumentar a consciência da população e da administração municipal sobre a importância do lazer como fator de qualidade de vida. Por intermédio dele, muitas regiões da cidade priorizaram investimentos também na área de lazer, como: construção de ginásio poliesportivo, praças e parques com fixação de profissionais de Educação Física nesses locais, reforma de campos de futebol e quadras esportivas.

A Prefeitura apostou na criação e execução de um planejamento pautado em eixos temáticos que possibilitou ações intersetoriais entre as secretarias e criação de uma esfera pública não estatal de planejamento e controle social que, de 1997 até 2000, se expressou através do OP e, de 2001 até 2004, avançou para o Congresso da Cidade. O Congresso da Cidade foi um planejamento socialmente construído, experimentado a partir de 2001, incorporando o acúmulo de quatro anos de OP (uma vez que se constataram enormes limitações da experiência de planejamento participativo centrado na elaboração do orçamento da cidade). O Congresso da Cidade foi um passo para além do OP, discutindo as políticas públicas a partir de uma visão integral da cidade. O mais importante não era apenas entender os problemas e as necessidades do espaço onde se morava, para demandar obras, serviços e equipamentos, mas entender a cidade como um todo, suas dinâmicas sociais contraditórias e problemáticas. As Políticas de Esporte e Lazer passam a ser planejadas a partir das diretrizes de governo, amplamente discutidas e organizadas com diversos grupos sociais da cidade. (A1)

Em Caxias do Sul, também, o aumento de equipamentos de esporte e lazer deu-se pela priorização da população das diversas regiões da cidade no OP. Segundo Bonalume (2004), até 1997, mais de 50% desses equipamentos se localizavam no centro do município. No final de 2004, esse índice caiu para 30%.

 

Outra possibilidade efetiva de participação na gestão das políticas públicas é a criação dos conselhos, que são órgãos colegiados encarregados de formular, acompanhar e fiscalizar as políticas públicas setoriais, considerados indispensáveis para a descentralização e democratização das políticas públicas por ser oportunidade de decisões mais coerentes e realistas quanto aos problemas, necessidades, construção de alternativas e transparência administrativa. (GRAU, 1998).

 

Os conselhos como instrumentos de expressão, representação e participação da sociedade, têm potencial para promover transformação política, mesmo enfrentando muitos limites nesse sentido. São espaços de co-gestão que podem se constituir instrumentos importantes de mediação entre governo e sociedade civil.

 

Formação e ação integrada de gestores, agentes e lideranças comunitárias.

Essa estratégia parte do pressuposto de que todos — gestores, agentes, lideranças comunitárias — são educadores sociais, todos ensinam e aprendem continuamente em ações compartilhadas.

As atividades comunitárias propõem uma nova relação entre cidadão e governo no que diz respeito a gestão de seus programas de lazer. Com isso, procura superar os sentidos de políticas públicas assistencialistas e paternalistas, que ainda persistem em nosso meio.

Esse investimento é por nós entendido como esforço de mobilização, organização e capacitação da classe popular para a autonomia dos cidadãos na prática do esporte e lazer. A consideração da interface entre a prática educativa e a prática política na presente proposta leva em conta que somente pode ser possível transformações na sociedade se se operarem passo-a-passo com propostas educativas populares.

Nos dizeres de Paulo Freire (1991, p.25),

programa de ação popular [...] é uma forma de conhecimento pela via do corpo. E o intelectual pode se enriquecer ao aprender com essa forma de conhecimento. Vê a intimidade que existe entre ( por exemplo ) um favelado e os limites de sua alegria. E essas pessoas vão transando com os limites de sua existência e vão aprendendo e vão resistindo e vão realizando um saber corporal. É a água que não chega na casa, é o quarto que tá faltando em pedaço, é o corpo que aprende em suas faltas. Eis aí uma forma de conhecimento direto.

Isso requer que elevemos o nível da participação cultural de formas conformistas a patamares mais críticos e criativos, considerando os sujeitos historicamente situados e cultivando o jogo ético que a experiência lúdica inspira. Essa experiência cultiva também, do ponto de vista estético, a beleza dos movimentos conjuntos e habilidades que se articulam criativamente em cada gesto e prática cultural que se faz.

A concretização de projeto dessa natureza nos leva a ficar atentos para mecanismos político-sociais que possam não só sustentar essas propostas como dificultá-la, influenciando-a de modo inverso.

Tem requerido também investimento na desburocratização e na realização de intervenções mais ágeis, cooperativas, criativas e descentralizadas, desenvolvendo programas que têm em vista reflexos socioculturais mais amplos e contínuos, diretamente articulados com as demandas dos cidadãos e grupos comunitários.

