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...Y el “Cuerpo-Samba”: Imágenes del cuerpo en la fiesta. ...E O “CORPO-SAMBA”: IMAGENS DO CORPO EM FESTA Sabrina
Cordeiro Costa[1] Helayne
Montebelo Rocha[2] Andrea
Moreno[3] 14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002. UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil. |
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RESUMEN El presente estudio trata de
observar como el cuerpo se manifiesta en las letras de las más consagradas
sambas de la música popular brasileira, analizando aspectos relacionados con
la forma como hemos vivenciado este y otros elementos de nuestra cultura. Llamamos
la atención, a partir del ejemplo del cuerpo y su relación con la samba, sobre
la posibilidad de la construcción de visiones diferenciadas del ocio y la
recreación, pautadas e un acto reflexivo y crítico, con la intención de
esquivar los valores como preconceptos y de pensarnos como importante factor
de contribución que viabiliza una lectura de las cuestiones sociales,
políticas, económicas y culturales de una forma más lúcida y crítica. RESUMO O presente
estudo trata de observar como o corpo se manifesta nas letras dos mais
consagrados sambas da música popular brasileira, analisando aspectos
relacionados à forma como temos vivenciado este e outros elementos de nossa
cultura. Atentamo-nos, a partir do exemplo do corpo e sua relação com o
samba, à possibilidade de construção de visões diferenciadas do lazer,
pautadas em um ato reflexivo e crítico, com o intuito de fugir aos valores
preconceituosos e de o pensarmos como importante fator de contribuição que
oportuniza uma leitura das questões sociais, políticas, econômicas e
culturais de uma forma mais lúcida e crítica. “É preciso nos atentarmos para o fato de que o lazer
está inserido em um sistema social e suporta funções sociais que lhe conferem
razão de ser, em consonância com os princípios hegemônicos em cada momento
histórico. Ele é rico de significados que permitem compreender sociedades e
culturas, valores e contradições.” (Pinto, 2000) “Música, literatura e história caminham juntas,
sendo apenas formas diferentes de expressão social. Nas letras das músicas,
podemos encontrar coisas que a história também está contando.” (Mônica Velloso) Os diversos
aspectos que envolvem o lazer possibilitam diferentes visões do mesmo, cujos
valores são, muitas vezes, questionáveis. Entender o lazer como algo sem
importância ou como coisa de gente desocupada revela uma visão desprovida de uma
reflexão mais ampla e de um maior aprofundamento em suas questões. A mesma visão se
tinha também do samba e das festas das quais ele participava, onde os
convidados festejavam tudo, desde aniversários até os santos de sua devoção,
e os maiores sambistas aproveitavam para lançar suas criações (História do
Samba, 1997). Inicialmente
visto como coisa da ralé, divertimento vil, próprio do negro e do mulato
indolente, perseguido pelas classes dominantes do final do século XIX, o
samba é hoje capaz de seduzir e arrastar multidões por onde passa, com o status de mais forte identificação do
Brasil diante das culturas. Todos os anos
milhares de pessoas de diversas regiões do Brasil e até mesmo do exterior se
reúnem nos sambódromos do Rio de Janeiro e de São Paulo, ou diante do
televisor, para acompanhar os desfiles das principais escolas de samba das
duas cidades, durante o carnaval. Os estrangeiros,
em especial, se comprazem diante do espetáculo de cores dos carros alegóricos
e das fantasias carnavalescas e se encantam com a maneira peculiar dos
brasileiros de dançar o samba. A dança torna-se, assim, uma linguagem
universal em torno da qual brasileiros e estrangeiros, vindos de todas as
partes do mundo, confraternizam-se numa festa alegre e irreverente. A conquista por
um direito social – uma vez que o lazer consta da Declaração dos Direitos
Humanos e da Constituição Federal do Brasil enquanto fator para o exercício
da cidadania e aspecto da qualidade de vida (Werneck, 2000) – é aqui
ilustrada pelo exemplo do samba, cujo surgimento, ao final do século XIX,
esteve envolvido num movimento de resistência à tentativa da elite política e
cultural brasileira de subjugar os grupos populares (Soihet, 1998). O surgimento do
samba coincide com a instauração do Capitalismo no Brasil, fato que leva os
segmentos dominantes à tentativa de submeter os valores e comportamentos dos
grupos populares à nova ordem, voltada para a disciplinarização rígida dos
espaços de trabalho e de lazer. A expressividade da cultura negra, considerada
“perigosa” por se manifestar de forma lúcida e autêntica, era estigmatizada
como vulgar e atrasada, o que servia para justificar as ações ideológicas e
