|
|
Núcleo de cultura de
UNIVALE: Opción de ocio y recreación para la comunidad universitaria NÚCLEO DE CULTURA DA UNIVALE: OPÇÃO DE LAZER PARA A COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA Raquel de
Magalhães Borges[1]
14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002. UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil. |
|
RESUMO Este artículo
discute la inserción del conocimiento en artes en la Universidad do Vale do
Rio Doce (UNIVALE) como actividad de extensión universitaria. Para esto es
que fue creado el Núcleo de Cultura de UNIVALE que se compone de diversos sectores
responsables por introducir determinadas actividades artísticas. Las actividades
son realizadas en tiempo disponible de ocio y recreación de la comunidad académica,
y están destinadas para los miembros de esta comunidad (profesores, funcionarios
e alumnos). Como profesora
responsable por el Sector de Danza del Núcleo de Cultura, entiendo que esta
forma de inserción de las artes en la universidad será de extrema importancia,
pues busca articular el conocimiento en artes y la recreación y el ocio, como
una propuesta de UNIVALE, observando el papel social de la universidad. En este articulo
busco comprender el sentido de universidad, extensión universitaria y ocio y recreación,
teniendo como base para la lectura la realidad de la Universidad do Vale do
Rio Doce. RESUMO
Este artigo discute a
inserção do conhecimento em artes na Universidade do Vale do Rio Doce
(UNIVALE) como atividade de extensão universitária. Para isto, foi criado o
Núcleo de Cultura da UNIVALE que se compõe de diversos setores responsáveis
por introduzir determinadas atividades artísticas. As atividades são
realizadas no tempo disponível de lazer da comunidade acadêmica, e são
destinadas aos componentes desta comunidade (professores, funcionários e
alunos). Como professora responsável
pelo Setor d Dança do Núcleo de Cultura, entendo que esta forma de inserção
das artes na universidade seja de extrema importância, pois busca articular o
conhecimento em artes e o lazer, com a proposta da UNIVALE, observando o
papel social da universidade. Neste artigo, busco
compreender o sentido de universidade, extensão universitária e lazer, tendo
como base para a leitura a realidade da Universidade do Vale do Rio Doce. INTRODUÇÃO
Por ser parte da comunidade
universitária da Universidade do Vale do Rio Doce como professora da
instituição, venho observando que esta universidade, que se encontra num
momento de expansão, passa por uma reelaboração em relação à proposta
político-pedagógica. Isto atinge todos os setores da universidade, como por
exemplo, as assessorias de extensão, pesquisa e graduação e os projetos
pedagógicos dos cursos e faculdades. Neste artigo, faço uma
discussão sobre a inserção das artes como projeto de extensão e opção de
lazer da comunidade acadêmica. Assim, abordo questões sobre extensão
universitária, lazer, e artes na universidade, buscando articular à proposta
atual da UNIVALE. Entendo ser relevante esta
articulação, pois cada universidade tem suas características próprias e deve
atuar respeitando sua realidade, ou seja, considerando sua história, a
sociedade na qual se insere e os potenciais de desenvolvimento regional. UNIVERSIDADE E SEU PAPEL
SOCIAL: PROPOSTA DA UNIVALE
A Universidade do Vale do
Rio Doce (UNIVALE) é uma instituição caracterizada como comunitária
não-confessional, pois nasceu de um grupo da própria comunidade e consiste
numa entidade sem fins lucrativos. Localizada na cidade de Governador
Valadares – MG, é pólo educacional, sendo a única universidade nas regiões
leste e nordeste de Minas Gerais. Tendo como mantenedora a Fundação Percival
Farquhar, vem desenvolvendo há 35 anos o ensino superior na região, tendo-se
