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Hedonismo como contenido filosófico del ocio y la recreación. HEDONISMO
COMO CONTEÚDO FILOSÓFICO DO LAZER Elaine
Valéria Rizzuti [1] 14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002. UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil. |
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RESUMEN La busca de eficiencia y de
una amplia oferta de medios de ocio y recreación, culmina en una visión
espiritualista vinculada al bien común (wellness). Tal significado humanista
sobrepuesto a un desarrollo pragmático, tendría como antecedente histórico y
filosófico, al hedonismo. Esta corriente surgida en la antigüedad, confrontó
el placer unilateral y materialista con virtudes de sentido ético y
polisémico. Sin embargo, aunque la época actual no puede ser comparada con el
ambiente sociocultural que dio origen al hedonismo, esta concepción
filosófica, puede fundamentar el debate sobre ocio y la recreación en la
sociedad contemporánea, y es esto lo que se propone este estudio. RESUMO
A busca de eficiência e de
ampla oferta de meios de lazer, culmina numa visão espiritualista vinculada
ao bem comum ( wellness ). Tal significado humanista sobreposto a um
desenvolvimento pragmático, teria como antecedente histórico e filosófico, o
hedonismo. Esta corrente surgida na antigüidade, confrontou o prazer
unilateral e materialista com virtudes de sentido ético e polissêmico.
Embora, a época atual não possa ser comparada com o ambiente sociocultural
que deu origem ao hedonismo, essa concepção filosófica, pode fundamentar o
debate do lazer, na sociedade contemporânea, e é a isto que se propõe este
estudo. “Não pretendemos formar acrobatas nem Hércules, mas
desenvolver na criança o quantum de
vigor físico essencial ao equilíbrio da vida humana, à felicidade da alma, à
preservação da Pátria e à dignidade da espécie”. (Rui Barbosa)1 INTRODUÇÃO O hedonismo tem como princípio
básico a busca do prazer, enquanto virtude da construção humana. Em geral,
aceita-se esta interpretação ética que veio e tem surgido por simples observação. Outra versão comum assume o hedonismo
como bem supremo, um valor fundamental. Filósofos como Hume, Bentham e Mill
podem ser considerados fundamentalistas do hedonismo, ao passo que pensadores
contemporâneos tendem rever esta
antiga concepção filosófica no sentido utilitarista. Há uma diferença
fundamental entre teorias
hedonistas antigas e modernas. A concepção moderna volta-se
para o prazer do indivíduo; por outro lado as antigas como as de Hume, Bentham e Mill, baseiam-se
numa concepção mais ampla de prazer e felicidade. Nestes filósofos em
primeiro lugar está o prazer ou o bem estar da comunidade. O hedonismo
moderno recebe freqüentemente a denominação de utilitarismo, porque deixa de
fazer parte de uma ética individual ou egoísta para se integrar numa ética
social: a maior felicidade para o maior número. Segundo Abbagnano (1960) 2 , "o hedonismo distingue-se do
utilitarismo de séculoXX", pois como se sabe esse tinha como princípio
não o prazer individual, mas a utilidade dos homens para um prazer único que era
servir à sociedade. Há que se ter cuidado de
esclarecer que, utiliza-se o termo hedonismo não no sentido do prazer
unilateral, egocêntrico, que restringe todos os fins em si mesmo, mas a polissemia e suas múltiplas e variadas
relações de sentido e significado. Dessas múltiplas relações será extraído um
viés como fio condutor deste estudo
que é a busca do prazer através da atividade física e do esporte como livre
iniciativa e escolha pessoal, também consideradas por um conjunto de atitudes
do summum bonnum - o bem maior, que
é o ser humano. Iniciando por Nietzsche (apud
Siebeneichler 1997), filósofo existencialista, que discute a felicidade, E o que é o prazer sem a felicidade?
