El fenómeno lúdico en las prácticas deportivas:

El papel del profesional en Educación Física que actúa como educador en el campo del ocio y la recreación.

 

O FENÔMENO LÚDICO NAS PRÁTICAS ESPORTIVAS:

O PAPEL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA QUE ATUA COMO EDUCADOR NO CAMPO DO LAZER

 

Ágrio de Oliveira Chacon Filho[1]

Tereza Luiza de França

Katia Brandão Cavalcanti

 

14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002.

UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil.

 

 

 

 

RESUMO

Las intensas búsquedas en el universo del conocimiento, su socialización y conexiones han generado nuevos caminos y estimulado significativos estudios en el campo de la formación profesional. En estas, las cuestiones que orientan investigaciones acerca de la formación del educador se han configurado como “la bola da vez” del juego[2] socioeducativo-cultural, encontrando en la Educación, en la Educación Física y en áreas afines un fértil terreno para las explicaciones necesarias en la construcción de problemáticas centradas en la búsqueda del fluir de emociones, intenciones, pensamientos, expectativas e inquietudes. Este estudio tiene por objetivo conducir a la reflexión acerca del tratamiento del fenómeno lúdico en las prácticas deportivas de ocio y recreación, teniendo a la corporeidad como mediadora para contribuir con el proceso de transformación y cualificación del educador, profesional de Educación Física, que actúa en el dominio del ocio y la recreación. Así, presentamos a la luz de la literatura, indicadores que se colocan como soporte para enfrentar este enorme desafió en el proceso de formación de ese profesional, tomando la autoformación como eje orientador. De esta forma, ayuda a percibir en el mundo contemporáneo el papel del educador, que pasa a ser redefinido en la dirección del fluir lúdico, crítico de su intervención.

 

 

RESUMO

As intensas buscas no universo do conhecimento, sua socialização e conexões têm gerado novos caminhos e estimulado significativos estudos no campo da formação profissional. Neste, as questões que norteiam investigações acerca da formação do educador têm se configurado como “a bola da vez” no jogo[3] socioeducativo-cultural, encontrando na Educação, na Educação Física e em áreas afins um fértil terreno para os desdobramentos necessários à construção de problemáticas centradas na busca do fluir de emoções, intenções, pensamentos, expectativas e inquietações. Este estudo tem por objetivo trazer reflexões acerca do trato do fenômeno lúdico em práticas esportivas de lazer, tendo a corporeidade como mediadora para contribuir com o processo de transformação e qualificação do educador, profissional de Educação Física, que atuam no domínio do lazer. Assim, apresentamos à luz da literatura, indicadores que se colocam como suporte para o enfretamento desse enorme desafio ao processo de formação desse profissional, tomando a autoformação como eixo norteador. Desta feita, colabora para se perceber no mundo contemporâneo, o papel do educador, passa a ser redefinido na direção do fluir lúdico, crítico de sua intervenção.

 

 

Não errará jamais quem buscar o ideal de beleza de um homem pela mesma via em que ele satisfaz seu impulso lúdico. (Schiller, 1995, p: 84).

 

Este estudo, de caráter reflexivo, constitui-se de elemento norteador e referencial da dissertação de mestrado que trata da autoformação do profissional de Educação Física e do seu papel de educador para atuar no campo do lazer, em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, tendo como objetivo: investigar como o profissional de Educação física que atua em práticas esportivas de lazer, elabora saberes no seu processo de autoformação, que permitam o fluir da ludicidade. A partir desse objetivo principal, definimos as seguintes questões de estudo: Que fatores determinantes na autoformação do educador, o influenciaram a buscar uma prática esportiva que permite o fluir da ludicidade? Como ocorre o processo de construção de saberes que o profissional de Educação Física mobiliza para atuar como educador, que cria condições para o fluir do lúdico em práticas esportivas? Com isso, pretendemos repensar a prática de educadores, em particular, de profissionais de Educação Física, no mundo do esporte vivido permeado pela complexidade de valores socioculturais.

 

Constata-se em diferentes áreas, a preocupação de que na produção atual do conhecimento, as pesquisas[4] além da identificação das dificuldades encontradas na formação, busca-se apontar possíveis avanços para o desenvolvimento de ações mais concretas e transformadoras, objetivando, sobretudo, suscitar o debate da profissionalização do professor, especialmente, a partir das discussões instaladas, como podemos perceber nas últimas décadas.

