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Análisis de los significados del ocio y la recreación
contenidos en los parámetros curriculares nacionales referentes a la
Educación Física. ANÁLISE DOS
SIGNIFICADOS DE LAZER CONTIDOS NOS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS
REFERENTES À EDUCAÇÃO FÍSICA Rodrigo Caldeira Bagni Moura [1] 14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002. UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil. |
RESUMEN
En
este trabajo analizamos las visones del ocio y la recreación contenidas en
los parámetros Curriculares Nacionales. Percibimos que la concepción de ocio
y la recreación presentada por el documento es muy superficial y sin ninguna
fundamentación teórica. Acreditamos la importancia de educar para el ocio y
la recreación en la escola y, siendo así, pensamos que el tema debería ser
abordado con más profundidad. Este es un paso importante para la valorización
de esa esfera tan importante de la vida humana como el trabajo, la familia o
la religión. RESUMO
Nesse trabalho
analisamos as visões de lazer contidas nos parâmetros Curriculares Nacionais.
Percebemos que a concepção de lazer apresentada pelo documento é muito
superficial e sem nenhum embasamento teórico. Acreditamos na importância de
se educar para o lazer na escola e, sendo assim, pensamos que o tema deveria
ser abordado com mais profundidade. Esse é um passo importante para a
valorização dessa esfera tão importante da vida humana quanto o trabalho, a
família ou a religião. “Quando
o sol bater na janela do teu quarto, lembra
e vê que o caminho é um só...” (Renato
Russo) Trabalhar
em escolas de periferia nos faz visualizar muito mais do que meras carências
e necessidades dos nossos alunos e alunas. Compartilhamos realidades, sonhos
e esperanças. Ao observarmos o cotidiano dessas pessoas, na maioria das
vezes, constatamos um quadro de restrição, de falta de acesso e de pobreza
que soma-se à desigualdade social, ao
desemprego, e até a falta de condições mínimas de sobrevivência. Dessa forma,
dividimos também esse outro lado de falta de perspectiva e de entusiasmo;
tentamos minimizar alguns problemas sem, no entanto, mascarar a realidade,
pois acreditamos que devemos ter pleno conhecimento da situação para
tentarmos transformá-la. Diriam os incrédulos e os fatalistas; como assegurar
o lazer para essas pessoas se devemos estabelecer outras prioridades? Não
pensamos assim e ao observarmos nossos alunos vemos que eles também não
pensam assim. O sol que queremos que bata na janela do quarto de nossos
alunos é o sol da informação, da educação que leva ao conhecimento, que leva
à reivindicação, que aponta para um caminho comprometido com a redução das
injustiças sociais. Entendemos
que os Parâmetros Curriculares Nacionais, apesar de todas as críticas, são
documentos que contribuem para resgatar nas escolas de todo Brasil alguns
conceitos básicos como o de cidadania, cultura e democracia. Além disso, pode
auxiliar professores e alunos nas discussões e reflexões em sala de aula
tornando-se um instrumento a serviço da educação. Por isso, o objetivo desse
estudo é analisar a visão de lazer contida dentro dos PCN`s referentes à
Educação Física. PARÂMETROS
CURRICULARES NACIONAIS (PCN'S)
Os
PCN`s[2]
são documentos que foram idealizados e elaborados pelo Ministério da educação
e do desporto. Segundo MACHADO (1998, p. 46) “tem como finalidade subsidiar a
elaboração ou revisão curricular, orientar a formação inicial e continuada de
professores, a produção de livros e outros materiais didáticos, o fomento da
discussão pedagógica, a elaboração de projetos educativos, o trabalho
cooperativo das escolas e avaliação de aprendizagem e do sistema educativo
nacional.” Não
é um documento neutro, pois concordamos com ARROYO (2000, p. 94) que: As equipes que os elaboraram têm
suas visões de ciência, de conhecimento, de sua construção e apreensão.