(grifo do autor), em que esta é considerada
uma virtude de tipo especial,
a qual se torna o alicerce da "subjetividade humana". Refuta
a lei e a moral separando-as da felicidade, pois estas estão dirigidas contra o homem, privando-o de encontrar as
múltiplas formas da felicidade, que depende fundamentalmente que o homem esteja seguro e uno consigo
mesmo. Justifica-se essa premissa de Nietzsche uma vez que, não será o prazer
hedonista conforme queriam os epicuristas, ou seja, a fonte de toda alegria e
felicidade? A partir dessas concepções
originárias sobre o hedonismo e o prazer, examinamos alguns proposições
existentes que possam servir de
contraponto à teorização vigente. DESENVOLVIMENTO Sintomaticamente, a Revolução
Industrial, ao final da II Guerra Mundial, considerada como um marco que
merece atenção, desatou marcantemente na separação entre o tempo do trabalho
e do lazer através da regulamentação da jornada de trabalho. As dimensões
avançadas e turbulentas da tecnologia do século XX, foram refletidas nos valores culturais e sociais. A sociedade atual tem exigido do
homem uma crescente especialização. O mercado altamente competitivo clama por performance e jornadas extensas
de trabalho. Paradoxalmente esta mesma sociedade que consome o homem, mascara
o valor do trabalho oferecendo em contrapartida a comodidade advinda do
avanço tecnológico. Comodidade esta que aprisiona e passa a ser, em certa
medida, uma armadilha, de se
trabalhar cada vez mais, para aumentar a produção, e conseqüentemente
ganhar mais dinheiro para alcançar o conforto desejado pelo homem. Essa inquietação
distancia cada vez mais o lazer, como tempo livre e a atividade física como
necessidade básica, subestimados pelas comodidades oferecidas pela automação
e robotização. Tal tendência do sistema
industrial econômico e capitalista faz aumentar em grande número as
atividades diárias. O trabalho acaba
por sacrificar as pessoas, as quais envolvidas em várias atividades
profissionais ou de lazer tecnológico,
desenvolvem um stress psicológico, comportamental e orgânico. Para um
renascimento espiritual e uma mudança no comportamento, as atividades de
lazer/tempo livre/escolha pessoal/iniciativa própria seriam o melhor remédio
para aliviar as "dores"dos homens, valorizando sua relação com o
macrocosmo. Dentro destas dimensões e agressões (grifo nosso), do avanço
tecnológico atribuídas ao
capitalismo, podemos enfatizar a proliferação da população, a perversa distribuição de renda (alargamento entre ricos e pobres), a
ostentação dos abastados, a manipulação do sistema político. Neste período
depressivo, para sobreviver, torna-se necessário salvar a sociedade e o meio
ambiente, resgatando uma vida mais tranqüila e justa. As organizações provedoras de
serviços de recreação e lazer, paradoxalmente não apresentam tanta eficácia,
uma vez que o alvo não é atingido
de forma satisfatória, por falta de
recursos financeiros para frequentá-las. De outra forma, o desafio destas em
manter a organização e o fornecimento de seus serviços, de forma complexa (marketing de concorrência), exige de seus
outros funcionários a missão do sucesso, através da agilidade, flexibilidade,
capacidade de iniciativa e também como provedores da "força de trabalho.
Godbey (1997, p.98) nos diz que
esta força de trabalho utilizada para
proporcionar uma vida melhor
para alguns - to make life better, torna-se massificante para estes
funcionários. É um movimento de ir e
vir. É dando tudo de si, como se fossem máquinas produtoras de lazer e
recreação para os clientes e, conseqüentemente, capital para os administradores.