opressivas das elites (Soihet, 1998). Os populares, no
entanto, utilizavam estratégias criativas ante as investidas dominantes. Uma
vez excluídos politicamente, era através de suas manifestações culturais, de
caráter lúdico e satírico, que procuravam participar das questões do país,
não se deixando alienar delas. Soihet (1998,
p.13) esclarece que do riso decorre “um
ponto de vista particular sobre o mundo”, possuidor de uma percepção
crítica da realidade. Através de seu caráter jocoso, a cultura popular
transforma-se, assim, numa eficiente arma de libertação. É justamente com
comicidade que surge o samba Pelo
Telefone, considerado o primeiro da música popular brasileira, cuja
versão oficial pertence ao compositor Ernesto dos Santos, o Donga. Seus
versos ridicularizam um chefe de polícia, Aurelino Leal, que, no dia 20 de
outubro de 1916, teria determinado por escrito aos seus subordinados que
informassem antes, pelo telefone,
aos infratores, a apreensão de material utilizado em jogo de azar (História
do Samba, 1997). Apesar de registrado com versos diferentes, sua versão
popular era outra: O chefe
da polícia Pelo
telefone Mandou
avisar Que na Carioca Tem uma roleta Para se jogar... Ai, ai, ai O chefe gosta da roleta, Ô
maninha Ai, ai, ai Ninguém mais fica forreta É maninha. Chefe Aurelino, Sinhô,
sinhô É bom menino, Sinhô, sinhô Pra se jogar, Sinhô,
sinhô De todo o jeito, Sinhô, sinhô O bacará Sinhô, sinhô O pinguelim, Sinhô,
sinhô Tudo é assim Longe de
desmerecer as mensagens expressas nas letras, a forte e empolgante batida das
baterias e os coros, elementos fundamentais enquanto desfila uma escola, é
principalmente através do corpo que é dado o “recado”. Não apenas
através das letras se manifestava esta resistência. O corpo também
participava desse movimento, especialmente com as mulheres que, com seus
corpos quase nus, atraindo os homens e despertando desejos, sugeriam uma
inversão dos valores da época. Num momento em
que se almejava um Brasil “civilizado”, buscando seu reconhecimento através
da imitação dos costumes europeus – elegância, seriedade (Velloso, 2000) – a
família era considerada a base do Estado, sendo a mulher, simbolizada por uma
imagem obediente, afetiva e casta, considerada o pilar desse sonho de
progresso. No entanto o que se via eram comportamentos e atitudes que
deixavam entrever uma sensualidade aflorada, postura considerada perigosa e subversiva
(Soihet, 1998). Hoje, porém, o
corpo não tem desfilado apenas os sentidos que pretendem transmitir os
compositores dos sambas. “Fala” de problemas sociais ou fatos históricos,
expressa questões da atualidade ou perspectivas para o futuro – em coreografias
consonantes com as letras. Mas desfilam, também, beleza e sensualidade, que
enchem o público de prazer e de desejos. E desfilam, sobretudo, o progresso
tecnológico das cirurgias plásticas, do bronzeamento artificial e do silicone
e o orgulho resultante de meses de dedicação em academias de ginástica e
clínicas de estética. Assim, demonstra que continua sendo submetido a
variadas formas de exploração pela ciência, pela indústria e pela mídia
(Sant’Anna, 1999) e compreendido como lugar de distintas formas de
manipulações (Soares, 2001). Diante disso,
procuramos observar como o corpo se manifesta nas letras de alguns dos mais
consagrados sambas da música popular brasileira, confrontando-se os dados
obtidos com a literatura específica da Educação Física e de outras áreas do
conhecimento que têm igualmente contribuído. À primeira vista
nos pareceu complicado extrair quaisquer significados de uma fonte como o
samba que, por mais simples que seja em sua forma de se manifestar, tem um ar
de mistério, que intriga e instiga. Além disso, nos habituamos a realizar
observações e análises a partir de determinados métodos, rígidos e
sistemáticos, que não nos permitem fugir ao cientificismo e tecer
considerações que vão além dos determinismos. É o próprio
samba que revela, entretanto, que não há mistério, que para se fazer samba
não é necessário saber ler ou escrever, bastando apenas ter “sentimento”. Eis
o grande mistério do samba. É, sobretudo, com sentimento, companhia
praticamente indispensável, que o samba faz questão de se fazer compreendido,
não importa o que queira dizer. Assim o é também
em relação ao corpo. Ao corpo da mulher amada, do qual se fala com ardor, com
paixão e com desejo; ao corpo de atleta, também desejado, pois dá prestígio e
impõe respeito; ao corpo que dança numa roda de batuque, cheio de graça e
sensualidade; ao próprio corpo, cujas rugas e cabelos brancos refletem a dor
e o sofrimento, não necessariamente causados por alguma experiência infeliz
