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Ocio y recreación y deporte: el caso del espectáculo futbolístico. LAZER E ESPORTE: O CASO DO
ESPETÁCULO FUTEBOLÍSTICO Heloisa
Helena Baldy dos Reis[1] 14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002. UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil. |
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RESUMEN Esta es una síntesis del trabajo
que pretendemos presentar en el 14o. ENAREL. Este trabajo es parte
de los resultados de la investigación que estamos desarrollando en los
últimos años sobre uno de los contenidos del Ocio y la Recreación, el físico-deportivo.
El contenido físico-deportivo del Ocio y la Recreación contempla una gama de
opciones y por eso, se torna necesario especificar los que utilizamos en el
caso del futbol espectáculo en nuestros estudios. Procuramos hacer siempre un
análisis socio-histórico del futbol teniendo como referencial teórico la
Sociologia Configuracional. RESUMO
Esta é uma síntese do trabalho que pretendemos apresentar no 14o.
ENAREL. Esse trabalho é parte dos resultados de pesquisa que estamos
desenvolvendo nos últimos anos sobre um dos conteúdos do Lazer, o
físico-esportivo. O conteúdo físico-esportivo do Lazer contempla uma gama de
opções e por isso, torna-se necessário especificarmos que utilizamos o caso
do futebol espetáculo em nossos estudos. Procuramos fazer sempre uma análise
sócio-histórica do futebol tendo como referencial teórico a Sociologia
Configuracional. INTRODUÇÃO A palavra Lazer
por si só engloba várias possibilidades de manifestações e vivências
culturais, porém acreditamos que seja necessário agrupá-la à palavra Esporte
por esse último ter várias adjetivações e significados no âmbito acadêmico.
Marcellino e Stoppa (2000) nos alertam para a recorrência da utilização da
palavra lazer junta a outras. Para esses autores “... embora tendo suas
especificidades essas palavras não designam coisas a parte, separadas, que se
bastam a si próprias.” Notamos muito os usos costumeiros da palavra Lazer
junto principalmente com Cultura, Esporte e Recreação, como se essas últimas
não fossem lazer ou como se lazer não fosse cultura. Porém, serão os
aprofundamentos nos estudos do lazer e sua produção que colocarão em desuso
esse tipo de agrupamento. O Lazer a partir
do final do século passado é tido como uma das áreas de maior interesse
econômico e social nos países desenvolvidos. Há autores que chegam a afirmar
que o Século XXI será a era do lazer[2].
Como base para esse tipo de análise temos sociólogos que se dedicam ao estudo
do trabalho e apontam para o fim da centralidade do trabalho na vida das
pessoas[3]
em contraposição a Antunes (2000) que considera de grande importância as
mudanças ocorridas no mundo do trabalho, porém não concorda de que o trabalho
tenha deixado de ser central para a humanidade. Essa é uma discussão densa da
Sociologia e que não vem ao caso nesse trabalho tentar apresentá-la
exaustivamente. Apenas referenciamos a mesma para discutirmos a importância
do lazer nesse século como sendo talvez o período de maior ênfase na
importância social e econômica desse, assim como de fundamental importância
para a busca do prazer, ou da excitação agradável como nos apresenta Elias e
Dunning em sua obra. Utilizamos em
nossas pesquisas como referencial teórico principal a Sociologia
Configuracional desenvolvida incialmente por Norbert Elias e que tem
atualmente como seu maior representante o sociológo inglês Eric Dunning[4].
Esses autores foram pioneiros em tomar o Esporte e o Lazer como objetos de
estudos da Sociologia a partir da década de 50 do Século XX. A busca do
prazer nas atividades miméticas[5]
seria um mecanismo criado pelas pessoas por viverem atualmente em sociedades
tão monótonas. O espetáculo futebolístico é considerado uma atividade
mimética, podendo agir, portanto, como uma catarse para muitas das pessoas
que o buscam como sua atividade de lazer (Elias e Dunning, 1992; Dunning,
2000). O espetáculo
futebolístico é uma importante atividade de lazer da população mundial. A
partir da classificação dos conteúdos culturais do lazer feita pelo sociólogo
francês Jofre Dumazedier, pode-se afirmar que o futebol como espetáculo é uma
das atividades de lazer “físico-esportivo”, sendo a que atrai o maior número
de pessoas em todo o mundo, se considerarmos a soma do número de espectadores
que vão aos estádios com o número de telespectadores que o assistem pela TV.
