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Espacios y equipamientos de ocio y recreación
y las políticas públicas. ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE LAZER E RECREAÇÃO E AS POLÍTICAS PÚBLICAS. Ademir Müller[1] 14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002. UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil. |
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RESUMEN
La cuestión
espacial del ocio y la recreación, dentro de la sociedad contemporánea, posee
una complejidad que se origina en la concentración urbana, se desarrolla y
provoca consecuencias en la relación existente entre los diferentes tiempos del
hombre urbano - tiempo de trabajo, tiempo liberado de trabajo pero no libre
de obligaciones sociales, y tiempo disponible para el ocio. La cuestión del
espacio influencia sobremanera la actitude
que las personas adoptan frente a sus experiencias de ocio y recreación, que
por su parte acarrean repercusiones en las políticas públicas de ocio y recreación.
El principal objetivo de este
texto es reflexionar sobre la toma de conciencia de la importancia social del
espacio como el eje de las relaciones de convivencia y del papel que debe ser
desempeñado por el poder público como creador, mantenedor y animador
sociocultural, de manera sustentable, de esos espacios. RESUMO
A questão
espacial do lazer, dentro da sociedade contemporânea, possui uma complexidade
que tem origem na concentração urbana, se desenvolve e provoca conseqüências
na relação existente entre os diferentes tempos do homem urbano - tempo de
trabalho, tempo liberado do trabalho, porém não livre de obrigações sociais,
e tempo disponível para o lazer. A questão do espaço influencia
sobremaneira a atitude que as pessoas
adotam diante de suas experiências de lazer, que por sua vez acarretam repercussões nas políticas públicas de
lazer. O principal objetivo deste texto é refletir sobre a toma da
consciência da importância social do espaço como o lócus das relações de
convívio e do papel que deve ser desempenhado pelo poder público como
criador, mantenedor e animador sociocultural, de maneira sustentável, desses
espaços. INTRODUÇÃO O
lazer, os espaços e equipamentos de lazer não são entendidos como essenciais
e não têm a atenção necessária, nem lhes é atribuída a importância real numa
política de administração urbana, além de ser um dos elementos pouco
reivindicados pela população, pelo menos organizadamente. Essa constatação
aparece quando percorremos várias cidades do Vale do Rio Pardo e notamos a
escassez, o descuido e a inadequação de muitos espaços públicos destinados ao
uso do lazer. Segundo
Marcellino, citado por Pellegrin (1996, p. 33): “O lazer possui
um caráter “revolucionário”, pois é no tempo de lazer, onde procuram a
vivência de algumas coisas pela escolha e satisfação, encontro com pessoas,
com o “novo” e o “diferente”, que se encontram possibilidades de
questionamento dos valores da estrutura social, e das relações entre
sociedades e espaço”. O
espaço de lazer tem uma importância social, por ser um espaço de encontro e
de convívio. Através desse convívio, pode acontecer a tomada de consciência,
o despertar da pessoa para descobrir que os espaços urbanos equipados,
conservados e principalmente animados para o lazer são indispensáveis para
uma vida melhor para todos e se constituem em um direito dos brasileiros. Segundo
Bramante (1995, p. 14): “a passividade
da população que não cobra (e que tantas vezes não está preparada para
cobrar) do governo ações consistentes para o setor, redundam em frágeis
políticas de lazer, tanto no nível federal, como no estadual e no municipal”. A
passividade, acarretada pelo emprego de políticas paternalistas na área do
lazer, desenvolve nas pessoas a espera pela solução dos problemas. A forma de
governar através dos gabinetes não desenvolve uma metodologia de ação
comunitária, que não assume o compromisso de educar para e pelo o lazer, leva
a não preparar a população para exercer sua cidadania. A
análise sobre a questão espacial do lazer, sua problemática em relação a
tempo, atitude e espaço dentro da sociedade contemporânea e a origem,
desenvolvimento e conseqüência desse acontecimento, têm repercussões nas
políticas públicas. E isso é o que passaremos a abordar neste texto. A TOMADA DE CONSCIÊNCIA DA
IMPORTÂNCIA DOS ESPAÇOS DE LAZER A
opção do poder público deve ser privilegiar serviços à maioria da população,
ampliando sua base de conhecimento nos conteúdos culturais do lazer, sem
descuidar do apoio ao desenvolvimento de experiências de lazer em diferentes
níveis. Além
dos espaços públicos para o lazer, devemos considerar que a casa é ou pode
ser o principal equipamento de lazer das pessoas, pelo menos é onde se passa
o maior tempo liberado do trabalho. Quanto ao lazer fora de casa podemos