A volta desse processo para os funcionários,
se assemelha ao da maioria da classe trabalhadora que, massificados
necessitam de um tempo livre para o
lazer e para encontrar-se consigo
mesmo. Estas proposições funcionalistas voltadas
para a subjetividade humana, emitidas por Godbey indicam ser este um problema válido para qualquer país. Nós
profissionais do lazer nos encontramos à frente ou até mergulhados dentro
desse paradoxo em nosso cotidiano. Veja-se como exemplo, após um dia
exaustivo ministrando aulas, lidando com "corpos alheios", como
fica o nosso corpo? O nosso lazer? A nossa
recreação? O nosso encontro com o prazer, a felicidade? Serão a
televisão, o computador, o lazer automatizado e robotizado? Não parece ser
essa uma força de trabalho voltada contra nós mesmos? Tal comprometimento talvez se
justifique não apenas como nutriente
sólido (trabalho) e financeiro. É licito também, que ele proporciona,
fertiliza e fecunda o desafio de uma aspiração sustentável do bem estar para
a sociedade humana. “Aliás, para filósofos e historiadores esta posição
apenas atualiza conhecimentos passados: “bem estar” já era um propósito
central da vida social na Grécia Antiga que os romanos passaram a denominar
de Summum - Bonum.” (DaCosta,1997,p.169). Discutindo o hedonismo, procurando
razões para sua marginalização nas discussões acadêmicas, questiona-se: por
que o hedonismo é pouco cogitado, discutido e debatido academicamente se não
há teoria substituta? Há certamente
razões para se rejeitar o prazer, fundamento primeiro da doutrina em questão,
devidamente fundamentada como propõe Brentano (1973) e Marcuse (1997). Antes de passarmos aos comentários
destes autores, ponderamos que, a época
que deu origem ao hedonismo não pode ser comparada com o
ambiente sociocultural contemporâneo, mas podemos recuperá-lo em suas
particularidades e singularidades. Afinal, qual é o objetivo do lazer, senão
o summum bonum (bem - belo - bom) e o hedonismo (prazer), que
culminam no bem-estar? Franz Brentano (1973), nos aponta
várias razões para se rejeitar o hedonismo. Inicialmente, ele aborda Kant e
Aristóteles com suas respectivas posições, que resumidamente nos indicam que
o prazer não é o único caminho determinante de motivação para as nossas ações, não sendo exclusividade da esfera do “
bom”. Esta fonte inicialmente de rejeição ao hedonismo remete-nos a Bentham
apud Brentano (1973). Este autor acredita que o prazer está relacionado com o
bom, e este está intrinsecamente voltado para o amor (experiências amorosas),
podendo, portanto, serem experiências de prazer ou de dor. Finalmente,
Brentano (1973), conclui que a doutrina hedonista revela grandes
contradições, não podendo ser considerada uma teoria completa sem a
investigação do prazer e dor. O ponto de partida de suas críticas parte
essencialmente da “conexão entre prazer e desprazer”, ou seja, no prazer se
encontra seu próprio contrário. Marcuse (1997), por sua vez,
focaliza Hegel, Platão, Kant e outros filósofos, que reforçam sua crítica ao
hedonismo. Seguramente, tais críticas passam pela racionalidade do indivíduo,
pela universalidade do agir, pela filosofia da razão, pelo desenvolvimento
das forças produtivas, pelas relações de poder e pelo materialismo histórico. O hedonismo não é um conceito
justificável, uma vez que, esbarra com o “individualismo competitivo” e
ludibria os homens pelo seu caráter abstrato através do aspecto subjetivo da
felicidade, aspecto este, considerado pelo autor como um “momento
justificador” da doutrina. “O hedonismo aceita as necessidades e interesses
dos indivíduos como algo simplesmente dado e valioso em si. Nessas
necessidades e interesses (e não em sua satisfação) se esconde já a
mutilação, a repressão e a inverdade com que os homens crescem na sociedade de
classes”. (Marcuse, 1997, p.169). Nessas ditas sociedades de classes, os
indivíduos segundo autor supracitado,
estão impedidos de se tornarem juizes de sua felicidade, de seus verdadeiros
interesses, pois foram educados para integrar um mundo baseado no processo de
coerção social das condições, contradições
e relações de poder. Não há como relegar a segundo
plano tais argumentos, sendo importante abordá-los em nosso estudo, não como
um confronto, mas no sentido de mostrar os vários pontos de vista existentes
sobre a doutrina hedonista, tanto de aceitação como de rejeição. Estamos
fundamentalmente buscando uma via, um caminho ou um encaminhamento válido
para o retorno ao hedonismo. CONCLUSÃO Finalmente, a partir das idéias
preliminares lançadas neste estudo, pode-se fazer alguns questionamentos. Por que a maioria dos estudos do lazer,
não citam o hedonismo? Se nós profissionais da Educação Física estamos intrinsecamente ligados ao hedonismo
tentando freneticamente relevar nossa área de atuação, por que então
negligenciar essa corrente filosófica? Será que ainda permanecemos no
utilitarismo do século XVIII ? Da utilidade para a ordem social e não
pessoal? Os estudos futuros do lazer
devem centrar-se nas mudanças sociais, nos estilos de vida, no desemprego
(utilização do tempo, forçosamente livre), nos valores, na qualidade de vida,
ou nominalmente, na saúde e no bem
estar, tanto o individual como o coletivo e social. Enfim, a oportunidade de lazer é
de natureza moral e tem fundamentos filosóficos suficientes que denotam ser
um problema mais de ética do que de práticas de promoção de igualitarismo
social. Cremos no comprometimento de mudanças na estrutura social vigente.
