Moviéndose, jugando y danzando con música:

Actividad rítmica una práctica de la educación física y la recreación y el ocio.

 

 

MOVIMENTANDO-SE, JOGANDO E DANÇANDO COM MÚSICA: ATIVIDADE RÍTMICA UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO LAZER

 

Ilse Lorena von Borstel Galvão de Queirós *

 

14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002.

UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil.

 

 

 

 

RESUMEN

El presente estudio tiene como objetivo profundizar conocimientos sobre la Actividad Rítmica en cuanto práctica pedagógica, con la intención de apoyar la fundamentación teórico-práctica de los profesores y animadores socio-culturales que actúan en diferentes instituciones y segmentos de la sociedad civil con la Educación Física y el ocio y la Recreación. Basándose en un análisis bibliográfico, manifiesta los contenidos y significados de la Actividad Rítmica en cuanto proceso educacional, sus relaciones con lo lúdico y la recreación en la Educación Física y en el Ocio. Se concluye que constituye un conocimiento legítimo y efectivo de estas dos áreas de actuación profesional, que debe ser integrado en la práctica pedagógica, junto a los otros conocimientos, pues proporciona tanto la formación y educación del movimiento, como el descanso, diversión y desarrollo personal y social, con el objetivo principal de aflorar el instinto rítmico y desarrollar el sentido rítmico en las personas, contribuyendo a su educación rítmica.

 

RESUMO

O presente estudo tem como objetivo aprofundar conhecimentos sobre a Atividade Rítmica enquanto prática pedagógica, no intuito de subsidiar a fundamentação teórico-prática dos professores e animadores sócio-culturais que atuam em diferentes instituições e segmentos da sociedade civil com a Educação Física e o Lazer. Baseia-se numa análise bibliográfica, demonstra os conteúdos e significados da Atividade Rítmica enquanto processo educacional, suas relações com o lúdico e a recreação na Educação Física e no Lazer. Conclui-se que constitui um conhecimento legítimo e efetivo destas duas áreas de atuação profissional, que deve ser integrado na prática pedagógica, aliado aos outros conhecimentos, pois proporciona também a formação e educação do movimento, bem como, o descanso, divertimento e desenvolvimento pessoal e social, com o objetivo principal de aflorar o instinto rítmico e desenvolver o senso rítmico nas pessoas, contribuindo para a sua educação rítmica.

 

 

RETROSPECTIVA HISTÓRICO-SOCIAL DA ATIVIDADE RÍTMICA

 

Ao se fazer uma retrospectiva histórica sobre as Atividades Rítmicas, observa-se que as canções infantis, os brinquedos cantados e as danças folclóricas e populares que antigamente faziam parte da vida cotidiana de crianças e jovens como manifestações lúdicas espontâneas em sua relação com os pais, irmãos e amigos no espaço familiar, escolar e social e, atualmente, são quase inexpressivas na cultura infantil e juvenil substituídas por outras atividades mais modernas.

 

Tal fato é decorrente das características da vida moderna, principalmente, pelo avanço tecnológico dos brinquedos, brincadeiras, jogos e atividades difundidas largamente pelos meios de comunicação de massa e pela crescente transformação dos espaços urbanos: moradias minúsculas, ausência de quintais e espaços, ruas e praças tornaram-se perigosos para convivência, além de outros aspectos sociais. Consequentemente as atitudes e os valores sociais e culturais sofreram transformações profundas, outras manifestações lúdicas tomaram o lugar das vivências rítmicas folclóricas e populares na diversão das crianças e jovens nos intervalos do tempo de obrigação escolar, no tempo livre e no tempo de lazer. Mesmo assim, ainda hoje, fazem parte da vida do ser humano embora com alterações, ocupam um lugar de importância principalmente na cultura infantil e, prioritariamente, pelo seu caráter lúdico e recreativo que se mantém presente desde sua origem até os nossos dias.