 

Para isso, concorrem novas concepções sobre a Educação, as revisões e atualizações nas teorias de desenvolvimento e da aprendizagem, o impacto da tecnologia, da informação e das comunicações sobre os processos de ensino, metodologias e técnicas[5]. Tudo isso delineia um cenário formativo com exigências cujo atendimento, de modo geral, os educadores não foram, nem estão sendo preparados.

 

Tais exigências se colocam pela necessidade de que o educador, em sua ação, precisa adquirir e sistematizar saberes[6] que possam orientar e mediar sua intervenção, assumindo a responsabilidade junto às instâncias cabíveis, pelo sucesso dessa prática educativa. Isto impõe dominar saberes para lidar com as diversidades sociais existentes e incentivar atividades de enriquecimento na formação. Para tanto, cabe-lhe a competência de elaborar e executar projetos e pesquisas para tratar o conhecimento, utilizando novas metodologias e estratégias, sendo capaz de desenvolver sua prática com atitude de colaboração trabalhando em equipe.

 

Ora, este educador para assumir tal postura profissional, além das mudanças necessárias aos cursos de formação, a melhoria de sua qualificação, vai depender, também, de um conjunto de fatores que interferem diretamente no processo de formação e intervenção desse profissional. Como alerta Nóvoa (1995, p. 95), é necessário repensar este processo sintonizando o contexto real e, principalmente:

 

Sem esquecer a influência decisiva de outros fatores (escolarização, organização social da escola, recursos materiais, configuração, currículo, etc.) determinantes da política educativa de cada país, desde há alguns anos, e cada dia com maior intensidade, as atenções estão viradas para o professor, enquanto profissional responsável pela natureza e qualidade do cotidiano educativo na sala de aula e na escola. A formação destes profissionais é o eixo da atual controvérsia.

 

Esta responsabilidade atribuída pelo autor à formação de profissionais de educação, é amplamente reconhecida, estando presente nas discussões e estudos publicados por diferentes áreas em eventos científicos de reconhecimento internacional[7]. Tais estudos apontam as deficiências e as lacunas existentes e afirmam que sem a compreensão das inter-relações entre formação do educador e as possibilidades reais de reconstrução da prática, não será possível avançar na reconceptualização do processo formativo e sua dinâmica.

 

Assim, no campo da formação do educador, ainda, no que se refere às inconsistências entre o que a teoria prevê que aconteça e os resultados que são apontados através de pesquisas e observações das práticas no cotidiano desses profissionais, tanto no Brasil, em relação às condições objetivas para consolidar estes pilares formativos, como também no cenário mundial[8], essa situação constatada, aponta para a desvalorização que tem o educador em nosso meio social, vista como mais uma das conseqüências de nossa herança cultural.

 

Considerando as exigências atuais situadas no contexto sociopolítico-educacional, acima descrito, tanto no âmbito nacional e mais precisamente no contexto da realidade dos Cursos de Formação em Educação Física, torna-se necessário aprofundar estudos para ampliar as possibilidades de ação no sentido de materializar um processo de reconceptualização formativo numa perspectiva de qualidade[9].

 

Tomando por referência fontes básicas tais como: os critérios de exigências para a intervenção desses profissionais em diferentes campos de atuação, a escola, o clube, a academia, industrias, políticas públicas, associações e sindicatos, dentre outros; as diretrizes estabelecidas para os  Cursos de Graduação em Educação Física, pela Comissão de Especialistas do Ensino Superior da SESu[10]; as produções, à luz das  teorias críticas, sobre formação profissional da área da Educação Física e nas áreas afins, entendemos que para tratar sobre autoformação do profissional na Educação Física, que atua como educador no campo do lazer, impõe adotar um referencial teórico-metodológico pertinente, ou seja, que possa indicar elementos para explicitar de onde se fala, para e com quem se fala. Só assim, será possível reverter o quadro que hoje se traduz no universo da área.

 

O que dependeria de investimentos e vontade política de toda a sociedade, reconhecendo a Educação Física como uma das áreas de prioridade para formação do cidadão, como algo efetivamente imprescindível para a construção de caminhos na direção desse desenvolvimento e dessa transformação, cabe ao profissional cumprir seu papel social com competência técnica e compromisso político.