Trazem, sobretudo, ainda que não tão explicitadas concepções de Educação
básica e do papel e perfil de seus profissionais. Trazem as marcas dos
debates teóricos e políticos, optam por umas visões de educação e docência e
secundarizam ou ignoram outras. Concretizam estratégias e políticas de um
governo e dos interesses sociais e políticos que representam. Os
Parâmetros Curriculares Nacionais são documentos que chegam nas mãos de
nossos docentes, ou pelo menos deveriam chegar, e trazem conhecimentos
atualizados, principalmente para aqueles que não têm oportunidade de estarem
em contato com as produções recentes do meio acadêmico nos cursos, seminários
e congressos. Porém, como alertou Arroyo, no trecho acima, as pessoas têm que
ter condições de interpretar todas as variáveis que estão presentes: a visão
de educação e docência de quem elaborou os documentos que muitas vezes não é
semelhante a nossa; as estratégias e políticas do governo e dos interesses
sociais e políticos que representam, pois vemos que com as políticas que
estão sendo adotadas mundialmente temos que estar sempre muito atentos a tudo
o que se refere a educação. É
preciso destacar também, o que ALVES (1998, p. 46) ressalta: “A lei que rege
a educação no país (Lei n. 9394/96), em nenhum momento, sugere a existência
de parâmetros nacionais(...) Este foi um dos motivos porque, quando a
Secretaria de Educação Fundamental (SEF) começou a fazer circular sua
proposta de parâmetros houve um protesto nacional, contrário à sua
existência.” Os
PCN`s assumem a noção de base comum nacional para a educação ao tentar
homogeneizar o acesso às informações num país com as dimensões do Brasil e
com a diversidade de hábitos e culturas. Pensamos, no entanto, que tentar
uniformizar os conteúdos e impor prioridades na aprendizagem é um equívoco,
pois temos que valorizar nossas culturas locais e os conhecimentos que nossos
alunos já trazem. OS
PCN`S, A EDUCAÇÃO FÍSICA E O LAZER
Analisando
os Parâmetros Curriculares Nacionais referentes à Educação Física percebemos
que o documento aborda questões importantes de forma superficial. Não
aprofunda e não explicita qual a concepção de lazer e em que perspectiva o
tema é abordado. Pensamos que é de extrema necessidade esclarecer conceitos
para que possamos desenvolver uma educação para o lazer e pelo lazer a partir
da escola que não seja apenas reprodução de atividades, mas re-significação
de práticas culturais com novas apropriações e novos sentidos. Para não
sermos reducionistas ou generalistas, e devido à importância de trabalharmos
os conceitos de lazer num documento como os parâmetros, acreditamos que
deveria haver um capítulo sobre o tema que fosse elaborado por um grupo de
estudiosos do assunto, o que não aconteceu ao se escrever sobre o lazer nos
PCN`s . Os
PCN`s apontam a importância de se educar para o lazer, de questionar e de
lutar por melhores condições de lazer e de vida. Entretanto, não indica os
caminhos e nem como isso poderia acontecer. Assim, afirmam que esperam que ao
final do ensino fundamental os alunos sejam capazes de: “Conhecer, organizar
e interferir no espaço de forma autônoma, bem como reivindicar locais
adequados para promover atividades corporais de lazer, reconhecendo-as como uma
necessidade básica do ser humano e um direito do cidadão (p.44)”. Entretanto,
se não for trabalhado com os alunos esses temas, que são extremamente
complexos até para os estudiosos e para os profissionais do lazer, essa
consciência com certeza não será despertada espontaneamente, pois isso
demanda consciência política. Demanda ainda, lutar por um direito que não
está assegurado no nosso dia-a-dia, apesar de estar assegurado por lei. Percebemos isso quando pensamos nas inúmeras barreiras
que são impostas às nossas vivências de lazer. Entre
os profissionais da Educação Física Escolar, os conceitos e as teorias do
lazer não estão difundidas. Analisando as concepções e as tendências
pedagógicas da Educação Física Escolar, MARCELINO (2001, p. 113) analisou o entendimento de lazer