tornado universidade há 10 anos (1992). Hoje com novos paradigmas
de administração, a UNIVALE passa por um processo de intensificar suas ações
a fim de cumprir com suas metas. Isto não é muito simples, pois esta é uma
proposta que necessita de uma reformulação de valores da comunidade
acadêmica, de forma a não se dispersar da sua própria realidade. De acordo com Cristovam
Buarque (1994), para que a universidade seja “um instrumento de salto no saber universal”, não deve
desligar-se do seu meio, “deve tirar do
local a motivação para a universidade” (p. 79). No Fórum Nacional de
Extensão e Ação Comunitária das Universidades e Instituições de Ensino
Superior Comunitárias (Recife, 2001) foi
elaborado um Plano Nacional de Extensão. Neste documento, definiu-se que um
dos princípios da extensão associada ao Ensino e à Pesquisa é a valorização
das potencialidades e das peculiaridades de cada universo social em que se
inserem as ações de extensão, “compartilhando
o desenvolvimento cultural, biopsicossocial, ecológico e histórico de cada
contexto que pretendem alcançar” (p.3). Daí depreendo que, mesmo
sendo o conhecimento produzido e veiculado de forma semelhante na maioria das
instituições, o método para se buscar, analisar e divulgar o conhecimento
deve ser próprio de cada uma, individualmente, influenciada por fatores
sócio-culturais da comunidade em que se insere. Dessa forma, a universidade
estabelece uma identidade frente à diversidade cultural quando valoriza o
modo de ser e fazer de sua cultura e respeita o modo de ser e fazer das
outras culturas. Para Buarque (1994), a
comunidade universitária deveria ser a vitalidade da universidade, uma vez
que a universidade vive do olhar de sua comunidade. Em outras palavras a
universidade é a “cara” de sua comunidade. Os diversos modos de vida
de cada comunidade humana, é justificado pela multiplicidade e diversidade
dos sistemas de significações presentes nas relações sociais. Assim, a
universidade é decorrência da dinâmica deste sistema (Universidade,19--). Marcos Marins (1995) afirma
que a universidade deve ser um pólo irradiador de cultura, sendo que a
cultura e a ciência devem se aglutinar visando a educação das novas gerações.
Por isso a universidade deve ocupar seus ambientes e suas estruturas para
aumentar a oferta de bens culturais à comunidade. Entre as metas da UNIVALE,
estão: interagir com a sociedade como um sistema aberto de realimentação do
processo de formação superior, geração e transferência de tecnologia;
contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e político-cultural da sua
região de abrangência, como forma de promoção do bem comum. Ao meu ver, a
compreensão da comunidade acadêmica desta instituição sobre a importância de
ter como foco a sua própria realidade tem se construído num processo de
reflexão e ação, que mesmo com as resistências de mudanças desta comunidade,
aos poucos vai ganhando força, sendo legitimado e consolidado. A inserção das artes na
UNIVALE é algo recente, e merece ser analisada, para que esta área do
conhecimento se estabeleça garantindo uma conexão com o contexto no qual se
insere, enriquecendo-o. PROPOSTA DO NÚCLEO DE
CULTURA DA UNIVALE
Diversos autores questionam
o descaso com a arte por parte da maioria das universidades. Segundo Catani
(1996), a prioridade em investir mais nas áreas científicas mais próximas do
setor produtivo em detrimento das demais áreas é uma característica atual do
ensino superior. Esta realidade era vivenciada pela UNIVALE também, e por
considerar a importância da arte na universidade, é que foi projetado o
Núcleo de Cultura na instituição. A UNIVALE reconhece as
artes como área do conhecimento que manifesta a cultura de um povo, que
amplia o olhar do artista e do espectador à medida que estes estabelecem uma