 

Assim, exige-se deste educador uma reflexão crítica, radical e de conjunto[11], ou seja, um real aproveitamento da aplicação de estratégias para incorporar capacidade de criatividade suficiente e promover suas ações de trabalho de forma ágil e proveitosa, buscando sempre sintonia com o mundo real. Isto implica possuir habilidade para reconhecer de imediato o andamento de sua prática, conhecendo todos os tipos possíveis de estratégias para escolher aquela que melhor se adapta a forma de conduzir sua prática. Ou seja, construir conhecimento levando em conta que uma investigação se processa pelas descobertas como resultado da ação dialética de olhar para ver; ver para sentir; sentir para perceber; perceber para criar. (França, 2002, p. 15).

 

Ancorado nos estudos de Schiller (1995), desenvolvemos esta reflexão como um processo investigativo sobre a presença do fenômeno lúdico no esporte, entendendo e questionando práticas esportivas como fundamentalmente uma atividade do homem completo que deve ser vivido numa dimensão lúdica e, assim compreendê-lo como uma manifestação cultural que pode provocar emoções, sensações e descobertas de experiências de fluxo[12], na medida em que se possa compreender que o homem que joga de forma plena, fazendo-se plenamente homem.[13]

 

A partir desse entendimento mais amplo sobre o jogo, os seguintes pressupostos foram fundamentais para a estruturação deste estudo reflexivo:

O ser lúdico, o ser que joga, é igualmente um ser pleno, um ser belo.

O esporte estimulado pela descoberta do fluxo configura-se como experiência lúdica.

 

Perspectivamos diferentes toques, amplos arremessos e criativos dribles em busca de saltos qualitativos no trato com o esporte de natureza lúdica, tendo como referência à descoberta do fluxo[14] em três dimensões: o fluxo da libertinagem, o fluxo da metamorfose, o fluxo do barroco - ou seja: o elemento lúdico da expressão do ato de jogar o esporte e o olhar lúdico expresso pelo pesquisador no momento de olhar o jogo presente nesse contexto, fazendo fluir o problema norteador desse estudo.

 

Num esforço acadêmico para pensar o esporte à luz da problemática acima delimitado, em todas as suas dimensões culturais e no complexo pensamento de reconceituação do trato desse esporte enquanto expressão do impulso lúdico[15] em que o homem contempla o mundo e as belezas que afloram em seus horizontes, sendo, portanto, um homem estético e capaz de refletir sobre o mundo e não apenas estar nele como um simples captador de sensações físicas. O homem quando contempla ou quando reflete, está aflorando em si mesmo a sua primeira relação de liberdade com o mundo que o cerca.

 

Repensar a prática de profissionais no mundo do esporte vivido com valores lúdico, é compreender esse processo como uma atividade que produz fluxo e exige um investimento inicial de atenção no sentido de torná-lo agradável (Csikszentmihalyi, 1999).

 

Compreendemos que as práticas esportivas assumem um papel de grande importância na sociedade. Nesta, o esporte passa a ser responsável pelas possibilidades de vivências lúdicas, tendo o profissional de Educação Física que atua como educador no campo do lazer, uma importância fundamental na condução do esporte como agente propulsor de energias comunicativas que favoreçam o desenvolvimento integral do ser humano.

 

Trabalhar nessa perspectiva é reconhecer que estamos enfrentando desafios que exigem mudanças de mentalidade e de paradigma que vão de encontro com a ordem estabelecida, em que a formação profissional é enfatizada, devido aos interesses da política nacional[16], em ressaltar apenas o valor competitivo do esporte, o qual tem um forte caráter excludente, inclusive tomando parte fundamental no processo de desumanização do homem pelo seu poder tecnicista[17].

 

Estudos publicados na área da Educação, Filosofia, Sociologia e Educação Física[18], dentre outros, a partir do início da década de 80, apontam significativos elementos para se pensar, em práticas no campo da Educação Física: “os valores e as possibilidades de vivenciar o lúdico, com o propósito da aquisição de responsabilidades, de novas aprendizagens sociais  e de outros aspectos sociabilizantes” (França, 2000, p. 13).