verificar através da pesquisa – Significado Político do Espaço: implicações
para o lazer em condomínios, um estudo de caso, feita por Pellegrin (1995) que
chega às seguintes conclusões: a) valorização da rua enquanto espaço de lazer
é uma questão para o poder público. Nas cidades grandes que têm poucos
espaços públicos vazios, falta muitas vezes segurança nos equipamentos
públicos de lazer e o transporte até eles é limitado; b) cabe às Prefeituras,
secretarias e órgãos públicos de administração em geral, buscar soluções para
que ocorram transformações e adaptações necessárias no espaço de lazer, de
forma que a população seja envolvida no processo. Deve ser levado em conta a
apropriação que os cidadãos estabelecem com o espaço urbano, como espaço de
lazer; c) é necessário trabalhar com estratégias de ação que privilegiem a
participação da população (Pellegrin, 1996). Segundo Santini (1993), a sociedade atual precisa
observar e analisar a problemática espacial do lazer. O homem está se
limitando a um espaço mínimo para a sua sobrevivência e isso pode afetar sua
qualidade de vida. Com o aumento da população e a concentração urbana
exagerada, as áreas verdes e os espaços de lazer são cada vez mais raros. Daí
a necessidade de uma legislação que proteja o meio ambiente e reserve áreas
nobres no meio urbano para que possam ser planejadas as infra-estruturas adequadas ao lazer e aos esportes. O aumento considerável da população do meio
urbano ocasionou a diminuição do espaço disponível para a realização do
lazer. As áreas residenciais sofrem uma diminuição razoável de seus
“territórios”, derivando o restringimento dos espaços para o lazer. Hoje as
famílias não dispõem nem mais das ruas da cidade para aproveitarem como
espaço de lazer, pois essas oferecem perigo e violência. Com essa
constatação, houve uma mudança nos hábitos de lazer e maneiras de relação
social. A partir disso, é preciso desenvolver e valorizar o lazer individual,
restrito e limitado a quatro paredes (Neto, 1993). No ano de 1920 apenas 10,7% da população
residia nas cidades. Entretanto, em 1991, o censo demográfico acusava um
percentual de 77,1% dos brasileiros residindo e trabalhando nas metrópoles (Pina,1996). Conforme Pina (1996), com esse aumento
exacerbado da população no meio urbano, é necessário que exista mais áreas e
sistemas operacionais de circulação, comunicação, energia, serviços e outros,
uma vez que o território passa a ser solicitado por um número crescente de
habitantes. Com esses aspectos não-solucionados, foram reduzidos
gradativamente o espaço urbano e a qualidade de vida de seus habitantes. Santini (1993, p. 34) afirma que “para a
sobrevivência do homem se fazem necessários alguns elementos básicos, tais
como água, alimentação e ar. Muitas vezes, porém, nos esquecemos de um
elemento sem o qual o homem não é capaz de viver: o espaço”. O espaço pode
ser considerado como um sentimento complexo. É uma exigência para a
sobrevivência de qualquer ser e, especificamente para o homem, é fundamental
para seu bem-estar psicológico, além de ser uma necessidade social. O lazer, como um dos principais pontos para
a qualidade de vida, passou por transformações na relação cidadão e espaço
urbano. Como espaços livres dentro das cidades são cada vez menores, pois as
exigências de espaço para fins econômicos e serviços aumentam
significativamente, é inviável a livre utilização desses espaços pela
população, pois são ambientes controlados por terceiros, não tendo o cidadão,
autonomia para usufruir do espaço conforme sua vontade. Observando em
especial a idade infantil, nota-se que o contexto urbano não tem muito espaço
a oferecer para as crianças brincarem e se divertirem. (Pina, 1996). Segundo Santini (1993), o homem transforma o
espaço natural, que se torna uma apreciação cultural, podendo ser organizado
de diversas maneiras conforme complexidade e sofisticação tecnológica do
grupo que nele se instala. Os princípios básicos para a organização espacial
seguem fatores como a postura e a estrutura do corpo humano. A partir da
experiência de seu corpo, o ser humano organiza seu espaço, observando as
suas exigências biopsicossociais. Esse espaço organizado e animando é o meio
ambiente que é constituído de um meio físico, estético e psicológico. Ainda conforme Santini (1993), neste
contexto observa-se reações humanas que se originam de determinadas
situações: territorialidade – é a
forma é a forma de defesa do território: o homem inventou várias maneiras de
defender o que considera ser seu, como por exemplo, a própria terra ou sua
residência, que está protegida legalmente pelas autoridades, existindo assim
uma grande diferença entre propriedade particular (um indivíduo) e
propriedade pública (grupo); distância
crítica – é um espaço ao nosso redor que quando invadido nos incomoda:
seria um espaço estreito separando a distância de fuga da de ataque.