 

Em outra direção, educadores musicais, psicólogos, especialistas em educação e psicomotricidade, desde há muito tempo, em vários estudos, ressaltam a importância e os valores da estimulação do instinto rítmico e do desenvolvimento do senso rítmico no ser humano através das atividades rítmico-motoras, como recurso educativo, preventivo ou terapêutico, considerando que as ações ritmadas constituem um dos caminhos para proporcionar o desenvolvimento integral. Segundo CAUDURU (1989), estes estudiosos consideram:

 

“que o menor gesto regido por um ritmo implica uma complexa organização e coordenação no plano motor, que se reflete no plano mental e afetivo. Ou seja, a atividade rítmica-motora bem orientada fornece ao sistema nervoso central impulsos de imagens motoras estruturadas que geram ordem interior e propiciam sensação de equilíbrio, e autodomínio” (p.25).

 

Sob este panorama, as Atividades Rítmicas são institucionalizadas pelas instituições educacionais, fazendo parte na educação geral, como conhecimento a ser utilizado por várias disciplinas ou como conteúdo específico de uma determinada disciplina, em particular, a Educação Física. Evidencia-se assim que, “torna-se objeto de observação e aprendizagem em contexto escolar, especificamente pedagógico” (Jurado Filho apud POMIM, 1999, p.335).

 

Sob outro prisma, atualmente, nos congressos científicos, encontros e eventos da área do Lazer, cada vez mais, este conhecimento é contemplado pelos organizadores com intuito de enriquecer a programação, através de mini-cursos ou integrada em propostas de dinâmica corporal, momento cultural, apresentação artística e em atividades que antecedem palestras, possibilitando ao participante a vivência deste conteúdo de formas diferenciadas, como também a aquisição dos conhecimentos para que façam parte da sua prática pedagógica nas diferentes áreas e locais de abrangência do Lazer.

 

Entretanto, a experiência profissional e a supervisão de estágios, durante muitos anos, na área da Educação Física e do Lazer, na cidade de Marechal Cândido Rondon, PR, demonstra que as Atividades Rítmicas enquanto conhecimento destas duas áreas de atuação, não se efetivam na prática pedagógica dos profissionais, apenas apresentam-se como atividades lúdicas eventuais ou tema desenvolvido para apresentações em dias especiais com fins artísticos.

 

Mas afinal, o que é Atividade Rítmica? A dança é sinônimo de Atividade Rítmica? Quais os conteúdos que envolve? Quais são suas relações com a Educação Física e o Lazer? A dificuldade inicial situa-se nestas questões básicas, sem entender estes aspectos, fica difícil falar sobre algo que não se delimita muito bem em termos conceituais, principalmente na perspectiva da formação e educação do movimento humano, objetivos primeiros da Educação Física, e satisfação e prazer enquanto conteúdo cultural do lazer.

 

Estes aspectos transformam-se em fundamentos. para este estudo  bibliográfico, buscando aprofundar os conhecimentos sobre as  Atividades Rítmicas enquanto prática pedagógica da Educação Física e do Lazer com o intuito de subsidiar a fundamentação teórico-prática dos professores e animadores sócio-culturais em diferentes instituições educacionais  que contemplam a Educação Física e o Lazer.

 

CONTEÚDOS E SIGNIFICADOS DA ATIVIDADE RÍTMICA NO PROCESSO EDUCACIONAL

 

Ao analisar as abordagens acima, pode-se relatar que, por um lado, as manifestações rítmicas folclóricas ou populares foram suprimidas do tempo de diversão escolar e lazer do ser humano, por outro, passam a ser reconhecidas e valorizadas por parte dos estudiosos e educadores, no sentido de serem integradas na educação formal e não-formal em diferentes instituições, enquanto conteúdo terapêutico na reeducação psicomotriz de pessoas deficientes ou com disfunções na aprendizagem, e também, como conteúdo pedagógico para a aquisição de conhecimentos, desenvolvimento de normas e padrões de convívio social, diversão e recreação dos educandos e, além disso, para promover o descanso, a diversão e o desenvolvimento pessoal e social, fruindo, assim, dos valores do lazer[1].

 

No entanto, compreender a Atividade Rítmica na perspectiva do crescimento e desenvolvimento motor, visando uma educação integral do ser humano, não é tarefa tão fácil, principalmente por estar relacionada às áreas da música e arte e por ser comumente concebida na Educação Física e no Lazer apenas como meras atividades lúdicas com o intuito de divertir, entreter e passar o tempo. Concepção esta, que deve ser revista pelos profissionais, necessitando maiores reflexões e aprofundamentos, no sentido de compreender seus conteúdos, significados e valores enquanto manifestação da cultura corporal, bem como, entender as suas relações com as outras áreas do conhecimento humano.