A ação comunitária tem sido considerada como uma alternativa operacional dentro de políticas de ação social, de modo geral, e em especial e de forma privilegiada, no campo de lazer, quando a  organização que formula a política quer revesti-la de características próprias.

Essa alternativa, em qualquer área do social onde seja desenvolvida, leva em conta a necessidade do conhecimento da situação, ou seja, da realidade, interesses e aspirações de determinada clientela; sua participação efetiva no planejamento organização e avaliação das ações; e a integração com órgãos e instituições locais, quer em busca de apoio político, ou de recursos para manutenção e/ou ampliação da ação.

A ação comunitária é entendida, operacionalmente, como

um trabalho socioeducativo que consiste numa intervenção deliberada em determinada comunidade, através de atividades programadas em conjunto com pessoas e instituições locais, objetivando despertar e ampliar sua consciência para os problemas da comunidade, sensibilizá-las para a mobilização e coordenação de lideranças e predispô-las para a ação que vise o encaminhamento de soluções daqueles problemas, ou a tentativa de realização de aspirações relacionadas com a comunidade como um todo. (REQUIXA, 1973, p.15).

Várias das experiências relatadas fundamentaram-se na proposta metodológica socioeducativa para trabalho comunitário construída por Marcellino (2007), cujo plano de ação é composto por três fases interligadas:

Deflagação propriamente dita: ação sensibilizadora, levantamento de necessidades e possibilidades de intervenção, definição dos objetivos condutores da ação, seleção dos instrumentos de intervenção e realização de atividade impacto. A ação dos técnicos é presente com muita intensidade no planejamento, organização e execução, estimulando e coordenando as iniciativas levantadas na análise da situação.

Avaliação dos resultados da ação: ocorrida num chamado período de carência, considerando dois grupos de resultados, ou seja, (a) respostas ligadas aos objetivos da ação, previstos no projeto e, geralmente, necessitando de acompanhamento técnico para continuidade do processo e (b) resultados reflexos, que são independentes de acompanhamento, pois são assumidos pelas pessoas e grupos, ou não estavam previstos no planejamento da ação.

Continuidade da ação: retomada dos resultados dependentes de acompanhamento num período de sedimentação que requer acompanhamento direto, necessário à consolidação do processo, buscando o alcance do estágio de autonomia, onde o acompanhamento se fará a título de reciclagem.

 

E aqui encontramos outro grande desafio a ser enfrentado: como organizar o saber popular em um programa de ação governamental?

 

Reconhecemos a necessidade de um conhecimento mais organizado das lutas populares, mas seria equívoco em seguida substituirmos essas lutas por “pacotes”. Há descobertas nisso aí. Referimos-nos a importância de desvendar e equacionar as relações entre população e Poder Público. Esse desvendar quer dizer conquistar o aprender, que para nós é o começo do conhecer pelas relações lúdicas.

 

Por isso, não podemos nos esquecer de que uma proposta de educação popular para a autonomia não pode estar centrada na mera transmissão de conhecimentos, mas, sobretudo, na criação de espaços nos quais o saber popular possa se manifestar. A transmissão de conhecimento acontecerá de parte à parte, à medida que se manifestar o desejo de um conhecer algo do domínio do outro. Temos que tomar o cuidado para não sermos autoritários, manipulando os sujeitos pela competência técnica e científica.

 

As ações propostas implicam um trabalho em equipe que reúna todos que atuam no contexto onde se realiza a intervenção pretendida. Plano que será mais qualificado, respondendo melhor às múltiplas expectativas que a ele são depositadas, se realizado com integração intersetorial no planejamento/ação, ultrapassando o número de intervenções da oferta já existente. (BONALUME, 2004).

 

A articulação entre parcerias internas e externas - entre programas de lazer e os demais campos de atuação do setor - otimizam a ação em relação ao uso dos recursos de infra-estruturas física, material e financeira disponíveis em diferentes tempos e espaços educativos da entidade, com maiores condições de atendimento às necessidades diagnosticadas e ações realizadas.

 

A implementação e gestão das informações e conhecimentos sistematizados nos processos de monitoramento e avaliação, difundidos para os envolvidos em todos os níveis do processo, é outro instrumento estratégico de participação e formação dos sujeitos, contribuindo para o fomento de estudos e revisões de programas/projetos, assim como a ampliação de condições de acesso e divulgação, com vistas a socialização e visibilidade dos resultados.