Compara-se com o momento em que uma pessoa desconhecida pede uma informação
mas se aproxima muito de seu rosto. A reação automática é afastar-se. Isso
seria a invasão da distância crítica que dependerá da cultura, da situação e
da pessoa; espaço crítico – todos
os animais têm uma exigência mínima de espaço, sem o qual a sobrevivência é
impossível. O ser humano só consegue viver na multidão se possuir uma
determinada indiferença por ela. Somente é possível uma vida normal se
ocorrer contato com um número limitado de pessoas. O ser humano pode perceber
a situação de multidão através da temperatura. As pessoas possuem um campo
térmico. Assim no momento em que existe uma multidão, essa temperatura
aumenta por causa da intersecção com os demais indivíduos. Daí ser quase
impossível o controle social de uma multidão agitada, por essa precisar de
maior espaço que uma multidão fria; esgoto
comportamental – uma teoria simplista para resolver o problema seria
eliminar alguns indivíduos, mas como isso é impossível precisa-se ter uma
hierarquia social e uma organização. O ser humano necessita permanecer
sozinho por alguns instantes, não conseguindo sobreviver em total desordem
numa aglomeração, pois a desordem prejudica funções sociais do homem levando
à desorganização. A territorialidade passa a ser desrespeitada caso não seja
mantida à força. Todos os sintomas, nesse caso, colaboram para que ocorra um
colapso da população ou até mesmo a morte em massa. Santini
(1993, p.39) coloca que esse problema está no aumento considerável da
população nas grandes cidades, impossibilitando a privacidade das famílias.
Esse fator é agravando pela especulação imobiliária que diminui as
residências e modifica os centros das urbes em centros comerciais com preços
e impostos altíssimos. Esse alto preço pode ser compensado pelo seu uso
intensivo. A partir disso “a cidade pode ser classificada como um meio
técnico, pois é o exemplo mais forte que se pode dar no sentido de alteração
do meio ambiente”. Quando
a cidade não é planejada, torna-se uma colcha
de retalhos de diferentes épocas, observando-se a existência de
hierarquias conforme o período e, com o crescimento tecnológico e econômico,
levará à aglomeração heterogênea como também a uma possível promiscuidade
(ibidem). O
homem precisou dedicar boa parte de seu tempo social para o trabalho, que
ocupa parte central na vida diária, sendo às 24 horas divididas para realizar
atividades específicas: um período desses é dedicado a atividades
discricionais, sendo o tempo dedicado ao lazer um fato originário de nossa
época (ibidem). Com
o excesso de carga horária, o proletário lutou por melhores condições. Isso resultou
na diminuição dessa carga e descanso remunerado. Surgiu, em conseqüência a
esses eventos, uma nova figura social, o homem-de-após-trabalho,
começando a surgir o tempo livre. A atividade laboral na indústria torna-se
fragmentada e alienante, precisando o homem do tempo livre para encontrar um
sentimento de bem-estar e satisfação
íntima, provindo da possibilidade de escolher a atividade a realizar. Surge
então três elementos essenciais no lazer: tempo
livre, a atitude com que é
encarada a atividade discricional e o espaço
de lazer (ibidem). O espaço urbano se transformou num espaço
para construção, tornando-se a paisagem urbana algo criado pelo ser humano
para habitar. Com o crescimento desordenado e desequilibrado das cidades, o
aspecto mais vulnerável, entre outros, foi o dos espaços para o lazer. As
áreas livres que haviam cederam lugar a avenidas, prédios e indústrias,
restando pouquíssimo espaço para o lazer. A partir disso, adultos e
principalmente crianças ficaram prejudicadas: à criança restou seu quarto de
brinquedos, a televisão, passeios apenas no final da semana. Ocorre, nesse
momento, o interesse de passear no campo ou praia, onde existe espaço para
atividades que exigem esforço físico em ambientes mais espaçosos, livres,
abertos (ibidem). Segundo
Santini (1993, p. 43): “O citadino da
grande urbe necessita de áreas próximas a sua moradia, para que lá exerça
atividades de lazer e recreação e evite, principalmente, os deslocamentos –
fator de grande importância nos nossos dias pelo consumo de tempo solicitado
por esta atividade”. Nas
cidades grandes ocorreu a verticalização, mas nos espaços liberados novos espaços foram construídos e não