conexão do que vêem e fazem com sua própria vida. Este reconhecimento gerou a
formação da Faculdade de Artes e Comunicação, e mais especificamente o Núcleo
de Cultura da UNIVALE. Esse Núcleo se caracteriza
como projeto de extensão universitária e é composto por diversos setores:
Teatro, Artes Plásticas, Cerimonial & Eventos e Design de Ambientes,
Música, Dança, Literatura, Audiovisual. Cada setor tem sua proposta
individual (Projeto Cultural do Setor), e é coordenado por um professor. As
atividades são abertas à comunidade acadêmica, e tendem a extrapolar os muros
da universidade, promovendo exposições, oficinas e outras atividades. O
Projeto do Núcleo de Cultura da UNIVALE é justificado pela importância que a
instituição sente em manter seu caráter técnico-científico assumindo um
perfil mais humanista. O Projeto do Núcleo de
Cultura da UNIVALE entende que abrir caminho para a questão social e cultural
é interagir com a sociedade, por isso vejo ser importante a universidade
estar atenta verificando se e como tem
enriquecido a sociedade em que atua. De acordo com o Projeto, o
Núcleo de Cultura da UNIVALE é fundamental para garantir o papel educacional
da universidade. Suas atividades têm como objetivo: “capacitar o aluno ao
posicionamento crítico e ao debate de idéias, através da cultura; formar
agentes culturais e público de cultura; trabalhar por uma transformação da
mentalidade, por uma abertura de visão do mundo dentro e fora dos limites dos
campi” (FAC:2002, p.3). As atividades do Núcleo de
Cultura de forma geral, buscam ocupar o tempo disponível de lazer da
comunidade universitária, “dos artistas”, promovendo um espaço que aborde a
interface entre o conhecimento em artes e o prazer em fazer arte. Isabel Marques (1999), com
base em Susan Stinson (1995), propõe para o ensino de dança uma pedagogia que
permita a realização de uma “conexão
entre o mundo da dança e o espaço fora da sala de aula, para que o espaço do
ensino da dança não seja uma forma de escapar do mundo, mas um lugar para
entendê-lo e para entendermos a nós mesmos” (p.95). Entendo que essa
proposta seja pertinente para todas as abordagens (setores) do Núcleo de
Cultura, e não somente para o ensino de dança. -
Extensão Universitária, lazer e conhecimento Para Buarque (1994), a
extensão universitária é uma atividade acadêmica especial, e um dia ainda
será apenas um método para o ensino e a pesquisa, ou seja, será um
instrumento necessário para a realização da pesquisa e para o processo
ensino-aprendizagem, pois o acadêmico observará e intervirá em situações
reais. Para ele, a extensão é necessária para que a comunidade acadêmica
conheça o mundo externo ao campus,
e para que a comunidade externa conheça o mundo acadêmico. Esta convivência
com o pensamento não acadêmico é uma condição para que aconteça o avanço do
pensamento dentro da universidade, pois, a partir deste contato, a pesquisa e
o ensino poderão ser mais incisivos. Jorge Sampaio (2001)
compreende a Extensão universitária como uma categoria ética, pois, “a extensão precisa ser enfrentada como um
conjunto de valores que devem ser refletidos e aderidos pela parcela das
pessoas que se comprometem com a construção da dignidade da vida”(p.13). Para esse autor, a Extensão não é
nem o apêndice da atividade acadêmica nem o carro chefe. A Extensão é parte
do processo de construção e socialização do conhecimento que é peculiar à
academia. A razão de ser da
universidade humanista e tridimensional está na prática cultural exercida por
todos, independente das áreas de conhecimento que atuam. Buarque (1994)
destaca os Núcleos Culturais como meio de induzir os membros da comunidade à
prática humanística. E destaca ainda três setores a serem desenvolvidos pelos
Núcleos Culturais: artes, esportes e reflexão filosófica e metodológica.