presentes na produção científica da área e concluiu que “...a compreensão do
lazer, historicamente situada,
precisa ser redimensionada, ampliando-se”. O autor prossegue ressaltando a
importância do lazer como área de intervenção profissional já que muitos
autores da Educação Física também desenvolvem
suas atividades formadoras e são os que vêm formando mais profissionais que
trabalham na área do lazer. Entre
os estudiosos do lazer existem muitas divergências, no que tange à questões conceituais,
emergência do lazer na sociedade, perspectivas de desenvolvimento na
atualidade, dentre outras. Entretanto, num ponto parece haver algum consenso,
a necessidade de se educar para e pelo lazer. Um lazer que é aqui entendido
enquanto reivindicação social e enquanto meio de produção e ressignificação
cultural. Para ilustrar essa preocupação com a educação para e pelo lazer
BRAMANTE (1998, p. 42) cita duas tentativas que foram feitas: O lazer enquanto veículo de
educação formativa, tem motivado educadores de todo mundo a incluir na pauta
de suas pesquisas. Particularmente a partir dos anos cinqüenta mas, com
grande ênfase nos anos 70 e 80, tornou-se conhecido o binômio “educar para o
lazer” e “educar pelo lazer”. A educação para/pelo lazer tem oscilado entre
dois extremos, da inclusão de uma disciplina específica no currículo escolar
desde o início do processo de escolarização, como foi o caso do projeto
canguru, proposto pela Associação de Recreação e Parques, nos EUA durante os
anos 70, até a visão mais progressista que propõe que todo currículo escolar
deveria ter como paradigma a ludicidade, explorando os conteúdos específicos
de todas as disciplinas através de uma educação pelo lazer. Atualmente,
vemos que nenhum dos dois extremos citados pelo autor nessa ocasião se
tornaram realidades em nosso país. Temos consciência que romper com o modelo
escolar de formação para o trabalho é tarefa das mais difíceis. Queremos
garantir que o lazer seja discutido na escola de forma interdisciplinar, pois
acreditamos que da forma que as disciplinas estão estruturadas cada uma delas
poderia abordar o tema relacionando-o com suas especificidades. Nesse sentido, os Parâmetros Curriculares
Nacionais poderiam se tornar um veículo extremamente importante e o grande
impulsionador de uma abordagem que privilegie o lazer como uma esfera
importante da vida humana, em consonância com o trabalho, a família ou a
religião. Segundo
WERNECK (2000), o lazer é fruto de reivindicações sociais por um tempo de
folga conquistado sobre o trabalho. Sendo o lazer um direito assegurado em
nossa constituição, mas que infelizmente não pode ser vivenciado em sua
plenitude porque não são garantidas as condições mínimas para se desfrutar do
tempo fora do trabalho. Assim, MATOS (2001, p. 119) afirma que: O direito ao lazer significa
mais do que ações específicas, mas uma rede de serviços para possibilitar o
acesso digno à sua vivência: emprego, saúde, educação, transporte, infra
estrutura urbana, dentre outros. Significa possibilitar condições de
realização global de viver dignamente. Ou seja, o lazer é um bem social, um
direito do cidadão e um instrumento essencial à apropriação da cidade por
toda a sociedade. Porém,
fazer um trabalho de educação para o lazer é ir contra diversos tipos de
interesses das classes dominantes e do sistema capitalista. Os detentores do
poder têm “medo” do potencial revolucionário que o lazer pode despertar nas
pessoas e, por isso o objetivo é controlar o lazer das pessoas e dessa forma vigiá-las.
No entanto, ao educar as pessoas para e pelo lazer pode abrir horizontes e
possibilidades e, quem sabe ampliar as vivências frente a manipulação
exercida por diferentes segmentos sociais, principalmente pelos meios de
comunicação de massa. Assim
para que tenhamos um profissional preparado para discutir essas questões as
faculdades têm que abordar o tema com profundidade. São poucas as
instituições e os cursos no Brasil que oferecem esse embasamento. Muitas
faculdades de Educação Física apoiam-se
ainda numa visão restrita de lazer associando-o apenas com a atividade.