áreas de lazer. Existem áreas de lazer
nos edifícios, mas não são as ideais. O play-ground,
as árvores e o solo impermeável só reproduzem mais um ambiente artificial. Na
vida urbana existe uma busca infindável pelas áreas abertas (parques, praças)
e por isso tornam-se lugares centralizadores de multidões (ibidem). Dieckert
(1983) apresenta um modelo de infra-estrutura de Lazer e de Esporte para
Todos em um bairro ou em uma quadra, tendo como objetivo proporcionar um
Parque na esquina, algo próximo dos
moradores. Esse modelo de parque abrange no mínimo a dimensão de um
quarteirão e não ultrapassa um bairro. Hoje
uma criança pequena pode dispor de atividades de lazer e recreação apenas em
sua própria casa ou apartamento. Já para as crianças de cinco a doze anos, a
distância que é viável percorrer da habitação ao parque seria de 150 a 200
metros, no quarteirão. Para adolescentes de doze a dezoito anos, a
possibilidade de lazer, recreação e esporte para todos seria no bairro, com
distância de 300 a 400 metros. Quando se tratar de uma faixa etária maior, a
possibilidade para lazer, recreação, cultura na cidade ou parte da cidade,
pode ser no centro ou até na periferia, não necessitando ser próximos às
residências das pessoas. “Tais critérios devem ser respeitados, quando se
trata de cidades em fase de urbanização e saneamento. Em se tratando de
cidades desenvolvidas, deverá ser feito conforme a disponibilidade de
terreno” (Dieckert, 1983, p.23). Analisando
o fator ambiente, Neto (1993) coloca que as áreas de preservação ambiental
têm aumentado significativamente, oferecendo locais próprios para o
desenvolvimento do lazer. Deve, no entanto, ser dada a devida importância à
preservação e cuidado para que essas áreas não sejam destruídas pela má
utilização que a população pode fazer delas. Para que a maneira de usufruir
da natureza não seja errada, é preciso estabelecer normas e critérios de
utilização, observando que cada área possui suas próprias características. Bauzer,
citado por Neto (1993, p.74), faz um comentário importante sobre a influência
de diferentes ambientes para o ser humano afirmando que: “ambientes físicos
naturais ou construídos provocam respostas humanas diferentes, sempre
complexas, envolvendo atitudes, sentimentos, expectativas, valores, desejos,
intenções, lembranças. O homem não reage ao ambiente físico ‘lá fora’, mas ao
‘mundo internalizado’ que é, a rigor, diferente de pessoa para pessoa. Até as
respostas de uma mesma pessoa, face a ambientes semelhantes, variam em
diferentes ocasiões”. Esses
são alguns pontos importantes que, se levados a sério, poderão influenciar as
pessoas na preocupação sobre a importância que o espaço de lazer representa
para a qualidade de vida das pessoas. E ai que entra o poder público como o
grande regulador. O PAPEL DO PODER PÚBLICO Bramante
(1993, p.164) coloca que o lazer no nosso país será afetado pela preservação
do meio natural e também pelos critérios que definem o espaço construído,
existindo toda essa reivindicação por um maior espaço de área verde. “A
discrepância, inicialmente quantitativa, já se faz sentir com a preocupação
do Poder Público em elevar o número de metros quadrados por habitantes, pelo
menos nos níveis recomendados pela ONU, que é de 12m (quadrados) por
habitante”. A qualidade de espaço urbano é um fator bastante importante que
está despertando interesse em várias classes da sociedade. Isso propiciará um
impacto na qualidade da experiência de
lazer. O que a população almeja é um ambiente natural sem poluição e
contaminação e um ambiente artificial construído harmoniosamente. A
partir da abordagem de Bramante (1993), existe um ponto crucial de
responsabilidade do Poder Público que seria a implantação de recursos urbanos
de recreação e lazer e a qualidade dos serviços básicos. Um ponto importante
na elaboração de outros espaços de lazer está exatamente no cumprimento da
legislação que define a alocação de espaços institucionais em novos loteamentos. Mas a área destinada
pelo loteador para o lazer é imprópria (brejos, buracos), colocando em risco
a implantação de um equipamento nessa área que, de acordo com a legislação
municipal, deve ser anteriormente analisada e aprovada. Quanto
à implantação de recursos e equipamentos de lazer, um ponto básico que as