 

NODA e MELCHERTS (1984), ao estudarem a Atividade Rítmica como conhecimento da Educação Física no ensino escolar, relatam que seria mais um conteúdo educacional a ser proposto para os discentes, possibilitando-os a escolher este meio de expressão corporal de acordo com suas necessidades e interesses de momento, e enfatizam: “é a disciplina do sentido rítmico muscular; [pois] converte o corpo em um instrumento onde vibra o ritmo”. Tem como finalidade essencial, estimular e “desenvolver o ritmo físico, educar o ritmo emocional e proporcionar conhecimentos indispensáveis do ritmo musical; ...”, através da ginástica, da ritmoplastia e da dança como conteúdos que estão intrinsicamente relacionados, sendo a dança o coroamento da ritmoplastia, que por sua vez, é o aperfeiçoamento da ginástica (p.05).

 

Nesta linha de pensamento, compreende-se que a Atividade Rítmica enquanto conhecimento da Educação Física e conteúdo de interesse físico no Lazer, deve enfatizar fundamentos que dão ênfase ao movimento com sons e música ou a música e sons para inspirar o movimento, através de vivências e experiências diversas, no sentido de possibilitar a expressão corporal e a educação rítmica, desenvolvendo de forma simultânea o domínio motor, cognitivo e afetivo-social. Desta forma, deve ser integrada e aliada aos outros conteúdos educacionais destas áreas de atuação, caracterizando-se, assim, uma opção a mais de vivência, aprendizagem e aperfeiçoamento da motricidade humana.

 

Com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e Médio (1997), no referencial bibliográfico de NODA e MELCHERTS (1984), LIMA (2002) e em nossas experiências educacionais, compreende-se que os conteúdos da Atividade Rítmica para o ensino-aprendizagem do movimento, enquanto atividade física, consistem no seguinte: Educação dos movimentos naturais com percussão corporal, instrumental e música; Brinquedos cantados ou jogos rítmicos; Dramatização com canto ou música; Dança folclórica, popular, elementar e de salão em ritmos regionais, nacionais ou internacionais.

 

São fundamentos que se apresentam intrinsicamente interligados e relacionados, no entanto, uma análise específica é fundamental para melhor compreensão das partes e da Atividade Rítmica como um todo.

 

No que diz respeito à Educação dos Movimentos Naturais com percussão corporal, instrumental e música, NODA e MELCHERTS (1984), relatam que “destina-se a atender às necessidades de movimentação dinâmica dos jovens em idade escolar”, consistindo em atividades ou exercícios que têm o movimento natural como princípio básico. Ou seja, utilizam-se as formas básicas de locomoção como o andar, correr, saltar, saltitar, girar e suas diferentes variações e associações desenvolvidas naturalmente, com sons ou música.

 

Segundo as autoras, cada movimento natural pode ser representado por vários estímulos que lhe dão características próprias em relação à forma, à direção, à trajetória, à duração, à intensidade e à força. Essas variações, por si próprias, influenciam decididamente na natureza do ritmo dos movimentos naturais e, conforme ROSSETE (1992), o ritmo se estrutura na manifestação do movimento num tempo e espaço determinados em qualquer ação motora.

 

Observa-se assim, que os movimentos naturais são regidos pelo ritmo na perspectiva individual ou grupal, ao vivenciar as diferentes formas básicas de locomoção e os diferentes estímulos que representam as suas variações, desenvolvendo a educação rítmica do movimento humano, sobretudo, pode-se enfatizar relacionado à educação musical, caracterizando-se um conteúdo da Atividade Rítmica.

 

Nesta linha de pensamento, entende-se que os educadores e animadores sócio-culturais devem proporcionar à clientela, propostas de movimentos naturais específicos ou associados, utilizando as diferentes variações que os representam (forma, direção, trajetória, duração, intensidade e força) através de recursos acústicos como a percussão corporal, instrumental e a música, visando uma maximização rítmica na expressão dos movimentos naturais dos praticantes.