ISAYAMA (2002, P. 121), analisando os currículos observou que: “Com relação à importância atribuída à
recreação e ao lazer nos currículos desses cursos, existe contradição entre o
que se propõe como objetivo e o que realmente se realiza no interior dos
currículos. Nesse sentido, muitos cursos afirmam em seus objetivos que a
recreação e o lazer são campos de atuação do profissional de Educação Física,
além do treinamento desportivo e da escola, e que o seu currículo irá
privilegiar esses três enfoques. No entanto, fica difícil formar
profissionais qualificados para atuar nos campos da recreação e do lazer, se
esses conhecimentos são trabalhados de forma rápida e superficial, em virtude
da pequena abertura que têm, em termos de carga horária, número de
disciplinas e abordagem dentro de outras disciplinas do currículo.” Os PCN`s de Educação
Física, volume 7, consideram o lazer como uma esfera importante da vida,
nesse trecho afirmam que “A área de Educação Física hoje contempla múltiplos
conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do
movimento. Entre eles, se consideram fundamentais as atividades culturais de
movimento com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e
emoções, e com possibilidades de
promoção, recuperação e manutenção da saúde.” (p. 27) Visualizamos
acima duas visões antagônicas que se complementam. A primeira, o aspecto de
gratuidade, de espontaneidade; o lazer imbuído de ludicidade, quando se
consideram fundamentais as atividades culturais de movimento com finalidades
de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções. E a segunda visão, não
destituída do caráter lúdico, mas que, no entanto, visa um fim que não o
próprio lazer. Outra possibilidade,
que consideramos um avanço dentro dos PCN`s é a apreciação; o resgate da
contemplação enquanto alternativa de lazer: “É possível que uma pessoa goste
de praticar um ou outro esporte, fazer uma ou outra atividade física;
entretanto, apreciar é algo que todos podem fazer e amplia as possibilidades
de lazer e diversão.” (p. 88) Os
PCN`s consideram o lazer como um direito de cidadania: “O lazer e a disponibilidade de espaços para as atividades
lúdicas e esportivas são necessidades básicas e por isso direito do
cidadão."(p.29). O que nos preocupa é que com todo esse discurso e sem
uma política de Educação para o lazer, sem ao menos um embasamento teórico
que suporte essas afirmativas, parece discurso vazio, sem consistência e sem
perspectivas de ações concretas que
melhorem o quadro de descaso e de falta de iniciativas nessa esfera tão
importante da vida humana. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acreditamos
que a escola pode trazer contribuições para o campo do lazer e, sobretudo,
pode interferir na educação e na formação dos(as) alunos(as) para e pelo
lazer, e, também, em outras esferas da vida humana. É importante salientar
que não consideramos o lazer como salvação para todos os problemas da
sociedade, buscamos cada vez mais um equilíbrio entre as esferas da vida. A
centralidade que damos ao tema lazer em nossas discussões é porque temos que
“debruçar” nesse – que é nosso objeto de estudo – para melhor compreendê-lo. Este
foi apenas o passo inicial de uma longa trajetória, pois pretendemos agora
desenvolver uma pesquisa participante em uma escola tendo como subsídios o
referencial teórico, a problematização e os questionamentos aqui levantados.
Pretendemos propor uma educação para o lazer e pelo lazer que aconteça de
forma interdisciplinar, na forma de um projeto, pois acreditamos que todas as
disciplinas podem contribuir muito para a compreensão do fenômeno lazer em
nossa sociedade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Nilda. Uma posição
sobre os parâmetros curriculares nacionais.
Revista da Educação AEC- n. 109/1998. ARROYO, Miguel G. Ofício de mestre; Imagens e auto imagens. Editora Vozes. Petrópolis, 2000. BRAMANTE, Antônio Carlos. Lazer
e a multiplicidade de profissionalização e de funções. In: IV Encontro Nacional sobre Juventude: Indústria do
lazer. Perspectiva de geração de empregos e renda. Belo Horizonte. Anais... 1998. ISAYAMA, Hélder F.
Recreação e lazer como integrantes de currículos dos cursos de graduação em
Educação Física. Tese (Doutorado).
Campinas, 2002. MACHADO, Maria Auxiliadora
C. A. Parâmetros Curriculares Nacionais, Amae
educando, n. 273, p. 41, Março de
1998. MARCELLINO, Nelson
Carvalho. Os tratos com o Lazer no corpo teórico da Educação Física Escolar. Cinergis,
v. 2, n. 1, p. 101- 114, Santa cruz do Sul, 2001. MATOS, Lucília da S. “Belém. Do direito ao lazer ao
direito à cidade”. Lazer &
Esporte. Editora Autores Associados, 2a ed. Campinas, 2001. Parâmetros Curriculares
Nacionais, Educação Física, 1a- à 4a- séries, volume 7,
Brasília, 1997. Parâmetros Curriculares
Nacionais, Educação Física, 5a- à 8a- séries, Brasília,
1998. WERNECK, Christianne L. G. Lazer, trabalho e educação. Relações
históricas, questões contemporâneas.
Editora UFMG |
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Red Latinoamericana de Recreación
y Tiempo Libre | Red Nacional de Recreación |
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Fundación Colombiana de Tiempo Libre y
Recreación / FUNLIBRE |
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[1] Licenciado em Educação Física - UFMG .Este trabalho é um resumo do artigo que está sendo construído na Pós- Graduação em Lazer da UFMG com orientação da professora Christianne Luce Gomes Werneck.
[2] Foram aprovados pelo Conselho Nacional de Educação com o Parecer, número 03/97, da relatora Regina Alcântara Assis, da Câmara de Educação Básica.