administrações pouco levam em conta é pesquisar junto à comunidade qual seu
interesse e suas necessidades. Quem deseja algo, participa da tomada de
decisões, acompanha o desenvolvimento da obra e por último usufrui daquilo
que ajudou a decidir; tem mais possibilidades de se comprometer com o seu
cuidado e com o seu uso em experiências significativas para si e, portanto,
qualificadas. O
governo tanto municipal, como estadual ou federal, precisa observar o fato de
que a construção de uma instalação de lazer e recreação representa somente
15% do custo total exigido para a sua posterior manutenção. Ou é necessário
prever um valor anual de, em média, 10% do valor da construção para fins de
mantê-la e de promover animação. É de fundamental importância observar na
instalação de equipamentos de recreação a redução das barreiras
arquitetônicas, pois essas impossibilitam as pessoas idosas e ou portadoras
de deficiência de usufruírem dessas áreas. “Na administração do espaço
urbano, na medida em que a população busca novas experiências de lazer, o
grande impasse estará em estabelecer o equilíbrio inteligente entre o seu uso
e a sua preservação” (Bramante,1993,
p.165). Referente
aos equipamentos, Santini (1993) afirma que o homem sente necessidades
durante sua vida, e busca, ao seu redor, satisfazer essas necessidades
constantes. Quando essas são satisfeitas, utiliza-se deste novo comportamento
para enfrentar outras situações que poderão ocorrer no futuro, do contrário,
permanece sua busca. Essas necessidades podem ser classificadas em físicas,
psicológicas e sociais, sendo motivadas por fatores externos ou pelo próprio
organismo. A satisfação ocorre a partir de algum objeto do meio ambiente. Segundo
Santini (1993. p. 45): “Este constante
aprendizado, através do qual o homem adquire familiaridade com os ambientes
que freqüenta, faz com que desenvolva suas capacidades de orientação e
identificação. Em seu nível mais elevado, essas capacidades irão significar
sua total interação com o mundo físico”. Entende-se,
a partir dessa abordagem, que o homem sente-se como parte integrante do
espaço, do ambiente em que vive, conseguindo
orientar-se, atribuindo-lhe importantes significados. Todo ser humano
deseja essa interação, mesmo que inconscientemente. Quando percebe seus
sentidos de orientação e identificação enfraquecidos, ou quando as
necessidades se tornam presentes, o homem, procura explorar o que o cerca,
buscando a satisfação para restabelecer sua imagem ambiental. A partir disso,
ele concretiza seu espaço existencial, utilizando a criação ou a modificação
do espaço físico (Santini,1973). Os
planejadores dos espaços procuram organizar, a partir de um princípio de ordem,
códigos que possibilitem à população utilizar o espaço e equipamentos,
possibilitando a formação de novos hábitos urbanos, desenvolvendo
possibilidades de opção (ibidem). Um
dos aspectos que deve ser levado em consideração antes de se elaborar um projeto
para uma instalação física para o lazer é a aplicação de uma pesquisa
diagnóstico de necessidades junto aos futuros usuários, que leve em
consideração o que as pessoas desejam e não possuem, que estabeleça as
prioridades, observando o que mais foi destacado pela maioria. Porém, o
projeto além de levar em consideração o interesse da maioria da comunidade, e
de grupos marginalizados (deficientes, crianças etc) deve ser elaborado por
uma equipe multidisciplinar (engenheiro, arquiteto, profissional da educação
física, sociólogo, representante da comunidade etc.) e levar em consideração
que este espaço satisfaça a todos os conteúdos culturais do lazer. O
entendimento que se faz dos conteúdos culturais baseia-se em Dumazedier
(1980) e Camargo (1986) para os quais os conteúdos culturais do lazer são:
social, turístico, artístico, físico-esportivo, intelectual e manual
representados segundo Müller (2002) nesta sigla (STAFIM)[2],
e não aquele reduzido somente a um conteúdo: o físico-esportivo. Ainda
conforme Santini (1993, p.46): “o espaço precisa ser organizado observando
os aspectos físicos e mecânicos do movimento proposto, devendo ser ordenado e
animado a partir dos aspectos psicológicos deste mesmo movimento. No momento
de implantar o ambiente urbano, deve-se observar quatro fatores: tempo, espaço, significados e comunicação.