 

O assessoramento técnico-científico contínuo dos programas e projetos de lazer, buscando a qualificação das ações e formação em serviço, é outro instrumento estratégias que viabilizem a qualidade da gestão dos mesmos e a formação continuada dos educadores do lazer envolvidos.

 

Nesse contexto, os diálogos mobilizando não só os gestores, como nos fazem também pensar sobre o alcance das ações educativas para autonomia no lazer e em que medidas contribuem também para o desenvolvimento local, como por exemplo:

Estamos percebendo coerência entre discurso e prática; aumento de participantes nas atividades com maior consciência sobre o que fazem; avaliação positiva feita por eles; aumento e diversidade das ações oferecidas; grande número de voluntários como parceiros; qualidade do trabalho; grau de satisfação da maior parte dos funcionários da Secretaria. (A1)

É importante ver a comunidade acreditando, vivenciando e reivindicando lazer. (A2)

Temos melhor estrutura gerencial da Secretaria; capacitação direta de líderes comunitários e indireta de pessoas da região onde atuamos; integração de projetos, setores, departamentos e servidores municipais; maior acesso às atividades desenvolvidas; orientação das comunidades sobre uso de espaços e equipamentos disponíveis para o lazer; produção científica e pedagógica sobre práticas de conscientização da comunidade sobre o lazer na sua vida. (B1)

Conquistamos espaço para ações, reflexões e participações no lazer da cidade; continuidade do trabalho, independentemente do seguimento político partidário à frente das primeiras idéias, sensibilização da população e gestores da cidade para o lazer; parcerias com outros órgãos da Prefeitura, clubes, empresas, ONGs; mapeamento de projetos comunitários existentes. (B2)

Descentralizamos nossa gestão para aumentar condições de  inclusão e acesso de maior parcela da população nos programas e serviços de lazer que promovemos; há aumento de equipamentos de lazer nos bairros periféricos, da auto-estima de muitos que vivem na cidade e investimento/recursos públicos para o setor, com participação popular na definição das políticas; a ação intersetorial entre as secretarias do governo. (C1)

Percebemos cooperação do grupo de trabalho; crescimento pessoal e profissional de cada um da equipe; consciência de onde estamos e para onde vamos; construção de uma política com uma ‘causa’ comum – a educação para a autonomia no lazer − independente do campo de atuação - artes/esporte/ turismo/atividade física; reconhecimento institucional de que é possível um trabalho "sério" sem ser sisudo; importância da "rede"; maior satisfação dos beneficiários. (D1)

Há maior organicidade na articulação/alinhamento teórico-prático dos nossos programas em torno de objetivo comum e construção coletiva de ações; nova visão sobre os conteúdos (princípios, conceitos estruturadores, valores e procedimentos) da política de lazer; busca do romper da dicotomia entre planejamento/execução/avaliação; reconhecimento de que a política de lazer está no dia-a-dia dos profissionais; busca de sentido e significado das ações; lazer na entidade deixa de ser visto como “atividade” e passa a ser reconhecido como dimensão cultural, alinhada aos nossos objetivos estratégicos; busca de sistematização de conhecimentos para propor tecnologia de ação social integrada que subsidie nossos programas educativos lúdicos. (E1)

Esses resultados nos dão uma idéia de que o desenvolvimento sustentável pressupõe atingir padrões dignos de vida para todas as pessoas, não só para pequenos grupos. Para isso, se faz necessário um suporte para as escolhas e o uso do que for disponibilizado. Ou seja, a conquista precisa ser traduzida em ações programáticas contínuas, sustentadas por tecnologias que garantam o acesso a ser garantido.

 

Enfim, a discussão aqui realizada parte do pressuposto de que vivemos em uma sociedade onde alguns sujeitos e grupos têm maiores privilégios para  usufruir dos bens produzidos. Nesse contexto, um desses bens essenciais é o lazer do qual, ainda, muitos são excluídos, especialmente aqueles que não têm chances de serem educados para práticas conscientes e lúdicas.

 

Como diz Paulo Freire (1998), para a transformação dessa realidade é preciso que os sujeitos conheçam suas realidades, relacionem o lazer com suas condições de vida, atuem e reflitam sobre suas ações concretas. E complementa,

 

uma ação socioeducativa para a autonomia funda-se em experiências estéticas, éticas, críticas e criativas.

Respeita os saberes dos educandos; rejeita qualquer forma de discriminação;

reconhece a identidade cultural dos educandos e a necessidade da superação dos nossos condicionamentos;

corporeifica as palavras pelo exemplo;

 busca a apreensão da realidade com convicção de que a mudança é possível.