 

Com relação ao brinquedo cantado ou jogo rítmico, a bibliografia consultada mostra que os autores utilizam diversos termos para designá-lo, como: declamação ritmada, brincadeira de roda, cantiga de roda, brincadeira cantada, jogo falado e jogo rítmico. Usando esta última terminologia, NODA e MELCHERTS (1984), relatam que são temas musicados e criativos que implicam em reações individuais ou grupais, às vezes, com perguntas e respostas, com gritos ou ecos e com formas de movimentos, ou como “um jogo pré-determinado, recreativo e educativo em que a criança canta e se movimenta [...] de fácil assimilação e de agrado da mesma”, caracterizando-se a forma mais elementar e antiga da Atividade Rítmica.

 

A dramatização com canção ou música enquanto conteúdo da Atividade Rítmica, constitui-se em utilizar canções ou músicas que relatam estórias ou fatos em que os praticantes são estimulados e orientados a se movimentarem, de forma a manifestarem o conteúdo das músicas através da expressão corporal, que podem ser da cultura folclórica, erudita, popular ou de massa, veiculadas ou não pelos meios de comunicação.

 

Verifica-se que existe um grande número de brinquedos cantados em que a essência esta na dramatização da letra, como por exemplo: A linda rosa juvenil, Meu pintinho amarelinho, entre outros. Entretanto, ao utilizar estes brinquedos cantados, tendo como meta uma dramatização efetiva, deve-se mostrar todas as possibilidades de representar o cenário que a letra envolve e sugere através da expressão corporal, utilizando-se expressões faciais, gestos e deslocamentos, como também, objetos e materiais.

 

Atualmente, nos cursos de aperfeiçoamento de dança, observa-se um outro aspecto em relação a esta temática. São as atividades nominadas como “aquecimento expressivo” e “relaxamento expressivo” que consistem em utilizar determina música, expressando o seu conteúdo corporalmente, através de gestos e deslocamentos em determinadas partes que sugerem a mímica e, em outras frases musicais utilizam-se de uma seqüência de movimentos, caracterizando-se, na maioria das vezes, uma coreografia elementar de dança.

 

A dança enquanto cultura corporal, segundo GARAUDY (1980), ao analisar sua história, descreve que esta foi para todos os povos, em todos os tempos, “a expressão, através de movimentos do corpo organizados em seqüências significativas, de experiências que transcendem o poder das palavras e da mímica” (p.13).

 

Nesta linha de pensamento, BÉJART (1980), ao falar sobre a dança, diz que: “O homem faz parte de um dado grupo étnico, social, cultural. E tem necessidade de se sentir fazendo parte integralmente deste grupo: de estar em relação com os outros. Muito mais do que as leis, os costumes, o traje e a linguagem, é o gesto que vai dar existência a essa união” (p.8).

 

Neste contexto, percebe-se que a dança é uma linguagem corporal histórico-social que se expressa de forma diferenciada nas diversas populações, caracterizando, muitas vezes, a formação étnica, tradição de hábitos e costumes culturais e representando valores e princípios referentes ao contexto sócio-cultural no qual as pessoas estão inseridas.

 

Existem, hoje, inúmeras formas de danças, com diferentes nomes e objetivos enquanto atividade física, esportiva ou arte, no âmbito da Educação Física escolar ou conteúdo de lazer nas escolas, academias e clubes. No entanto, se a compreensão da dança a ser proposta para a clientela, segundo LIMA (2002, p.8), “é atividade física, calcada em exercícios físicos” e não arte (interpretação ou execução como obra para efeito de exibição ou divulgação em espetáculo), deve ser entendida como “uma atividade meio contemplada pela Educação Física, enquanto processo gímnico”, que possui movimentos rítmicos cadenciados que traduzem emoções, fantasias, idéias e sentimentos, assim, portanto “... deverá estar pautada em princípios de qualidade ética e profissional”, ou seja, as propostas de danças devem ser norteadas pelos conhecimentos pedagógicos e científicos

 

Nesta perspectiva, trabalhar a dança enquanto linguagem corporal nas aulas de Educação Física ou propostas de lazer, é uma forma de possibilitar as pessoas a expressarem a sua maneira de ser, liberando os tabus e as repressões corporais, adquirirem consciência corporal na perspectiva da totalidade, promovendo sua formação e educação integral.