Marcelino (1992), instrumentaliza
nossas perspectivas e anseios, afirmando que “a admissão da importância do
lazer na vida moderna significa considerá-lo como um tempo privilegiado para
a vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural.
Mudanças necessárias para a implantação de uma nova ordem social”. (p.187).
Que nossas discussões nos dêem diretrizes reconhecidamente construtivas para
que, através do lazer sejam proporcionadas, pragmaticamente, melhores
condições de vida, de cidadania, de autonomia, de relações pessoais e
sociais. “Contribuir, através da promoção de atividades de adoção de medidas
que facilitem a participação popular, para o entendimento e valorização do
lazer no senso comum é talvez a condição primeira para que o seu
aproveitamento, como elemento de humanização, possa se efetivar.” (Marcelino,1983,
p.80). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRENTANO, Franz. (1973).
Hedonism. In: The Foundation and
Construction of Ethics. London: Ted Honderich
Editor.. pp 151-167. Da Costa, Lamartine P. Lazer, Cultura e Saúde. (1997). In: IX Encontro Nacional de
Recreação e Lazer -
Coletânea. (1997). Belo Horizonte: UFMG.. pp
167-169. GODBEY, G. Time Deepening and the Future of Leisure.
(1980). In: Leisure today: selected readings. U.S.A : Fred W. Martin
Editor. vol ll, 1980. pp 8-9. __________ . (1997). Recreation and Parks in a Changing World:
Becoming a Health Service. Parks
& Recreation, March, vol 32, nº 3. pp
91-105. MARCELLINO, Nelson Carvalho.
(1883). Lazer e Humanização. Campinas:
Papirus. ___________ . (1992).
Perspectivas para o lazer. In:. Moreira, Wagner Wey. (Org.). (1992).
Educação Física & Esportes -
perspectivas para o século XXI. Campinas, SP:
Papirus. p. 181-196. MARCUSE, Herbert. (1997). Cultura e Sociedade. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, SIEBENEICHLER, Flávio Beno. (Org.). (1997). Ética, Filosofia e Estética. Rio de Janeiro: Editoria Central -UGF. |
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| Red Latinoamericana de Recreación
y Tiempo Libre | Red Nacional de Recreación |
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Fundación Colombiana de Tiempo Libre y
Recreación / FUNLIBRE |
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[1] Mestre em Educação Física e Cultura -UGF/RJ Professora de Educação Física da UFSJ - Universidade Federal de São João Del-Rei, MG RUA AMINTAS NOVAES, Nº 107, APTO 301 Bairro: Bonfim São João Del-Rei, Minas Geraiscep: 36300-000 Telefone: (32) 3371-1344 E-Mail: erizzuti@funrei.br ou elainerizzuti@uol.com.br
1 MARINHO, Inezil Pena. Paladino da Educação Física. 2.ed. Brasília: Horizonte. 1980.