Segundo o autor, “...não se trata de
organizar núcleos de pessoas especializadas em áreas das artes; ao contrário,
trata-se de aglutinar aqueles que praticam estas atividades em complementação
às suas áreas específicas e especializações” (p. 139). A atividade não-científica
não é o que caracteriza os Núcleos Culturais, mas sim “a atividade vista esteticamente como finalidade, como desejo” (Buarque,
1994, p. 139) Estes Núcleos podem dar suporte às atividades de extensão. Existe uma preocupação em
garantir as atividades dos Núcleos como atividades acadêmicas, que
possibilitem uma articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão. O
Núcleo de Cultura da UNIVALE se estrutura de forma que as pessoas
interessadas em participar ampliem suas atividades da vida acadêmica ocupando
uma carga horária além das atividades em sala de aula. Ou seja, as atividades
do Núcleo acontecem durante o tempo disponível de lazer das pessoas que se
envolverem. Mas existe uma preocupação em não deixar que este tempo seja
apenas de ociosidade, e que atividades não sejam caracterizadas como
“passatempo”, mas de possibilidade de vivências dos conteúdos culturais. Portanto, é preciso definir
o que é lazer para compreender melhor a direção que será dada às atividades
do Núcleo de Cultura da UNIVALE. Opto pelo conceito de lazer do sociólogo
Nelson de Carvalho Marcellino (1998): “Dessa
forma prefiro entender lazer como a cultura – compreendida no seu sentido
mais amplo – vivenciada (praticada ou fruída) no tempo disponível, o
importante como traço definidor, é o caráter desinteressado dessa vivência.
Não se busca, pelo menos fundamentalmente, outra recompensa além da
satisfação provocada pela situação. A disponibilidade de tempo significa
possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa...” ( pp.31-32) Marcellino utiliza a
palavra “desinteressada” se referindo à não-obrigatoriedade, o que não significa
que não existe um compromisso daquele que vivencia aquele tempo de lazer. O
interessado pelas atividades oferecidas pelo Núcleo de Cultura da UNIVALE,
por exemplo, participa por sua livre e espontânea vontade, o que não quer
dizer que ele é descompromissado com aquele momento, pois existe um
compromisso com seu desejo e com a universidade. A satisfação com uma
atividade não deve ser confundida com uma forma de escapar de sua realidade,
ou simplesmente com o entretenimento. Nas atividades de lazer, a realidade
deve passar a ser analisada e vivenciada de forma satisfatória, prazerosa. Nas palavras de Tarcísio
Mauro Vago (1995), “Se
o trabalho se configura, numa sociedade capitalista, como algo cuja
realização é uma tortura, um sacrifício que oprime o homem, é muito provável
que, neste caso, o lazer se apresente como uma forma de compensação a este
trabalho. Isso reduz, sobremaneira, os significados do lazer”(p. 29). Marcellino (1998) entende
que o lazer possui um duplo aspecto educativo: lazer enquanto veículo de
educação, lazer enquanto objeto de educação, ou seja, educar para e pelo
lazer. O autor, ao pensar o lazer enquanto veículo de educação, diz que: “Tanto
cumprindo objetivos consumatórios, como o relaxamento e o prazer propiciados
pela prática ou pela contemplação, quanto objetivos instrumentais, no sentido
de contribuir para a compreensão da realidade, as atividades de lazer
favorecem, a par do desenvolvimento pessoal, também o desenvolvimento social,
pelo reconhecimento das responsabilidades sociais, a partir do aguçamento da
sensibilidade ao nível pessoal, pelo incentivo ao auto-aperfeiçoamento, pelas
oportunidades de contatos primários e de desenvolvimento de sentimentos de
solidariedade” (p. 60). Entendendo o lazer enquanto
veículo de educação por muitas vezes as pessoas aprendem e são educadas a
discriminar outras pessoas. Ou seja, as
atividades culturais de lazer ocorrem por maioria das vezes de forma
discriminatória na nossa sociedade. Sexo, faixa etária, níveis de
escolaridade, estereótipos tornam-se fatores que podem inibir para a prática
do lazer. (Marcellino, 1998) Por exemplo, poucas pessoas têm acesso às
