El trabajo docente en el CEFET/RN y la influencia del ocio y la recreación en su actuación profesional.

 

 

O TRABALHO DOCENTE NO CEFET/RN E A INFLUÊNCIA DO LAZER NA SUA ATUAÇÃO PROFISSIONAL.

 

Ana Karoliny da Cruz Vasconcelos [1]

Sonia Cristina Ferreira Maia [2]

 

14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002.

UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil.

 

 

 

RESUMEN

El presente estudio se caracteriza como investigación de naturaleza cualitativa, con procedimiento técnico participante, obteniendo informaciones sobre su realidad y sus propios relacionamientos con el ocio y la recreación. El objetivo del estudio se pauta en diagnosticar y discutir la concepción y la vivencia del ocio y la recreación de los docentes del CEFET/RN y su influencia en su práctica pedagógica. El estudio se limita a investigar el ocio y la recreación vivenciado en el tiempo libre de los docentes del CEFET/RN y la influencia en su actuación profesional. Los resultados obtenidos señalan que el ocio y la recreación son una actividad no relacionada con el trabajo y vivenciadas a través de prácticas deportivas y en ambientes acuáticos, aunque no son muy frecuentes. Sin embargo, influyen directa e indirectamente en su práctica pedagógica, pues, los mismos fijan disponibilidades y capacidades dentro del aula con mas calidad.

 

RESUMO

O presente estudo caracteriza-se como pesquisa de natureza qualitativa, com procedimento técnico participante, obtendo informações sobre sua realidade e seus próprios relacionamentos com o lazer. O objetivo do estudo se pauta em diagnosticar e discutir a concepção e vivência do lazer dos docentes do CEFET/RN e a sua influência em sua prática pedagógica. O estudo limita-se a investigar o lazer vivenciado no tempo livre dos docentes do CEFET/RN e a influência na sua atuação profissional. Os resultados obtidos sinalizam que o lazer é uma atividade não relacionada com o trabalho e vivenciado através de práticas esportivas e em ambientes aquáticos, embora não seja muito freqüente. Porém, influencia direta e indiretamente em sua prática pedagógica, pois, os mesmos ficam disponíveis e capazes de dá aula com mais qualidade.

 

INTRODUÇÃO

 

O Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte - CEFET/RN, Instituição pública que atua na área de educação profissional e que tem como função social a formação do profissional - cidadão nos diferentes níveis da educação profissional, através de um processo de apropriação e da produção de conhecimento científico e tecnológico, visando uma atuação no mundo produtivo, de modo a contribuir com a construção de uma sociedade justa e igualitária.

 

Uma das metas desse centro trata-se da qualidade de vida dos seus servidores e por não existir de fato um diagnóstico, baseado em reflexões sobre o lazer , tanto em sua concepção quanto em sua prática nessa instituição de ensino, faz-se necessário esse suporte teórico. Mesmo porque, existe nesse centro um curso superior de Tecnologia em Lazer e Qualidade de Vida e a comunidade cefetiana ainda não concebe de forma clara essa área de conhecimento.

 

Dessa forma, a pesquisa em questão convida o CEFET/RN e a comunidade em geral, para refletir e apropriar-se de dados sobre a influência do lazer na prática pedagógica dos servidores docentes dessa Instituição.

 

O objetivo geral do estudo em questão foi diagnosticar e discutir a concepção e vivência de lazer dos docentes do CEFET/RN e a influência em sua prática pedagógica, tendo como questões a investigar: Qual a compreensão do lazer pelos docentes do CEFET/RN?; Quais as manifestações de lazer vivenciadas pelos professores no uso do tempo livre?; Que relação existe entre o lazer vivenciado pelos docentes e sua prática pedagógica? O estudo limita-se a investigar o lazer vivenciado no tempo livre dos docentes do CEFET/RN e a influência na sua atuação profissional.

