Evento religioso y ocio y recreación: Vivencia académica en la Peregrinación de Madre Paulina.

 

EVENTO RELIGIOSO E LAZER: VIVÊNCIA ACADÊMICA NA PEREGINAÇÃO DE MADRE PAULINA

 

Lizete de Oliveira Crispim[1]

14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002.

UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil.

 

 

 

RESUMEN

El presente articulo procura relatar la peregrinación de la Madre Paulina a través de dos enfoques: uno teórico, rescatando la epistemología y la historia de las peregrinaciones, y otro práctico, ocupándose del evento. El ocio y la recreación no fueron considerados como el tiempo libre producido por la lógica capitalista para la reposición de las energías físicas para la próxima jornada de trabajo. Demuestra que un evento religioso necesita de planeamiento como cualquier otro evento profano. Destaca una característica diferenciada del perfil tradicional del “recreador” y el desempeño de los académicos del curso de Gestión do Lazer e Eventos da UNIVALI (Universidad do Vale do Itajaí).

 

RESUMO

O presente artigo procura relatar a peregrinação de Madre Paulina a través de dois enfoques: um teórico, resgatando a epistemologia e a história das peregrinações, e outro prático, ocupando-se do evento. O lazer no foi considerado como o tempo libre producido pela lógica capitalista para a reposição das energías físicas à próxima jornada de trabajo. Demonstra que o evento religioso necesita de  planejamento como outro qualquer evento profano. Destaca uma característica diferenciada do perfil tradicional de “recreador” e o desempenho dos acadêmicos do curso de Gestão do Lazer e Eventos da UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí).

Palavras chave: peregrinação – lazer- evento religioso.

   

INTRODUÇÃO

As instituições públicas e privadas, sob a preocupação com a economia, bolsas de valores, juros, crescimento ilimitado de bens e serviços materiais, sustentam o mercado neoliberal na competição, que segundo BOFF(2000), é anti-social, implica a negação do outro, recusa a partilha; é excludente, inumana e faz muitas vítimas.                

A sociedade contemporânea, atulhada de aparatos tecnológicos, vive tempos de impiedade e insensatez, concentrando-se, quase exclusivamente, no valor do ter, do intelecto e do profissionalismo, o que requer repressão e negação.  Tanto como indivíduo como agente de cultura, o homem se esquece de coisas importantes, inclusive identidade e valores. Na primeira epístola aos coríntios, o apóstolo Paulo lembra que, apesar da sábia tecnologia, somos apenas intendentes dos mistérios de Deus.

Os valores, as regras não podem ser mais importantes que as pessoas, porque, se assim fossem, as relações se tornariam desumanas. O ser humano não nasceu para se enquadrar na teoria de nenhum pensador. Pelo contrário, ele próprio deve eleger as prioridades da sua vida e criar condições para realizá-las.

Procurando um novo enfoque para o futuro comum e seguindo o paradigma do desenvolvimento sustentável, diversas entidades governamentais ou não governamentais procuraram resgatar e discutir com a sociedade pensamentos e conceitos que pudessem estimular a humanidade à prática de novos hábitos.

Sabe-se que o conceito “sustentabilidade” deve permear todos os fenômenos e processos ligados à Terra, às sociedades e às pessoas. Pensar em “ecologia” não é pensar apenas em algo externo, como a paisagem, a limpeza de um rio, os animais em extinção, a camada de ozônio: é pensar também como algo interno que começa dentro de cada um. É o equilíbrio das condições de vida, o equilíbrio ecológico deve começar pela própria ecologia, tanto do ponto de vista espiritual quanto físico.

 

É nesta perspectiva de busca de Deus, de busca de fé, de cura física,  de cura psíquica, de perdão, de misericórdia, de encontro com pessoas que é relatada a “Peregrinação de Madre Paulina”, 53 quilômetros percorridos entre Itajaí e a localidade de Vígolo, em Nova Trento (SC).

Neste contexto, a peregrinação é considerada como lazer e como evento religioso.Como lazer, pelas suas características de livre escolha, participação espontânea, busca de ocupação prazerosa do tempo livre, de forma construtiva, criativa e solidária; ruptura da rotina do cotidiano; possibilidade de convivência, de reflexão do mundo e de sua própria vida; oportunidade do exercício da religião, podendo exprimir, sob formas simbólicas, seu relacionamento pessoal com Deus; momento dinâmico e interessante de produção cultural.