atividades artísticas no Brasil devido às condições sócio-econômicas da
maioria da população. Além disso, outras questões culturais que vão determinando um comportamento ideal para a boa
convivência social, carregado de pré-conceitos
construídos e vividos pela mesma comunidade, interferem nas escolhas de lazer
da sociedade. No meu entender, a educação
para o lazer é falha, ou melhor, não educa para o lazer, quando propõe e
educa para uma prática hegemônica ao invés de uma prática democrática. Assim
percebo a importância de se educar para o lazer, por meios mais democráticos,
que facilita o acesso à atividade e à produção e absorção do conhecimento por
todos participantes. A educação para o lazer
consiste em propor um aprendizado de como utilizar o tempo de lazer. Isto
deve ser efetuado visando a uma educação de
forma geral. Ou seja, não é possível separar a educação para o lazer da educação
de forma geral (Marcellino, 1998). Marísia Aparecida Freitas
(1995) analisando a “vivência” de lazer, entende que: “a
prática do lazer por suas características básicas de livre escolha,
espontaneidade, criticidade, criatividade, alegria e prazer representa espaço
privilegiado de ação educativa coletiva, participativa e solidária,
oportunizando ao indivíduo ampliar sua visão de mundo, a partir da relação de
seus desejos com a compreensão da realidade, com seus diferentes valores e
identidades culturais” (p.52). As atividades de lazer
consistem em conteúdos culturais, como a dança, a música, o passeio, a
conversa, entre outros. Estes conteúdos são entendidos como culturais por
serem determinados por uma realidade social que também é determinada pelos
conteúdos do lazer. De acordo com Vago (1995), “...os conteúdos culturais pertencem à humanidade – são bens culturais de
todos nós – Mas, nem todas as pessoas têm acesso aos bens culturais
produzidos pela humanidade, nem todos podem usufruir deles e gozar dos seus
benefícios” (p.28). As artes e outros conteúdos
do lazer, deixam de ser lazer quando passam a ser profissão. O artista
profissional tem esta atividade como obrigatória, por mais prazerosa que
seja, diferentemente das pessoas que vivenciam a arte porque dispõem um tempo
para a atividade por sua livre vontade. O Núcleo de Cultura da UNIVALE
propõe-se a garantir o espaço de lazer pela arte, por isso a arte neste
contexto é caracterizada como atividade de extensão universitária. E tendo o
compromisso com a educação, a UNIVALE deve valorizar o potencial educativo do
lazer. Este aspecto educativo e de
lazer do Núcleo de Cultura da UNIVALE, diferencia o ensino da arte na
universidade do ensino da arte que se preocupa somente com as questões
técnicas da arte. Neste sistema de ensino, ignora-se os sentimentos e
vivências cotidianas, como se o momento da aula fosse um momento
extra-cotidiano. Analisando esse método de ensino é difícil, ou impossível,
identificar espaços de reflexão, pois o tempo de aula é dedicado à busca pela
perfeição técnica. Os métodos de ensino se justificam pelos seus objetivos. Entendo que a arte se torna
mais prazerosa e acessível à medida que respeita a realidade dos alunos e que
estabelece uma conexão com o cotidiano deles, pois assim não é forçada a
busca por um conhecimento pouco palpável, o que torna maçante e sem sentido o
aprendizado. A sensibilidade se torna pré-requisito indispensável para pensar
a arte, uma vez que é a forma de apreensão da realidade, é a possibilidade de
conhecimento. A arte enquanto educação e
lazer, deve fazer uma ponte com o que se vive, deve ser contextualizada e ter
poder crítico, possibilitando ressignificar valores e conceitos. Se o ensino
da arte não busca esse olhar, não se afirma enquanto ensino artístico. Não
acredito em arte não-real. Para mim, a arte agrega sentimentos e história, e
não existe sentimento de mentira, nem história de vida que não se viveu. Susan Stinson (1998) pensa
ainda mais além, quando afirma que o ensino em qualquer área quando envolve
sensibilidade, inteligência e criatividade, pode ser considerado arte, ou