 

LAZER E SUAS CONCEPÇÕES

 

O lazer ao ser institucionalizado em nossa realidade social passa a ganhar contornos dos mais variados. Sendo assim, ele passa a atender às mais diversas correntes ideológicas, pois, assim como o trabalho fragmentado, o lazer realizado de uma forma descontextualizada também pode se transformar em objeto de alienação. Logo, é dentro dessa ótica que Marcellino (1995) chama a atenção para as abordagens funcionalistas do lazer, que são divididas em quatro vertentes assim distribuídas: a utilitarista, a compensatória, a função moralista, e o lazer na sua perspectiva romântica. Dessa forma, é através de cada uma dessas observações realizadas por Marcellino (1995), pode-se observar as várias nuanças que este novo tempo social pode vir a desempenhar em nossa vida.

 

Assim sendo destaca-se algumas concepções de lazer, tais como do sociólogo francês Dumazadier citado por Leite (1995):

 

Conjunto de ocupações no qual o indivíduo pode entregar-se de bom grado, seja para repousar, seja para divertir-se, seja para desenvolver sua formação ou informação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora depois de ter-se liberado de suas obrigações profissionais, familiares ou sociais (p. 16).

 

Nessa perspectiva, o lazer é entendido como um momento de dispersão do tempo das obrigações, em que, o ser humano desenvolve uma atividade que pode lhe conferir prazer, desenvolvimento pessoal, diversão ou descanso, durante a realização de um conjunto de atividades.

 

Marcellino (1987) considera o lazer como uma cultura vivenciada, no tempo disponível das obrigações profissionais, escolares, familiares e sociais. Este tempo que pode ser privilegiado para vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural, necessários para abalar a estrutura social vigente. Este também defende a proposta que não existe incompatibilidade entre o esforço e o prazer. Muito pelo contrário, o verdadeiro prazer, quase sempre, supõe esforço e este precisa da alavanca do prazer. Existe uma relação de interdependência entre ambos.

 

TEMPO LIVRE NO MUNDO DO TRABALHO

 

Na sociedade contemporânea o homem passa grande parte de sua vida trabalhando e tentando chegar em algum lugar no mundo do trabalho primeiro do que o outro, como se fosse uma atitude de gênio. Tornando-se um funcionário exemplar e comprometido com a empresa, submetido ao chefe, como um verdadeiro esquizofrênico, porque o apogeu de um homem e sua dignidade passa pela conquista do trabalho.

 

Esse relato evidencia o desprezo que as sociedades deram o direito à preguiça, além de ser um dos sete pecados capitais por ser crime de lesa-divindade. Cria-se assim, um nó entre a preguiça e o pecado prendendo as imagens sociais de menosprezo, condenação e medo.

 

Parte dessas mudanças paradigmáticas nas relações de trabalho, se dá pela transformação da operação manual em tecnologias sofisticadas para atender aos investimentos e as exigências do mercado, ou seja, passa-se da simplicidade à complexidade.

 

Esse marco tecnológico, foi característica do século XX com o "crescimento demográfico, pelo progresso tecnológico, pela excitante vitalidade, pela grande expansão da classe média, pela profunda reestruturação dos conceitos de tempo e espaço, então modificados pela difusão do relógio, da bússola e da escrita, hoje modificada pelos meios de transportes velozes, pelos meios de comunicação de massa, pelo computador e as redes informáticas" (De Masi 1999, p. 94). Concomitante a essas características ressalta-se o fator motivação, bastante difundida nas empresas, na busca de um melhor rendimento no trabalho. Muitas foram as iniciativas, desde a participação nos lucros à ginástica na empresa.

 

Surge nesse momento o tempo livre e suas formas de utilização, que considera-se o estilo de vida como ponto de reflexão almejando um trabalho criativo como fonte de alegria e prazer com vista a auto-realização dos indivíduos, embora não se garante que todos tenham essas condições psicológicas ativa.

 

Diante do exposto se faz necessário uma luta constante para vivenciar o tempo livre das obrigações, com qualidade e fundamentado num processo de humanização do homem, como também, visualizar uma autonomia com a auto-estima elevada.