Como evento religioso, segundo as necessidades de organização, estratégias, atividades, recursos financeiros e profissionais.Nesse sentido, apresenta-se a oportunidade para que os acadêmicos do curso de Gestão do Lazer e Eventos da UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí (SC)), colocassem em prática os conhecimentos relativos à organização de eventos.

 

PEREGRINAÇÃO: EPISTEMOLOGIA E HISTÓRIA.

A peregrinação configura-se como um afastamento do cotidiano em busca de um encontro com o mistério, com o ser invisível e transcendente, na certeza de encontrar significado para a trama dos fatos profanos e diários(RAVASI, 1998).

A palavra peregrinação é originária do latim “peregrinus” e significa estrangeiro, itinerante, aquele que viaja ou anda por terras distantes(ROSENDAHL,1998). Antropólogos de renome internacional como Eliade, Leri-Gourhan e Ries identificaram em mapas de deslocamentos do homem, no paleolítico superior, na África, na Índia e na Austrália, algumas trajetórias sacras que levavam ao santuário. Desde então, o homem tem sido peregrino, envolvendo a terra em uma rede de fatos sacros que se estendem, não só no espaço, como também no tempo.

Peregrinar numa sociedade global, é multifocal. Há muita diversidade de peregrinações, porém, constituindo uma unidade religiosa. Nas diversas crenças: islamismo, hinduísmo, budismo, taoísmo, shintoísmo, catolicismo e outros grupos menores, existe o costume das peregrinações. Independente da religião, peregrinar é fazer penitência, é orar, é agradecer graças recebidas, é fazer súplicas. É  também momento para regenerar  forças e condições espirituais do ser humano.

A simbologia religiosa da peregrinação é a passagem do homem pela terra, cumprindo o seu tempo de provas para merecer o paraíso perdido. E o peregrino é um caminheiro que faz o seu próprio caminho. Passar de caminhante a peregrino é uma aposta espiritual que responde a uma chamada transcendente (de Deus), a um desejo de chegar a um lugar santo e sagrado (santuário), segundo SAMPAIO (1990),

Lugar onde se cultiva a religiosidade popular, dotado de significado divino, lugar sagrado. Meca é o centro de peregrinação do islamismo; Benares, do hinduísmo; Mandala, do budismo; Lhasa, do lamaismo; Kyoto, do xintoísmo (ROSENDAHL, 1999).

Jerusalém (Israel), situada no topo dos montes da Judéia, é cidade sacra à humanidade. É “El Kuds”, a Santa, para os muçulmanos; é  “Yerushalayim”, a Cidade da Paz para os hebreus; para os cristãos, é o lugar da Paixão e da Crucificação de Jesus (MAGI, 1991). A Terra Santa constituiu, durante séculos, o centro vital de peregrinação, em especial no “Ano jubilar” (2000), para comemorar os dois mil anos de Cristo.

Para os cristãos, Roma (Itália) é a outra grande meta de convergência, lugar de martírio de Pedro e de Paulo e sede do catolicismo mundial. Roma deu origem à palavra “romaria”, peregrinação cristã ao túmulo de São Pedro, iniciada no século V, e o termo “romeiro” vem sendo adotado, nos países de língua portuguesa, como sinônimo de peregrino

Jerusalém, Roma, os santuários dos mártires e santos e os santuários de Maria são os quatro pontos cardeais da peregrinação cristã. A religião cria a idéia do espaço sagrado, santuários ou morada dos deuses, separado do espaço profano, onde transcorre a vida profana dos humanos.  (CHAUÍ, 1995)

No Brasil, os centros de devoção e as romarias constituem, ao longo da história brasileira, o lugar de maior expressão coletiva da religião popular, segundo AZZI (1974). 

Os santuários recebem milhares de romeiros em suas práticas devocionais; em alguns, as peregrinações ocorrem durante todo o ano; em outros, somente nas festas e ocasiões especiais.

O Santuário maior do Brasil é dedicado a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. A sua primeira capela é de 1745, onde já havia orações e celebrações litúrgicas (Missa). As romarias, as manifestações espontâneas dos devotos começaram a crescer em número e qualidade.

Em 1888, aconteceu a inauguração de uma Igreja maior que recebeu o privilégio de Basílica Menor. O atual Santuário com capacidade para 56 mil peregrinos foi consagrado, solenemente, pelo Papa João Paulo II, em 1980, ocasião em que afirmou: “A devoção à Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos”.