Curiosa, é comprometida como forma de intervenção no mundo,

exercita a liberdade, a tomada consciente de decisões, o saber escutar; o diálogo,

o querer bem aos educandos e a alegria.

Paulo Freire

 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

 

BAVA, Sílvio Caccia. Participação, representação e novas formas de diálogo público. In: SPINK, Peter & BAVA, Sílvio C. & PAULICS, Veronika (Org.). Novos contornos da gestão local: conceitos em construção. São Paulo: Programa Polis/FGV-ESESP, 2002. p. 75-103.

BONALUME, Cláudia Regina. Políticas públicas de esporte e lazer nos programas de governo. In: ENCONTRO NACIONAL DE RECREAÇÃO E LAZER, 16, 2004, Salvador/BA. Anais... p. 410-418.

BRASIL. Brincar, jogar, viver: Programa Esporte e Lazer da Cidade (PELC). Brasília: Ministério do Esporte/Secretaria Nacional de Desenvolvimento de Esporte e de Lazer, 2007. v. 1 e 2.

BRASIL. Constituição da república federativa do Brasil. São Paulo: Tecnoprint, 1988.

DEMO, Pedro. Política social, educação e cidadania. Campinas: Papirus, 1996.

FREIRE, Paulo & NOGUEIRA, Adriano. Que fazer: teoria e prática em educação popular. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

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GRAU, Nuria Cunill. Repensando o público através da sociedade; novas formas de gestão pública e representação social. Rio de Janeiro: Revan; Brasília: ENAP, 1998.

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PINTO, Leila Mirtes Santos de Magalhães. Estado e sociedade na construção de inovações nas políticas sociais de lazer no Brasil. In: MARCELLINO, Nelson Carvalho. (Org.). Políticas públicas de lazer. Campinas: Alínea, 2008. p.43-78.

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PINTO, Leila Mirtes Santos de Magalhães & ZINGONI, Patricia. Centros de referência regionalizados de esporte e lazer; um passo a mais para a sua concretização. In: ENAREL, 9, 1997, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: PBH/UFMG/SESI-DN, 1997. p. 746-754.

REQUIXA, R. Lazer e ação comunitária. São Paulo: SESC, 1973.

RODRIGUES, Rejane Penna & Etel Soares Gutterres. Orçamento participativo e a questão do lazer; o caso de Porto Alegre/RS. In: MARCELLINO, Nelson Carvalho (Org.) Lazer e políticas públicas setoriais; o papel das prefeituras. São Paulo: Autores Associados, 1996. p. 71-84.

 

 

 

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* A autora é professora de Educação Física, mestre em Educação Física: Recreação/Lazer e doutora em Educação. Docente da PUC Minas (Belo Horizonte, Minas Gerais/Brasil), atualmente é diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Esporte/Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Esporte e do Lazer do Ministério do Esporte/Governo Federal do Brasil.

[1] A aproximação que faço aqui dos termos Recreação/Lazer tem o sentido de mobilizar análises sobre políticas ditas de lazer ou de tempo livre, ou de recreação. Daqui para frente irei me referir a “políticas de lazer”, considerando nomenclaturas usadas pelas experiências brasileiras analisadas.

[2] Conversamos com duas gestoras do Rio Grande do Sul. A primeira (identificada como A1), foi secretária municipal de esporte e lazer de Porto Alegre no período de 1998 a 2004, durante governo que valorizou e incentivou a participação popular de diversas formas. A segunda (A2), viveu experiência participativa de lazer em Caxias do Sul, de 1999–2004, que começou a partir do programa do governo municipal eleito. Em Minas Gerais também identificamos duas experiências participativas de lazer. A primeira aconteceu em Belo Horizonte (B1) desde 1993, quando a administração municipal assumiu características de um governo popular comprometido com os segmentos mais desfavorecidos da população. A segunda realizou-se em Contagem (B2) desde 1998, dando continuidade mesmo com mudança de partido responsável pela administração municipal. O estado do Pará nos dá exemplo de política participativa de lazer articulada pela Secretaria Municipal de Educação/Coordenadoria de Esporte, Arte e Lazer de Belém, relatado por duas gestoras que viveram essa experiência no período 1997-2004 (C1). O Departamento Regional do SESI na Bahia nos mostra um exemplo de política de lazer corporativa, integrada aos interesses da sociedade (D1). A política nacional do SESI, cuja liderança (E1) encontra-se em Brasília, é outro exemplo de ação política corporativa que conseguiu articular os 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal na reestruturação da Política de Lazer da entidade (2002-2005).