 

Finalizando esta temática, é importante destacar que os conteúdos da Atividade Rítmica acima abordados, podem e devem ser propiciados para diferentes grupos etários e sociais, em diferentes instituições e locais, desenvolvidas de forma específica ou integrada em relação aos seus conteúdos ou a outro(s) conhecimento(s) destas áreas de atuação profissional. No entanto, devem estar de acordo com as características gerais da clientela (fisiológicas, psicológicas e sociológicas), necessidades e interesses, bem como, estarem relacionadas ao(s) objetivo(s) que se tem como meta. Além disso, o educador ou animador deve conhecer a cultura na qual a clientela está inserida, no sentido de verificar quais são as atividades físicas e músicas de maior preferência, aproveitando-as nas propostas educacionais, ou seja, pode e deve aproveitar a cultura folclórica, popular e de massa, presente no grupo familiar, social e nos meios de comunicação de massa integrando-as nas aulas de Educação Física ou propostas de Lazer. Vincular as experiências às culturas das pessoas dará um maior “sentido” na participação e vivência deste conhecimento.

 

RELAÇÕES DA ATIVIDADE RÍTMICA COM O LÚDICO E A RECREAÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA E NO LAZER.

 

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e Médio colocam que a Educação Física, enquanto disciplina escolar, tem a “tarefa de garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal, contribuir para a construção de um estilo pessoal de exercê-las e oferecer instrumentos para que sejam capazes de apreciá-las criticamente”, através de conteúdos entre os quais estão as Atividades Rítmicas, como expressão de produções culturais, como conhecimento historicamente acumulado e transmitido socialmente (MEC, 1997, p. 28).

 

Sob outro prisma de estudo, MARCELLINO (1983, p.43), considera “importante que as atividades de lazer procurem atender as pessoas no seu todo”, considera relevante que as atividades de lazer proporcionem às pessoas, variados e diferentes conteúdos culturais, estimulando a participação e o mínimo de conhecimento necessário para a sua realização, possibilitando, assim, a satisfação das várias aspirações humanas.

 

Com base neste panorama, seria de fundamental importância que a Educação Física formal não se limitasse a um determinado conhecimento no seu ensino-aprendizagem, mais sim, consistisse em um programa que enfatize vários e diferentes conteúdos que dão ênfase ao movimento, entre eles, as Atividades Rítmicas. E, em relação ao lazer, que a organização de programas ou atividades de caráter permanente, apoio ou impacto envolvessem diferentes e variadas atividades, no sentido de proporcionar satisfação aos vários interesses sociais e culturais, estimulando uma maior participação e o conhecimento de novas alternativas de lazer que uma atividade ou programa pode oferecer.

 

Considerando-se que os conteúdos de lazer podem ser classificados em áreas de interesse, conforme DUMAZEDIER (1980, p.110), a Atividade Rítmica neste estudo é entendida como atividade física, por ser norteada pelo exercício físico. Assim, enquanto conteúdo do lazer, corresponderia predominantemente à categoria “físico”, pela possibilidade que tem em satisfazer os interesses do exercício do corpo, através das inúmeras formas de vivência que uma proposta de lazer pode proporcionar.

 

Seu valor educacional enquanto conteúdo da Educação Física e do Lazer, está no sentido de que pode proporcionar ao praticante o encontro de uma relação corporal com a totalidade da sua existência, ocorrendo o desenvolvimento do domínio motor, simultaneamente, o cognitivo e o afetivo-social de forma harmônica, adquirindo benefícios para a sua formação e desenvolvimento pessoal e social.

 

No que diz respeito ao desenvolvimento das diferentes condutas que constituem o desenvolvimento motor do ser humano, vale salientar que, de uma forma geral, todos os conhecimentos da Educação Física e os conteúdos de interesse físico-esportivos do lazer podem proporcionar ao praticante o desenvolvimento das valências físicas, coordenação motora ampla e fina, equilíbrio, esquema corporal, lateralidade, organização espacial, organização temporal e estruturação espaço-temporal. Nesta última, vale relatar, conforme ROSSETE (1992), que o ritmo do movimento corporal se estrutura na manifestação do movimento num espaço e tempo determinados em qualquer atividade física e/ou esportiva, devendo ser estimulado e orientado em todos os conhecimentos destas áreas, mas, é enfatizado, sobretudo, pelos meios da Atividade Rítmica.