 

PRÁTICA PEDAGÓGICA E O JOGO DO PRAZER EM FAZER

 

Ao lado dos novos cenários mundiais e de suas implicações educacionais, é importante destacar as alterações ocorridas no paradigma da ciência e a relação dialética existente entre o modelo científico e os enfoques epistemológicos presentes nas atividades pedagógicas. Na prática do professor encontra-se subjacente um modelo de educação fundamentado em determinadas teorias e, em decorrência, um certo modelo de escola. O paradigma da ciência que explica a nova relação com a natureza, com a própria vida, também esclarece a maneira como aprendemos e compreendemos o mundo, e nos dá uma indicação mais precisa de como o indivíduo ensina e constrói o conhecimento. Como relata Assmann (1998,p.29).

 

Precisa-se reconhecer a importância de focalizar o processo de aprendizagem, mais do que a instrução e a transmissão de conteúdos, lembrar que hoje é mais relevante o como você sabe do que o que e o quanto você sabe. Aprender é saber realizar. Conhecer é compreender as relações, é atribuir significado às coisas, levando em conta não apenas o atual e o explícito, mas também o passado, o possível e o implícito. Nesse contexto, Marcellino (1988) nos chama a atenção ao disciplinarmento através de regras que existe em sala de aula para manter a ordem, como forma de proporcionar momento adequado a aprendizagem, em suas palavras:

 

Jogar significa colocar algo em jogo, e assim, colocar-se em jogo. E muitas vezes o que se observa  na sala de aula, até mesmo por insegurança, é que o professor não procede dessa maneira. Dessa forma, assume uma atitude autoritária ou camufla a situação, pincelando-a com cores 'democráticas' . Em termos de jogo, as duas alternativas significam que ele pratica um jogo só seu, em que as regras são estabelecidas somente por ele e impostas aos alunos de maneira direta ou camuflada (p.62).

 

Dessa forma, garantir o prazer de fazer e exercitar o novo em sala de aula, é o grande desafio do professor que nesse momento, permite a riqueza do processo. Isso significa a manutenção do diálogo permanente, de acordo com o que acontece em cada momento, propondo situações-problema, desafios, reflexões, estabelecendo conexão entre o conhecimento adquirido e o pretendido, de tal modo que as intervenções sejam adequadas ao estilo do aluno, às suas condições intelectuais e emocionais, e à situação contextual.

 

DESENVOLVIMENTO

 

A pesquisa caracteriza-se como qualitativa por não ser mensurada numericamente e traduzir os signos e significados das falas dos sujeitos. E  do ponto de vista dos procedimentos técnicos é de natureza participante, pelo contato direto do pesquisador com os sujeitos pesquisados, obtendo informações sobre sua realidade e seus próprios relacionamentos com o lazer. Que se pautaram numa entrevista, na qual foram abordadas as seguintes categorias para o roteiro: O lazer vivenciado; processo ensino- aprendizagem e sua relação com o lazer; tempo livre e trabalho; tempo livre e lazer. Para essa coleta foi usado um gravador mini cassete portátil de marca Panasonic FT. A amostragem foi composta de 10% do total de professores ativos, no caso 25, selecionados aleatoriamente nas seis gerências educacionais desta Instituição.

 

Baseado nas entrevistas, constatou-se que a concepção que se tem de lazer é a seguinte: é uma 'atividade' não relacionada com o trabalho, utilizada para liberar tensões, sair da rotina e repor as energias, capaz de proporcionar prazer, divertimento, equilíbrio a saúde mental, qualidade de vida, momentos de ludicidade, complementar a vida, sem nenhum compromisso ou obrigação.

 

Segundo os entrevistados, eles vivenciam o lazer através de práticas esportivas, em ambientes aquáticos (praias e piscinas), viagens, assistindo filmes, lendo, tocando instrumentos musicais, indo ao teatro e a barzinhos.

Levando em consideração a freqüência dessas atividades, pode-se constatar que a maioria, aproximadamente 60%, raramente tem essas práticas e apenas 40% tem de fato essas vivências.

 

Logo em seguida, constatou-se que aproximadamente 80% dos entrevistados confirmaram que há uma diferença entre a aula dada antes e depois da prática do lazer, afirmando que depois de tais vivências, se sentiam bem melhores, mais motivados, energizados, dispostos, disponíveis, descontraídos e capazes de dar uma aula bem melhor.