Foi esse mesmo autor que introduziu a discussão do que seja ativo e passivo
no lazer, desmistificando de que ativo são apenas as participações “praticas”
no lazer, os atuais estudiosos do lazer se utilizam da produção de Dumazedier
quando abordam as atividades de lazer, dessa forma um espectador de futebol
que esteja assistindo a um jogo no estádio ou em casa pode estar participando
ativamente nessa atividade. Pois, a atividade ou passividade está relacionada
com a atitude do mesmo em relação à atividade de lazer e não em relação à
execução ou não de movimentos. Assim como
grande parte das atividades de lazer atuais a assistência do futebol de alto
nível também se tornou uma mercadoria altamente rentável das sociedades
globalizadas, criando áreas específicas de estudo como, por exemplo, a
Economia dos Esportes, ou o Direito Esportivo, nos países desenvolvidos, onde
há uma grande preocupação com a elaboração e revisão de leis que atendam às
transações financeiras exorbitantes do mundo esportivo. Porém nosso interesse,
como já dissemos, é no espetáculo futebolístico como uma opção de lazer e é
disso que trataremos a seguir. O FUTEBOL COMO O
PRINCIPAL ESPETÁCULO ESPORTIVO DO SÉCULO XX Muito
provavelmente quando os ingleses institucionalizaram[6]
alguns jogos na segunda metade do Século XIX não imaginavam a dimensão que o
futebol tomaria após um século[7].
Já a partir dos anos de 1960 com o sucesso dos primeiros torneios
internacionais de futebol, ele começou a se destacar como um importante
agregador de multidões. Vale a pena destacar que a assistência a jogos de
futebol acompanha esse esporte desde a sua criação na Inglaterra, onde nas
duas últimas décadas do Século XIX eles já cobravam ingressos para o público
assistir os jogos ao vivo. A
profissionalização do futebol, ainda na Inglaterra em aproximadamente 1885,
foi um dos primeiros passos para a criação do espetáculo futebolístico, junto
com a transformação do ethos amador
para o profissional houve um incremento no número de pessoas interessadas em
conhecer a pratica moderna daquilo que denominaram futebol. Podemos concluir
que é justamente o aumento na seriedade do jogo e a cobrança pelos resultados
– originadas da profissionalização do mesmo – que faz com que o futebol ao
longo do Século XX se torne um esporte atrativo, porém com uma certa dose de
violência[8]. O futebol pode
ser considerado o esporte de maior sucesso entre seus semelhantes. Em um
século ele se tornou o esporte rei, é o centro das atenções em muitos países
tendo se tornado a principal atividade de lazer da população. No caso
brasileiro, ele e seus ídolos (craques) foram os responsáveis pelo país ser
internacionalmente conhecido como “o país do futebol”. Isso se deve a uma
longa trajetória de vitórias e de sucesso tanto da nossa seleção nacional
como da habilidade de vários de nossos jogadores, os quais conquistando um
mercado internacional chegaram e ainda chegam a serem ídolos internacionais. Em outros países
o futebol também atingiu níveis altíssimos de importância, seja como
mercadoria (esporte espetáculo) ou como pratica de lazer de um grande número
de pessoas. Havendo sempre uma relação de interdependência entre ambos. Alguns dos
exemplos mais notáveis de sucesso do futebol como espetáculo são os casos da
Espanha[9]
e Itália. Ambos tem atualmente o status de terem os melhores e principais
campeonatos de futebol interclubes do mundo, o que lhes garantem uma grande
atenção e interesse de emissoras de televisão de todo o mundo. E,
consequentemente, uma grande renda advinda da venda dos direitos de transmissão
das imagens. O FUTEBOL
ESPETACULARIZADO E SUAS ÚLTIMAS CONQUISTAS NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI Como pudemos ver
no tópico anterior o futebol solidificou-se como o principal espetáculo
esportivo do mundo globalizado. Por que foi esse e não outro o esporte
consagrado como o fenômeno esportivo mundial? Quais as estratégias para as
últimas conquistas? Essas são as indagações que tentaremos analisar a seguir. Para tentar
explicar o porque do status alcançado pelo futebol e não por outro esporte,
recorremos aos escritos de Elias & Dunning (1992) e Dunning (2000). Para
eles se tivéssemos que dar uma função para as atividades de lazer nas
sociedades contemporâneas, essa seria a quebra da rotina de seus adeptos e
também a necessidade da busca de um tipo de excitação, a excitação agradável,
que nós preferimos traduzir pela busca do prazer. Ora, até aí essa explicação
poderia ser cabível para qualquer tipo de atividade mimética. Mas, sendo o
futebol uma destas, gostaríamos ainda de destacar uma característica particular
dessa atividade, que é o tempo demasiado longo de excitação que vivenciam os
espectadores para que se atinja o clímax, quando da ocorrência de um gol[10].