A partir desta data, recebe peregrinações durante o ano inteiro, mas, no dia 12 de outubro, dia consagrado a Nossa Senhora Aparecida, mais de 50 milhões de devotos prestam o seu ato de honra, reverência, estimação e louvor à padroeira do Brasil.

O Santuário Santa Paulina é o segundo mais visitado, fato decorrente dos processos de sua beatificação (1991) e de sua canonização (2002), respectivamente. Neste momento histórico, Vígolo (Nova Trento), encontra-se diante de uma missão de expressivas proporções, com exigências novas, mas de inestimável valor na teologia: pode tornar-se um centro excepcional de fé e de vida cristã, de vida nova para muitas pessoas. A Congregação da Imaculada Conceição irá construir “um templo modesto com capacidade para 3500 pessoas. Desistimos de um projeto maior, que não se encaixava no ambiente bucólico da região” (Entrevista com a Irmã Ilze Mees, da comunidade das Irmãzinhas em Nova Trento (SC), maio de 2002).

A presença do peregrino no Santuário é sempre um tempo privilegiado, por isso, deve ser um local de acolhida humana serena, de hospitalidade adequada e de acompanhamento nas etapas espirituais. O roteiro de visitas, orações e celebrações deve ajudar o peregrino a ter um comportamento diferente do turista religioso que, “apesar de buscar o desconhecido, não se preocupa com a essência, bastando-lhe as aparências” (RODRIGUES, 1996, P.19). Para ele, a viagem a um Santuário pode reduzir-se em visitar o lugar, fazer algumas orações, comprar lembranças, enviar cartões e fotos, escutar uma Missa e voltar o “mesmo”.

A peregrinação é um símbolo, uma expressão da cultura de um povo, de sua religiosidade, lutas, esperanças, desejos, anseios, sofrimentos, conquistas. O fenômeno das peregrinações é complexo, rico, diversificado, peculiar de cada país, de cada região.

             

PEREGRINAÇÃO DE MADRE PAULINA: LAZER

A peregrinação em honra à Madre Paulina, motivada pela passagem da data de sua canonização em Roma, no dia 19 de maio de 2002, foi uma demonstração de fé, de amor, de carinho, de coragem e de apostolado. 

Foi também um momento de lazer dado as suas características de quebra de rotina. Segundo TUAN (1983),  estar no lugar representa os hábitos repetitivos do cotidiano e, fora do lugar, a ruptura das rotinas. A caminhada de 53 quilômetros entre Itajaí e Nova Trento foi uma ruptura dessas rotinas para a penitência, para a oração, para a reflexão, para a regeneração das forças e das condições espirituais.

Na Antiguidade clássica, os primeiros sentidos de lazer estavam relacionados ao ócio, que, para os gregos, significava desprendimento das tarefas servis, condição propícia à contemplação, à reflexão e à sabedoria. Representava um exercício em forma elevada, atribuído à alma racional: “os tesouros do espírito eram frutos do ócio”(WERNECK, p. 21).

No período Medieval, a doutrina cristã coloca Deus como o elemento que vai dar novo sentido às concepções de trabalho e lazer. Tanto o trabalho como o lazer deveriam ser desprovidos dos prazeres da vida mundana. Daí o “sentido etimológico da palavra lazer, oriunda do termo latino licere, criado desde os tempos áureos da civilização romana: designava as práticas culturais alegres e festivas consideradas lícitas, permitidas” (WERNECK,20000, p.36). Isso significa que a vida profana do cristão será definida por sua relação espiritual e interior com Deus, manifestada através das virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

Foi a fé em Madre Paulina que moveu esse grupo a percorrer o mesmo caminho que ela teria percorrido com sua família em 1875. É evidente que a situação era bem diversa: naquela época, a caminhada foi obrigatória, incerta e insegura. Não havia ambulâncias, sanitários móveis, carros de apoio, carro de som, distribuição de água mineral, Pavilhão da Fenarreco para o merecido repouso.

 A fuga da rotina não foi uma opção, mas, uma imposição da situação política e econômica vigente na Itália, em meados do século XXIX. O trajeto não foi uma escolha, mas uma questão de sobrevivência. Não foi um caminhar com entretenimento e diversão, mas, com apreensão e medo. Talvez não tenha sido uma oportunidade do exercício da religião, podendo exprimir, sob formas simbólicas, seu relacionamento pessoal com Deus. Ao contrário, pode ter representado momentos de revolta e angústia por tanto sacrifício.