 

Enfim, cerca de 94% afirmaram que a prática do lazer influencia na sua prática docente, direta ou indiretamente, embora alguns anteriormente se contradigam dizendo que não há nenhuma diferença em ter o lazer ou não,

 

A maioria diz que por estar mais leve, menos estressado, mais motivado, com o astral melhor e com mais disposição para preparar exercícios, dar aulas e tirar dúvidas, as aulas saem com mais qualidade, já que os mesmos estariam com mais disponibilidades físicas, mentais e intelectuais.

 

Observa-se nesse estudo uma abordagem não muito distante do que  significa lazer para a população brasileira, se fazendo necessário desmistificar  as questões relacionadas ao mesmo. O lazer tratado pelos sujeitos da pesquisa, de uma forma descontextualizada, numa função funcionalista (Marcellino 1995), podendo se transformar em objeto de alienação. Nesse mesmo sentido, o lazer é tido como mera atividade para compensar as mazelas causadas pelo trabalho.

 

E como na sociedade contemporânea, o homem passa uma grande parte da sua vida trabalhando, já não tem mais tempo para desfrutar o momento de lazer, tendo em vista que seu apogeu e dignidade vêm com o trabalho, nessa perspectiva de sociedade. Porém, mudança paradigmática nas relações de trabalho faz refletir o tempo livre e suas formas de utilização. Embora, muitos para manter um padrão de vida elevado precisem ter vários outros empregos.

 

Muito embora nesse caso, os professores relataram que se sentem revigorado após o tempo de lazer. Trabalha melhor o processo ensino- aprendizagem em sala de aula que deve propor ambiente de fascinação e inventividade (Assmann 1998). Isso significa manter o diálogo professor/aluno para deixar fluir desafios, reflexões e situações- problema estabelecendo conexões entre conhecimentos adquiridos e pretendidos.

 

CONCLUSÃO

 

A partir da realização do diagnóstico feito através das entrevistas com os docentes do CEFET/RN, percebe-se claramente que sua compreensão do lazer não está distante da realidade Brasileira. Porém, não se tem um conhecimento elaborado do lazer, tendo em vista, que é uma área do conhecimento que ainda está conquistando seu espaço no mundo acadêmico e que é uma luta demorada, por depender de uma construção coletiva no sentido de produções científicas e atuação pedagógica.

 

Destaca-se também, que os docentes percebem a importância do lazer em suas vidas mas, 60% raramente as exercem de fato. Tendo em vista que, precisa-se trabalhar cada vez mais para manter o padrão econômico de vida, que o salário defasado já não suporta mais. E como a sociedade cobra ao adulto seu apogeu, no sentido de bens materiais para tornar-se aceito como "vitorioso" nas relações sociais. Faz-se necessário trabalhar cada vez mais, tornando-se evidente o distanciamento entre o tempo livre e o tempo do trabalho.

 

Embora 80% dos docentes tenham afirmado que sua prática pedagógica melhora após a vivência do lazer, por se sentirem motivados, 20% ainda não tem tempo disponível para tal. E que 94%, percebem que o lazer influência em sua docência, muito embora relatem que não há diferença. Sabe-se que é complicado se olhar no espelho e falar de si próprio. Por isso, necessita-se de uma reflexão bastante contextualizada para tal fim. E o professor tenha consciência do seu compromisso político com sua ação pedagógica crítica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação. Rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

DE MASI, Domenico. O futuro do trabalho. Fadiga e ócio na sociedade pós-industrial. Rio de Janeiro, RJ: Olympio Editora, 1999.

LEITE, Celson Barro. O Século do lazer. São Paulo, SP: LTR, 1995.

MARCELLINO, Nelson de Carvalho In: MORAIS, Regis de (org.) Sala de aula que espaço é este?. Campinas, SP: Papirus, 1988.

MARCELLINO, Nelson de Carvalho. Lazer e educação. Campinas, SP: Papirus, 1987.

MARCELLINO, Nelson de Carvalho.Lazer e humanização. Campinas, SP: Papirus, 1995.

 

 

|  Red Latinoamericana de Recreación y Tiempo Libre  |  Red Nacional de Recreación

Fundación Colombiana de Tiempo Libre y Recreación / FUNLIBRE

 



[1] - Acadêmica - CEFET/RN

[2] - Professora- Mestre - CEFET/RN