Tempo e espaço as pessoas necessitam para viver; significados no momento que
são bem manipulados auxiliam o homem a perceber o que fazer no ambiente;
comunicação se estabelece no espaço,
momento entre pessoas ou pessoa e objeto”. Ao
abordarmos os equipamentos, nota-se que surge duas formas de análise:
primeiro – equipamento e espaço se confundem, sendo, às vezes, interpretados
como sinônimos; segundo – equipamento e espaço se diferem, pois o espaço é
considerado suporte para os equipamentos e mobiliários, portanto os
equipamentos são objetos que organizam o espaço para uma forma de atividade.
Sendo assim, existem dois conceitos operacionais a respeito dos equipamentos
de lazer: um seria o conjunto de instalações
que servem de apoio às atividades, e o outro conceito seria as instalações específicas (quadra,
praça, pista), observando o uso dado a elas (ibidem). Ao
ser projetado um espaço com equipamentos para o lazer, necessariamente deve-se
levar em conta os conteúdos ou interesses do lazer, para que se contemplem o
maior número de opções possíveis, para que os usuários vivenciem experiências
significativas, de qualidade e diversificadas. Isso oportunizará que o espaço
criado possa ser um espaço pedagógico que ofereça a oportunidade para que as
pessoas sejam educadas para e pelo lazer. A seguir apresentam-se tabelas com os
equipamentos, instalações e tipologias de lazer extraídas de Santini (1993, p. 49 – 53): TABELA
1 - Equipamentos de lazer
CORONIO, G., & MURET, J. P. Loisirs – guide pratique des équipements, Centre
de Recherche D’Urbanisme, Paris, 1976. TABELA
2 - Equipamentos e instalações de lazer
Nota: Estudo elaborado por Wilson Luis Pina e
complementado pela Profª Rita C. Giraldi Santini. TABELA
3 - Tipologia dos equipamentos de lazer
I
Nota: Elaborado pela Profª Rita C. Giraldi Santini,
baseado em “Sugestões para uma política de localização dos Equipamentos” –
Renato Requixa. TABELA
4 - Tipologia dos equipamentos de lazer II
Nota: Elaborado pela Profª Rita C. Giraldi Santini,
baseado em “Sugestões para uma política de localização dos Equipamentos” –
Renato Requixa. Ao
elaborar políticas públicas para um município, a autoridade encarregada
precisaria possuir um mapeamento de todos os espaços físicos públicos e não
públicos (empresas, escolas, clubes etc.) e, inclusive, através de pesquisa,
verificar qual dos seis conteúdos culturais de lazer (SATFIM) é o priorizado
pelo povo? Quais os conteúdos que são pouco desenvolvidos? Quais os espaços
físicos que ainda o município não possui para atender ao solicitado? Quais os
espaços intensamente ocupados? Quais os espaços ociosos? Por que são ociosos?