 Embora tenha percorrido o mesmo caminho, a peregrinação em homenagem à canonização de Madre Paulina apresentou características bem diversas. O motivo foi fundamentalmente religioso; a participação foi voluntária; a ocupação do tempo livre das tarefas do cotidiano foi prazerosa, no sentido genérico de prazer, relacionado às coisas que causam sensações agradáveis. A satisfação de estar com pessoas amigas ou estranhas; a busca de satisfação e conforto espiritual; a esperança por melhores condições de vida, maior renda e melhor emprego.

 A peregrinação pelos caminhos de Madre Paulina, no sentido etimológico do lazer, foi uma prática cultural, alegre e festiva. considerada lícita, permitida. Foi um momento de alegria, de muita emoção; foi um momento especial de agradecimento por graças recebidas; foi uma experiência de vida fraterna na fé, por meio da oração, do sacrifício da caminhada a pé, da partilha generosa com todos.

 A peregrinação foi uma quebra da rotina para o encontro com o divino, para uma ação de graças ou intercessão; um encontro com alguém que o pudesse libertar, retomando, em seguida, a vida cotidiana com o coração mudado, fortificado pela mesma fé que fez Madre Paulina viver intensamente e tornar-se santa. Foi um lazer “especial” que deixou, na mente de cada participante, a certeza de que o ser humano é dotado de forças suficientes para superar qualquer dificuldade, ao lembrar a frase repetida, muitas vezes, por Madre Paulina durante a sua vida “Não desanimeis jamais, embora venham ventos contrários”.    

 

PEREGRINAÇÃO DE MADRE PAULINA: EVENTO RELGIOSO.

Constatou-se que peregrinação é uma vivência de fé; é um ato de piedade cristã; é um símbolo da Igreja; é o caminhar para um local sagrado em busca de paz interior. E por que evento religioso?   Porque o caminho da peregrinação e a acolhida no Santuário devem estar em sintonia e, para que isso aconteça, é necessário: coordenação, planejamento, organização, orientação e animação. E isto não pode ser feito isoladamente, nem deixar à boa vontade de pessoas ou a improvisação de organizações turísticas sem competência profissional.

 Percebendo a necessidade de um planejamento para a organização e  a realização  da “Peregrinação de Madre Paulina”, os responsáveis eclesiais reconheceram na coordenação e nos acadêmicos do curso de Gestão do Lazer e Eventos da UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí), profissionais aptos para organizar esse acontecimento religioso que envolveu mais de 500 pessoas.

 Para que isso aconteça com êxito, é importante a presença de profissionais habilitados no desenvolvimento de atividades e na implantação de infra-estrutura  capaz de garantir o sucesso dos objetivos propostos. Assim, o evento é a execução do projeto de um acontecimento devidamente planejado, organizado e realizado.

 Embora a atividade “organizador de eventos” não seja prerrogativa de um profissional específico, é necessário que esse profissional realize um trabalho eficaz e eficiente, a fim de evitar situações constrangedoras e divulgação negativa do seu trabalho. Diante disso, e levando em consideração que o curso de Gestão do Lazer e Eventos oferece, na grade curricular, as disciplinas Eventos I, II e III, acredita-se que os profissionais desta área estejam melhor preparados para atuar nas organizações de eventos.

 O sucesso da “Peregrinação de Madre Paulina” pode comprovar, na prática, esta afirmação. Para alcançar os objetivos previstos fez-se um planejamento, considerando coordenação, preparação, organização, orientação e  avaliação.              

 Nesta perspectiva, a “Peregrinação de Madre Paulina” pode ser conceituada como um evento religioso cujo objetivo geral foi comemorar sua canonização e como objetivos específicos: - levar um grupo de peregrinos de Itajaí até Nova Trento, trilhando o mesmo caminho que ela havia percorrido em 1875, época da sua chegada ao Brasil, vinda de Vígolo-Vattaro na Itália; - relembrar, durante a peregrinação, fases importantes da sua vida, como exemplo de fé, coragem, força e luz; - proporcionar uma experiência de vida fraterna na fé, por meio da oração, da penitência, da ação de graças e de súplicas; - possibilitar a convivência com amigos e desconhecidos, num clima de alegria, de bem estar, de emoção e de fraternidade; - considerar o Santuário um lugar privilegiado para a escuta e a meditação da palavra de Deus, lugar de oração, de reconciliação e de conversão; - sentir-se no retorno, um sujeito revitalizado com  possibilidades de assumir as mensagens da peregrinação: muita fé, engajamentos na comunidade, testemunho de cristão.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O lazer não foi considerado como o tempo livre produzido pela lógica capitalista para a reposição das energias físicas à próxima jornada de trabalho; foi  visto numa outra função: reposição das forças espirituais.   O lazer usufruído durante a peregrinação não teve como finalidade o aspecto econômico, mas o espiritual. Foi um motivo especificamente religioso, um meio sacro de viver o tempo livre.