seja, arte também é intelectualidade. Dantas (1996), recorrendo
às teorias de Merleau-Ponty, estudioso da fenomenologia, entende que qualquer
conhecimento é construído de acordo com uma experiência do mundo. Por isso é
fundamental que as discussões, reflexões e interpretações sobre a dança sejam
feitos estabelecendo um diálogo com a própria dança. É preciso estar em
contato com a experiência da dança. Entendo que esta colocação pode ser
pertinente também para as outras artes, além da dança. Marques (1999) se referindo
ao ensino de dança afirma que “qualquer
trabalho que seja desenvolvido no sentido de perceber o conteúdo daquilo que
está improvisado ou composto estará também relacionando o mundo da arte à
sociedade, mesmo que indiretamente.” (p.76). Esta fala mostra uma
amarração do ensino da arte à necessidade de contextualizar este processo de
aprendizagem. Na verdade, é uma proposta de educar para a arte e através da
arte. Neste sentido, podemos visualizar um entendimento de educação que se
preocupa em formar cidadãos autores e atores de sua cultura, que compreendam
as limitações e as potencialidades de sua sociedade e que consigam
ressignificar valores e serem agentes transformadores. Percebo que esta idéia se
amarra ainda à proposta universitária, mais especificamente com a proposta da
UNIVALE, quando idealiza ambiente universitário como lugar de formação de
cidadãos que conheçam e reconheçam a realidade social a qual pertencem, e que
sejam capazes de interferir de forma crítica e ética em seu contexto. CONCLUSÃO
A extensão universitária é
essencial para que a universidade cumpra o papel social, e deve estar
associada à pesquisa e ao ensino, para que haja um avanço do conhecimento, contribuindo com o seu
desenvolvimento. No caso do Núcleo de Cultura da UNIVALE, é possível associar
o lazer à extensão universitária, tornando o conhecimento uma aquisição
prazerosa e educativa. Sobre a arte na
universidade, as interfaces entre conhecimento e lazer foram discutidas,
sendo associadas ao ensino de arte. Identifiquei o quanto é necessário
assumir iniciativas que esclareçam sobre a dimensão educacional da arte, sem
deixar que o espontaneísmo e o entretenimento seja o foco do trabalho educacional,
ou ainda que temas sejam estabelecidos e discutidos incansavelmente. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BUARQUE, C. A Aventura da Universidade. São Paulo:
Ed. UNESP, 1994. CATANI, A.F. Universidade na América Latina: tendências
e perspectivas. São Paulo: Ed. Cortez, 1999. DANTAS, M. F. Dança: Forma, Técnica e Poesia do
Movimento. Dissertação de Mestrado. UFRGS, 1996. FÓRUM NACIONAL DE EXTENSÃO
E AÇÃO COMUNITÁRIA DAS UNIVERSIDADE E INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
COMUNITÁRIAS. A Extensão e Ação Comunitária:
Contribuição das universidades e IES Comunitárias para um Plano Nacional de
Extensão. Recife, 2001. FREITAS, M. A. Ação
Comunitária: meio e fim da vivência de lazer. O Lúdico e as Políticas Públicas: Realidade e Perspectivas. Belo
Horizonte: PBH/SMES, 1995. MARCELLINO, N. C. Lazer e Educação. Campinas: Papirus,
1998. MARINS, M.A. Universidade e
Pesquisa. Revista de Estudos Universitários – UNISO. Vol 21, n.01,
Sorocaba, junho/1995. MARQUES, I. A. Ensino da Dança Hoje: textos e contextos.
SP: Cortez, 1999. SAMPAIO, J.H. Extensão Universitária: um desafio para
transformar conhecimento em sabedoria. UNIMEP, 2001. STINSON, S. O currículo e a
moralidade da estética. Pro-Posições: Revista Quadrimestral. Faculdade de
Educação – UNICAMP. Vol.09, nº 2, junho, 1998. UNIVERSIDADE, Comunidade e
Tempo Livre (Aspectos filosóficos e antropológicos), [19--] VAGO, T.M. A Essência da
vivência lúdica de conteúdos culturais. O
Lúdico e as Políticas Públicas: Realidade e Perspectivas. Belo Horizonte:
PBH/SMES, 1995. |
|
|
| Red Latinoamericana de Recreación
y Tiempo Libre | Red Nacional de Recreación |
|
|
Fundación Colombiana de Tiempo Libre y
Recreación / FUNLIBRE |
|
[1] Rua 16, n.444, Ilha, Governador Valadares – MG- tel/fax: 33 – 32752967 – e-mail: raquel@univale.br Especialista em Dança– UNIVALE