 

Portanto, além de estimular o desenvolvimento das demais condutas do desenvolvimento motor e os outros domínios do desenvolvimento humano, prioriza a educação rítmica através dos seus diferentes conteúdos, enquanto vivência da Educação Física e do Lazer, no nível de iniciação ou aperfeiçoamento, estimulando o instinto rítmico e o desenvolvimento da estruturação do senso rítmico das pessoas, proporcionando uma melhor “capacidade de ritmização” (ROSSETE, 1992, p.35).

 

Desta forma, se a Atividade Rítmica enquanto conhecimento da Educação Física formal tem como objetivo básico a formação e a educação do movimento, proporcionando o desenvolvimento integral, por outro, representa também uma possibilidade para as pessoas se divertirem, descansarem e se desenvolverem pessoal e socialmente no tempo lazer.

 

Atualmente, a Atividade Rítmica enquanto conteúdo cultural de Lazer e da Educação Física informal, cada vez mais ganha espaço nas escolas, academias, clubes, eventos científicos, entre outros, onde são oferecidas diversas propostas para a população com diferentes nomes, objetivos e formas variadas e diferenciadas.

 

Nesta perspectiva, poderá representar uma possibilidade para formação e educação do movimento, de manutenção, preservação e reabilitação da saúde, de condicionamento físico, de melhor qualidade de vida ou simplesmente pelo prazer da expressão corporal, com fim em si mesmo, satisfazendo as aspirações do exercício do corpo.

 

CONCLUSÃO

 

Segundo os diversos estudos de MARCELLINO, para que uma atividade possa ser entendida como lazer, é necessário que seja decorrente das variáveis, atitude e tempo disponível de forma integrada e relacionada, com características básicas da escolha individual, um nível de prazer e satisfação elevados e o caráter desinteressado na vivência.

 

Nesta perspectiva de estudo, a Atividade Rítmica poderá se caracterizar como um conteúdo cultural do lazer quando oferecer para as pessoas uma opção pessoal de lazer, decorrente de uma atitude favorável e disponibilidade de tempo para a participação. Ademais, na proposta, as pessoas podem selecionar as atividades que querem fazer, com quem querem se relacionar e de que forma querem se expressar, participando dela, pelos sentimentos de prazer e satisfação, sem ter em vista, a princípio, algum resultado ou objetivo, num tempo e atitude que não estejam vinculadas às obrigações familiares, escolares, sociais, políticas e do trabalho.

 

Sob outro prisma de análise, as propostas educacionais, de uma maneira em geral, devem ser norteadas pela “pedagogia da animação” (MARCELLINO, 1990 a-b). O autor propõe que a ação educativa dos profissionais deve englobar os sentidos de vida, de movimento e de alegria na sua atuação pedagógica através da criação de ânimo, na provocação de estímulos e cobrança da esperança das pessoas.

 

Desta forma, seguindo esta linha de pensamento, as propostas educacionais devem ter caráter lúdico e recreativo para que tenham sentido para as pessoas. Lúdico com o significado de alegria, divertimento, brincadeira, prazer, satisfação e recreação no sentido de criar, transformar, modificar e recriar, fazendo com que as vivências e experiências educacionais dêem vida nova, com novo vigor, e transformem a realidade, adquirindo o “saber com sabor” ( MARCELLINO, 1990 a-b).

 

Com base neste panorama, entende-se que a Atividade Rítmica enquanto conteúdo meio das aulas de Educação Física formal, informal e propostas de lazer à prática pedagógica deve ter como princípios básicos a ludicidade e a re-creação através da variabilidade e diversidade de atividades físicas, ou seja, as experiências rítmico-motoras devem ser exploradas de diferentes formas, situações e materiais, de forma dinâmica, alegre e criativa para que haja novas aprendizagens. As pessoas, de uma maneira, geral são ávidas a movimentar-se, experimentando e explorando novas formas no desejo de dominar habilidades, testar possibilidades e exibir potencialidades em relação ao movimento. Atividades repetitivas causam desinteresse, indisciplina e apatia e, muito mais, não proporcionam nenhuma aprendizagem.