Peregrinar é uma religiosidade popular da pós-modernidade; é uma nova cultura: jovens, adultos, universitários, artistas, escritores, pessoas que não freqüentam a Igreja, não participam de missas, não comungam, fazem caminhadas a pé em Compostela (Espanha), representando dimensão de liberdade e desejo de recuperação da fé.

A peregrinação como evento religioso provou que merece planejamento de todas as atividades como outro qualquer evento profano. Esta necessidade supõe um diálogo do curso de Gestão do Lazer e Eventos (e de outros cursos desta área) com as instituições eclesiais, visando um trabalho permanente nas organizações de eventos religiosos.

A peregrinação possibilitou destaque a uma característica diferenciada do perfil tradicional de “recreador”, o de animador “espiritual”. O resultado da avaliação mostrou um desempenho eficaz da equipe organizadora: 98% dos participantes achou que o “treinamento para facilitadores” foi “ótimo”; 97% conceituou a “decoração” como “ótimo”; o cerimonial de abertura foi considerado, por 92%, “ótimo” e, por 6% “bom”.

Espera-se que o texto possa ter plantado, no coração de algum leitor, a semente do equilíbrio ecológico, o equilíbrio que deve começar pela própria ecologia, tanto do ponto de vista espiritual quanto físico. Assim, o conceito de lazer, apresentado por PIEPER (1962) contribui para fechar a discussão do artigo: “O lazer é uma atitude da mente e uma condição da alma que fomenta a capacidade de perceber a realidade do mundo. Sua premissa básica é que a cultura depende, da sua própria existência do lazer, e este por sua vez não se concretiza, a menos que seja através de uma duradoura e viva ligação com o “cultus”, isto é, com o culto divino” (apud BRAMANTE,1990,p.92). 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZZI, R. As romarias no Brasil. Revista de Cultura Vozes, Ano 73,vol. LXXIII,  maio/79, nº 4.

BOFF, L .Saber Cuidar –Ética do humano-compaixão pela terra.Rio de Janeiro: Vozes,2000.

BRAMANTE, A.C. Estamos Vivendo uma Civilização do Lazer? Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Campinas, 4 (04): 91-94, 1990.

CHAUÍ, M. Cultura do povo e autoritarismo das elites. In: VALLE, E.e QUEIROZ, J.   A cultura do povo.3ª ed., São Paulo:Cortez, 1985.

_________:Convite À Filosofia.São Paulo:Ática,1995.

MAGI, G. Israel. Florença: Centro Stampa Edittoriale Bonechi, 1991.  

RAVASI, G. La peregrinación en la teologia y en la historia. In: Los caminos de la humanidad peregrina –cruzando el umbral del año 2000. In Consejo Pontificio Para La Pastoral De Los Emigrantes E Itinerantes (org) Los caminos de la humanidad peregrina cruzando el umbral del año 2000. Roma: Liberit, 1998; p.60-69.

RODRIGUES, A.B. Turismo e Geografia: Reflexões Teóricas e Enfoques Regionais. São Paulo: Hucitec, 1996.

SAMPAIO, F. J. T. Santuário. 4º congresso Internacional das Cidades-Santuário, 1990 em Fátima – Portugal (mimeografado)

TUAN,Y.F. Espaço e lugar. São Paulo: Difell,1983.

WERNECK, C. Lazer, trabalho e educação: relações históricas, questões contemporâneas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000.

 

 

 

Red Latinoamericana de Recreación y Tiempo Libre  |  Red Nacional de Recreación

Fundación Colombiana de Tiempo Libre y Recreación / FUNLIBRE

 



[1] Professora dos cursos de: Geografia e Ciências Sociais  Pesquisadora do curso de Gestão do Lazer e Eventos da UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí (SC) -  Mestre em Turismo e Hotelaria- UNIVALI  E-mail: lizete@cttmar.univali.br