 

Assim, o lúdico como uma inclinação vital para perceber e sentir o belo, não poderia ficar ausente, de práticas esportivas. Por tudo isso, este estudo lança mão da produção sobre o fenômeno da ludicidade, entendo que:

 

No ‘impulso lúdico’, razão e sensibilidade atuam juntas e não se pode mais falar da tirania de uma sobre a outra. Através do belo, o homem é como que recriado em todas as suas potencialidades e recupera sua liberdade tanto em face das determinações do sentido quanto em face das determinações da razão. Pode-se afirmar, então, que essa ‘disposição lúdica’ suscitada pelo belo é um estado de liberdade para o homem (Schiller, 1995, p. 16-7).

 

Continuando com essa discussão dialética do lúdico no contexto do educador e da prática esportiva, entendemos que o ato de jogar e viver esta prática explorando essa energia resgatando o mundo lúdico em que as dimensões do sonho, da magia, da sensibilidade, da criatividade, da imaginação, abrem novos caminhos para o ser em plenitude.

A alegria de viver a cultura esportiva sem desconsiderar o contexto em que a vive,  faz perceber os elos entre o que vejo, o que penso o viver e os acontecimentos que atravessam o mundo. E assim, apreendo mais dados e os apreendo com mais acuidade que participo mais, é assim que posso esperar compreender meu lugar, encontrar e tomar o meu lugar. (Barbosa, 2001, p. 15).

 

É assim que percebemos o valor do lúdico, inserido no contexto de práticas do esporte, o que, também, implica na presença do prazer e da alegria, além de estar intimamente ligado ao sentimento de liberdade.

Nesse sentido, percebemos que o lúdico incluído nas práticas esportivas encontra a capacidade criadora do homem e provoca as formas de se manifestar na vida. Assim, o lúdico cria, supõe-se a instauração do conflito, residindo aí, seu poder revolucionário e transformador.

 

Portando, compreendemos que o ser humano se desenvolve e se transforma pelo impulso lúdico e adota uma nova postura existencial, que afirma sua corporeidade com dimensões criativas que expressam o ser pleno. Nisso, o homem deixa de existir simplesmente para se (re)criar no devir, alcançando a sua liberdade e autonomia de ser.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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|  Red Latinoamericana de Recreación y Tiempo Libre  |  Red Nacional de Recreación

Fundación Colombiana de Tiempo Libre y Recreación / FUNLIBRE

 



[1] Rua Prof. João Machado, nº 2794, Bairro: Cidade Jardim – CEP: 59.078-340.  Natal-RN Tel: (84) 231 4583. Email: agriochacon@zipmail.com.br Mdo -DEF-BACOR-UFRN Tereza Luiza de França - Dda-NIEL-UFPE-BACOR-UFRN Katia Brandão Cavalcanti - Drª.-DEF-BACOR-PPGEd-UFRN

[2] Aqui o termo jogo tem um entendimento conforme escreve Johan Huizinga (1999), em Homo Ludens, ao tratar sobre natureza e significado do jogo como fenômeno cultural. Para este autor, “se verificarmos que o jogo se baseia na manipulação de certas imagens, numa certa ‘imaginação’ da realidade (ou seja, a transformação desta em imagens), nossa preocupação fundamental será, então, captar o valor e o significado dessas imagens e dessa ‘imaginação’.”Observaremos a ação destas no próprio jogo, procurando assim compreendê-lo como fator cultural da vida.

[3] Aqui o termo jogo tem um entendimento conforme escreve Johan Huizinga (1999), em Homo Ludens, ao tratar sobre natureza e significado do jogo como fenômeno cultural. Para este autor, “se verificarmos que o jogo se baseia na manipulação de certas imagens, numa certa ‘imaginação’ da realidade (ou seja, a transformação desta em imagens), nossa preocupação fundamental será, então, captar o valor e o significado dessas imagens e dessa ‘imaginação’.”Observaremos a ação destas no próprio jogo, procurando assim compreendê-lo como fator cultural da vida.

[4] Neste domínio destacam-se os estudos de Ramalho (1993); Ludke e Mediano (1993); Nóvoa (1992); Tardif (1996); Ramalho e Carvalho (1994, 1997).

[5] Proposta de Diretrizes para a Formação Inicial de Professores da Educação em Cursos de Nível Superior. Ministério da Educação, Maio/2000.