 

Finalizando, conclui-se que os conteúdos da Atividade Rítmica constituem um conhecimento legítimo e efetivo da Educação Física e do Lazer que têm como objetivo principal aflorar o instinto rítmico e desenvolver o senso rítmico do ser humano, contribuindo para a educação rítmica, proporcionando o divertimento e o desenvolvimento pessoal e social das pessoas. Assim, torna-se fundamental que a prática pedagógica dos profissionais destas duas áreas de atuação, seja também, norteada por este conhecimento enquanto cultura corporal, integrando-a e aliando-a aos outros meios educacionais, caracterizando-se uma opção a mais de vivência, aprendizagem ou aperfeiçoamento do desenvolvimento motor e dos demais domínios do ser humano. Além disso, que as vivências sejam desenvolvidas de acordo com os critérios de valores vinculados pelos princípios educativos e indicativos de relevância, assinalados pela referência teórica da Educação Física e do Lazer.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Educação Física/ Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

Béjart, M. Prefácio. In: GARAUDY, R. Dançar a Vida. Campinas: UNICAMP/ Nova Fronteira, 1980.

CAUDURU, V. R. P. Declamando, ritmando e movimentando-se: música e ritmo são recursos educativos. In: Revista do Professor. Porto Alegre, RS: Ano V, nº 20, out/dez, 1989.

DUMAZEDIER, J. Sociologia empírica do lazer. In: Valores e conteúdos culturais do lazer. São Paulo: SESC, 1980.

GARAUDY, R. Dançar a Vida. Campinas: UNICAMP/ Nova Fronteira, 1980.

LIMA, L L.L. Dança. In: Revista de Educação Física. CONFEF. Ano I, nº 02, 2002.

MARCELLINO, N. C. Lazer e Educação. 2 ed. Campinas: Papirus, 1990a.

____. Pedagogia da Animação. Campinas: Papirus, 1990b.

____. Lazer e Humanização. Campinas: Papirus, 1983.

____. Estudos de Lazer: uma introdução. Campinas: Autores Associados, 1996.

NODA, L. M. e MELCHERTS, E. A T. D. Caderno Pedagógico de Atividade Rítmica. Curso de aperfeiçoamento para professores de Educação Física Atuantes no 2 Grau - Habilitação Magistério. Ministério da Educação e Cultura, Secretaria da Educação, 1984.

QUEIRÓS, I. L. v. B. G. de. Reflexões sobre a Educação Motora na Educação Infantil. In: Caderno de Educação Física: Estudos e reflexões. Marechal Cândido Rondon, PR: Edunioeste, v. 2, n º 1, nov., 2000.

____. Dança: uma experiência na Universidade”. In: Caderno de Educação Física: Estudos e Reflexões. Curso de Educação Física da Unioeste, Campus de Mal. Cândido Rondon, Edunioeste, 2001, v.3, n.2, 2ª semestre, p. 145 –151,

POMIN, M. I. P. & PEREIRA, A. M. Estudo sobre os critérios de seleção e aplicação dos brinquedos cantados nas instituições de educação infantil no município de Londrina. In: Coletânea de Autores: 11º Encontro Nacional de Recreação e Lazer. Foz do Iguaçu, PR: 1999.

ROSSETE, E de F. Ritmo e o Movimento Humano. In: Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Maringá: Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. V.14, nº 01, setembro/1992.

 

 

     

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* Professora Ms do Curso de Educação Física da UNIOESTE – Campus de Marechal Cândido Rondon, PR, membro do Grupo de Pesquisas em Lazer - GPL – FACEP/UNIMEP e Grupo de Pesquisas em Educação Física Escolar – GEPEFE –UNIOESTE. Endereço: Rua Goiás, 730, CEP: 85.960.000, Marechal Cândido Rondon, PR, telefone res. (45) 284.1691, prof. ( 45) 254.3216, Fax: (45) 254.3216,  e-mail: ilse@unioeste.br.

[1] Praticamente todos os autores, ligados ao estudo do lazer, reconhecem como sendo estes os valores do lazer, embora apresentem diferença de enfoques.