É preciso saber se o povo tem acesso fácil e barato aos espaços de lazer
(distância). Como a população ocupa seu tempo livre? Em casa, fora da casa,
na vizinhança, no clube, no parque municipal ou em viagens? As
autoridades e a população devem se dar conta de que, se temos mais tempo
livre na atualidade, em relação ao passado, esse tempo deve corresponder,
também, a um espaço disponível. Todos esses dados conhecidos irão dar maior
possibilidade de estabelecer um rumo mais adequado ao encaminhamento para um
planejamento de uma política pública que deverá traçar seus princípios,
prioridades e estratégias, o que culminará na elaboração de um plano
municipal de lazer e esse na realização de programas.Um desses poderá ser o
programa de infra-estrutura de lazer, (espaços, instalações e equipamentos),
mas principalmente nestes espaços é
que irá nascer a animação cultural, pois em ela o espaço é morto e sem
significado. O
lazer como um elemento de desenvolvimento das pessoas e da sociedade
precisa ter como filosofia a promoção
sustentável dos espaços e de seu uso assim o fator ambiente deve ser uma
preocupação permanente de qualquer política pública e sinaliza desde logo
para que o lazer seja visto como uma atividade interdisciplinar, pois
necessita se articular com muitas outras disciplinas para se concretizar
plenamente. O
ser humano, em crescente busca de seus ideais, utiliza-se de formas maciças
para atingir as energias e as matérias existentes no planeta, objetivando sanar
seus desejos e necessidades (ambições). Essa busca exacerbada resulta num
desequilíbrio das complexas cadeias de vida que estavam em construção durante
vários anos. Com o rápido desenvolvimento da sociedade, esse desequilíbrio
vai aumentando, e a terra tornando-se um lugar ameaçado de morte e não mais
de origem e criação de vida. Para rebater essa posição, na década de 70 a
sociedade iniciou um movimento ecológico ou ambiental que se preocupava com o
meio ambiente, sendo um novo paradigma a influenciar o comportamento humano
(Franco, 1997). Nos
últimos anos, o lazer surgiu como um setor fundamental para a economia e
qualidade de vida da sociedade. O turismo procura por espaços que possam
oferecer atrativos dos mais variados tipos para as pessoas, movimenta enormes
somas de recursos e um grande numero de indivíduos. Sendo assim, os recursos
ambientais interagem com o lazer, a cultura e a saúde da população, pois é a
base física onde se formam as dinâmicas econômicas e culturais. É importante
possuir um desenvolvimento que observe e realize a manutenção das condições
ambientais, para que a finalidade de vida das gerações seja preservada e
incrementada como um direito fundamental de todos (ibidem). Para
Cavalcanti (1997), o crescente interesse em realizar turismo junto à natureza
decorre do “stress” urbano. Essa atividade visa à recuperação psicossomática
e à melhoria da qualidade de vida. O lazer e as atividades turísticas junto à
natureza exigem um compromisso com a sua preservação, baseado nos princípios da responsabilidade social. Se as atividades
realizadas procuram satisfazer o desejo que o ser humano possui de estar em
contato com a natureza, descobrindo o potencial turístico das áreas em que
presencia belezas naturais, à preservação e o desenvolvimento evitam o
impacto negativo sobre a ecologia, a cultura e a estética. Daí ser
fundamental o planejamento e a organização desses espaços, dos equipamentos
presentes e das atividades realizadas para evitar esses impactos negativos
sobre as áreas visitadas e para manter a atratividade dos recursos naturais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Cabe
aos municípios, em suas políticas públicas, promover a criação de espaços a
serem disponibilizados à comunidade, tais como parques e áreas verdes,
porem preservados e administrados de
maneira sustentável. Cabe-lhe também, estimular a iniciativa privada para
criação de parques rurais que ofereçam lazer para a população do meio urbano,
tão necessitada por interagir com o meio ambiente natural. É
importante o serviço de conscientização da população quanto à preservação
ambiental e fica a educação para e pelo lazer. Todos poderão usufruir dos
benefícios do lazer e do meio ambiente, se preservado e cuidado. Portanto,
promover para as crianças, jovens e adultos experiências educativas lúdicas
junto à natureza é obrigação do poder público que é comprometido com a
qualidade de vida da população. E isso deve ser explicitado através de
planos, de programas e de eventos. Esse compromisso, no entanto, não tem sido encontrado nos órgãos de turismo, esporte
e cultura de cinco municípios do Vale
do Rio Pardo pesquisados por Muller (2001). | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||