[6] A respeito desta reflexão, tomamos os estudos de Morin (2000, p. 13), quando escreve sobre Os sete saberes à educação do futuro. Neste estudo, destacamos a afirmação de que “...saberes ‘fundamentais’ que a educação do futuro deveria tratar em toda sociedade e em toda cultura, sem exclusividade nem rejeição, segundo modelos e regras próprias a cada sociedade e a cada cultura”.

[7] A respeito destes eventos científicos destacamos o ENDIPE, EPEEN e o Congresso da ANFOPE.

[8] Sobre o assunto consultar Demo, P. “Formação permanente de formadores - educar pela pesquisa”. In: Menezes, L. C. (1996).

[9] A formação de qualidade deve garantir possibilidades de ações interativas/comunicativas, onde sejam exigidas as competências linguística/discursiva, argumentativa, persuasiva e decisória - competências básicas para o exercício profissional enquanto consistente processo de construção do conhecimento na perspectiva de análise, compreensão, interpretação e explicação dos fenômenos socioeducativos presentes na intervenção pedagógica, ou seja, das implicações e explicações do cotidiano nos diferentes campos de trabalho.

[10] Secretaria de Ensino Superior – MEC.

[11] Reflexão crítica assume no presente trabalho a dimensão a ela atribuída segundo as teses de Marx sobre Ludwig Feuerbach. Ver a respeito Marx & Engels. A Ideologia Alemã (Feuerbach). 6ª Ed. São Paulo, Hucitec, 1987.

[12] Como escreve Csikszentmihalyi (1999, p. 37), “o fluxo tende a ocorrer quando as habilidades de uma pessoa estão totalmente envolvidas em superar um desafio que está no limiar de sua capacidade de controle. Experiências ótimas geralmente envolvem um fino equilíbrio entre a capacidade do indivíduo de agir e as oportunidades disponíveis para a ação”.

[13] Homem em sentido pleno – homem lúdico – não busca apenas retirar-se à “clausura” de sua moralidade, mas empenhar-se exatamente em dar vida às coisas que o cercam, em “libertar” os objetos que habitam sua sensibilidade, tornando possível um cultivo cada vez maior desta. O homem assim destinado a aperfeiçoar a realidade – seja ele o gênio que cria obras de arte ou o indivíduo de gosto que contemple o belo – é chamado por Schiller (1995) de nobre “Onde quer que o encontremos, este tratamento espirituoso e esteticamente livre da realidade comum é o sinal de uma alma nobre”.

[14] Como escreve Csikszentmihalyi (1999, p. 37), “o fluxo tende a ocorrer quando as habilidades de uma pessoa estão totalmente envolvidas em superar um desafio que está no limiar de sua capacidade de controle. Experiências ótimas geralmente envolvem um fino equilíbrio entre a capacidade do indivíduo de agir e as oportunidades disponíveis para a ação”.

[15] O objeto do impulso sensível, expresso num conceito geral, chama -se vida em seu significado mais amplo; um conceito que significa todo o ser material e toda a presença imediata nos sentidos. O objeto do impulso formal, expresso num conceito geral, é a forma, tanto em significado próprio como figurado; um conceito que compreende todas as disposições formais dos objetos e todas as suas relações com as faculdades de pensamento. O objeto do impulso lúdico, representado num esquema geral, poderá ser chamado de forma viva, um conceito que serve para designar todas as qualidades estéticas dos fenômenos, tudo o que em resumo entendemos no sentido mais amplo por beleza.

[16] O Professor Lino Castellani (1991), ao abordar sobre as influências sofridas e determinadas pelas concepções de corpo ao longo da história dos homens, expressa muito bem os interesses, os quais o esporte passa a assegurar.

[17] O estudioso Paulo Freire (2000, p. 35), afirma que esta tendência é inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e produtividade e busca tornar o trabalho educativo objetivo e operacional, buscando planejar a prática do educador dotando-a de uma organização racional capaz de minimizar as interferências subjetivas que pudessem pôr em risco sua eficiência, padronizando o sistema de ensino a partir de esquemas de planejamento previamente formulados devendo ajustar-se aos determinantes político-educacionais. Desta forma, contribui para agravar as dificuldades ampliando o problema da marginalidade a partir do nível de fragmentação, de descontinuidade, de heterogeneidade, gerando altos índices de evasão e repetência.

[18] Nestas áreas, aqui destacamos: Schiller (1995); França (1996); Cavalcanti (1994); Pires (1999); Marcellino (1999); De Masi (2000);