Os Estados
Unidos, a Coréia e a China foram os últimos países conquistados pelo futebol.
As estratégias utilizadas pelas instituições de futebol foram à promoção da
Copa do Mundo de 1992 nos Estados Unidos e a de 2000 na Coréia e no Japão.
Essa última foi uma inovação em termos de investimento. Pela primeira vez na
história do futebol mundial uma Copa do Mundo foi sediada por dois países, e
a avaliação que temos é de que essa foi um sucesso de público e de marketing.
Esses povos orientais apesar de conhecerem muito pouco sobre o esporte bretão
foram espectadores fiéis não só de suas equipes nacionais como também lotaram
as arquibancadas para verem seleções consagradas no mundo futebolístico e
também souberam prestigiar as equipes com menor expressão no universo do
futebol. A imprensa de um modo geral veiculou matérias elogiando muito a
organização dessa última Copa assim como o envolvimento de seu povo com o
evento. Terminamos a Copa do Mundo de 2000 com dois grandes feitos, por um
lado à conquista inédita do Pentacampeonato por uma “nação” e por outro, a
provável conquista da Ásia para o mundo do futebol. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Ricardo
(2000). Os sentidos do trabalho: ensaio
sobre a nação e a negação do trabalho. 3a. ed., São Paulo:
Bomtempo DUNNING, Eric
(1999).Sport matters; sociological
studies of sport, violence and civilization. Londres: Routledge. Elias,
Norbert& Dunning, Eric (1992). A
busca da excitação. Lisboa: Difel. GUTIERREZ,
Gustavo (2001). Lazer e prazer;
questões metodológicas e alternativas políticas. Campinas: Autores
Associados. MARCELLINO,
Nelson Carvalho (2002). Lazer e
educação. 9a. ed. Campinas: Papirus. MARCELLINO,
Nelson Carvalho e Stoppa, Edmur (2000). Entretenimento,
lazer e segurança. Anais do 12o. ENAREL, pp. 232 – 241. REIS, Heloisa
Helena Baldy dos Reis (2000). Lazer e esporte; a espetacularização do futebol.
In: Brunhs, Heloisa Turini. Temas sobre
lazer. Campinas: Autores Associados, pp. 131-143. ________ (1998).
Futebol e sociedade. Campinas, Tese
de doutorado (em Educação Física), Faculdade de Educação Física da Unicamp. ________ (2000).
Futebol e violência. Relatório de
Pesquisa – FAPESP. |
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| Red Latinoamericana de Recreación
y Tiempo Libre | Red Nacional de Recreación |
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Fundación Colombiana de Tiempo Libre y
Recreación / FUNLIBRE |
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[1] Pós-Doutora – Faculdade de Educação Física - Unicamp Cidade Universitária “Zeferino Vaz” – Faculdade de Educação Física - CEP: 13083-970 – Campinas – SP. Fone: 19 37886622.
[2] O maior divulgador dessas idéias no Brasil nos últimos tempos é o sociológo italiano Domenico De Masi.
[3] Clauss Offe é um desses autores, citado na obra “Lazer e prazer” de Guttierrez, publicado pela Editora Autores Associados.
[4] Após a morte de Norbert Elias em 1983, Eric Dunning, seu principal companheiro de pesquisas, prosseguiu suas investigações utilizando-se da teoria do Processo Civilizatório a qual deu origem ao que eles denominaram de Sociologia Configuracional.
[5] Os esportes, a dança, o teatro estão entre as atividades miméticas. Para Elias e Dunning (1992) estas seriam atividades que permitem às pessoas viverem emoções que são restringidas no cotidiano pelo auto-controle adquirido no decorrer do processo civilizatório pelos povos dos países mais desenvolvidos. Porém, é sabido que os usos e costumes desses países se expandiram por grande parte de suas colônias.
[6] Fator determinante para a criação do esporte moderno.
[7] Sobre o assunto ver Reis, 2000.
[8] Jamais comparada a seus precursores medievais.
[9] A competência da Espanha na organização de espetáculos futebolísticos lhe garante hoje o status dado pelo Conselho Europeu do melhor país nesse tipo de organização (Reis, 2000).
[10] Esperamos poder apresentar melhor nossas análises durante o Encontro Nacional de Recreação em Lazer, em Santa Cruz do Sul, RS.