de quem abriga estas características físicas, mas simplesmente por
abrigá-las. A beleza da
mulher brasileira, que de tão fascinante, chega a ser comparada à beleza
natural do Brasil, como parte desta beleza de divina criação, faz a alegria
numa roda de samba, pois “deixa a
moçada com água na boca”. O samba retrata
o corpo não apenas com sentimento, mas também, e talvez ainda por influência
deste, com uma certa contradição. Valoriza a pureza da mulher, “guardiã de todas as virtudes”, ao
mesmo tempo em que se refere à sua beleza com muita malícia; considera a
idade avançada motivo de grande desgosto, mas também sinônimo de dignidade... A maior
contribuição do samba, contudo, está presente na visão crítica demonstrada
pelos seus autores. O samba, mesmo influenciado pela cultura dominante e
existindo numa época de permanente imposição de valores e normas, tem
conseguido manter a sua face original, de resistência e inversão da lógica. Sabemos, hoje,
como os padrões estéticos considerados ideais ao longo do tempo são
introjetados de uma forma não reflexiva, a-crítica, sendo almejados,
desejados e invejados cada vez mais. É importante ressaltar, porém, que essa
não é uma questão surgida agora. Noel Rosa nos traz, já na década de 30, essa
mesma idéia, demonstrando explicitamente a criticidade presente nas letras dos
sambas: Quem foi que disse Que eu era forte? Nunca pratiquei esporte Nem conheço futebol O meu parceiro Sempre foi o travesseiro E eu passo um ano inteiro Sem ver um raio de sol A minha força bruta reside Em um clássico cabide Já cansado de sofrer Minha armadura É de casimira dura Que me dá musculatura Mas que pesa e faz doer Eu poso pros fotógrafos E distribuo autógrafos A todas as pequenas Lá da praia de manhã Um argentino disse Me vendo em Copacabana: “No hay fuerza sobrehumana que detenga este Tarzan” De lutas não entendo abacate Pois o meu grande alfaiate Não faz roupa pra brigar Sou incapaz Se machucar uma formiga Não há homem que consiga Nos meus músculos pegar Cheguei até a ser contratado Pra subir em um tablado Pra vencer um campeão Mas a empresa Pra evitar assassinato Rasgou logo o meu contrato Quando me viu sem roupão O samba,
vinculado a contextos específicos e demonstrando ações lúdicas, autênticas,
criativas e críticas, nos permite vivenciar e ver o lazer de forma mais
reflexiva, conscientes da necessidade de superarmos determinados valores
preconceituosos, possibilitando-nos reconstruí-lo dentro de outras visões. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS HISTÓRIA DO
SAMBA. Uma História que Deu Samba. Rio de Janeiro: Editora Globo, cap. 1,
1997, 20p. PINTO, Leila
Mirtes Santos de Magalhães. In: Prefácio de WERNECK, Christianne. Lazer,
trabalho e educação (Relações históricas, questões contemporâneas). Belo
Horizonte: Editora UFMG; Celar – DEF/ UFMG, 2000. SANT’ANNA,
Denise Bernuzzi de. Das Razões do Culto ao Corpo às Condutas Éticas. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, 11. 1999, Florianópolis. Anais, Campinas: Unicamp, 1999. p.
57-61. SOARES, Carmen
Lúcia. Corpo, conhecimento e educação: notas esparsas. In: SOARES, Carmen
Lúcia (Org.). Corpo e História.
Campinas – SP: Editora Autores Associados, 2001. cap. 6, p. 109-129. SOIHET, Rachel. A subversão pelo riso. Rio de Janeiro:
Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998. VELLOSO, Mônica.
Que cara tem o Brasil? As maneiras de
pensar e sentir nosso país. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000. WERNECK,
Christianne. Lazer, trabalho e educação
(Relações históricas, questões contemporâneas). Belo Horizonte: Editora
UFMG; Celar – DEF/ UFMG, 2000. |
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| Red Latinoamericana de Recreación
y Tiempo Libre | Red Nacional de Recreación |
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Fundación Colombiana de Tiempo Libre y
Recreación / FUNLIBRE |
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[1] Acadêmica do Curso de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa. Membro do Grupo de pesquisa Ensino, Corpo e Sociedade. Bolsista do CNPq. End.: Alojamento Feminino, 206. Campus/UFV. Viçosa-MG. Cep.: 36571-000. Fone: (31) 9621-5132. E-mail: sabrinacordeirosc@bol.com.br
[2] Acadêmica do Curso de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa. Membro do Grupo de pesquisa Ensino, Corpo e Sociedade. End.: R: Senador Vaz de Melo, 64/42. Centro.Viçosa-MG. Cep.: 36570-000. Fone: (31) 3891-9116. E-mail: helaynerocha@bol.com.br
[3] Professora Doutora Adjunta do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa. Membro do Grupo de pesquisa Ensino, Corpo e Sociedade. Departamento de Educação Física – DES. Fone: (31) 3899-2258 ou 3899-2767. E-mail: amoreno@ufv.br