Socios del Futuro: Analizando las expectativas y las barreras sociales del Ocio y la Recreación de los participantes de la Escuela Estadual en Diadema/SP.

 

PARCEIROS DO FUTURO: ANALISANDO AS EXPECTATIVAS E AS BARREIRAS SOCIAIS DO LAZER DOS PARTICIPANTES DA E. E. NICÉIA ALBARELLO FERRARI EM DIADEMA/SP[1]

 

Edimício Flaudísio Silva[2]

Olívia C. F. Ribeiro[3]

14 ENAREL. 13 a 16 de Noviembre de 2002.

UNISC. Santa Cruz do Sul – RS. Brasil.

 

 

 

RESUMEN

La recreación es uno de los derechos establecidos en el Artículo 6º de la Constitución brasilera, al lado de la salud, educación y otros que son necesarios para ejercer la ciudadania. En Diadema/SP, desde febrero de 2001, la Escuela Estadual Nicéia Albarello Ferrari viene abriendo sus puertas con el Programa de Gobierno Estatal Parceiros do Futuro, ofreciendo diversas actividades de ocio y recreación desarrolladas por monitores y voluntarios durante los fines de semana. En este, muchos alumnos y moradores participan de esta programación de ocio y recreación. El objetivo de este estudio fue verificar si las actividades ofrecidas por el Programa Parceiros do Futuro en la E.E. Nicéia Albarello Ferrari, en Diadema/SP, vienen atendiendo a los intereses de la población en relación con el ocio y la recreación y, en consecuencia, si existen barreras sociales y, en caso afirmativo, como estas podrían ser superadas. En este estudio fue realizada una investigación bibliográfica y descriptiva. Fueron entrevistadas 32 personas, de ambos sexos, adolescentes y adultos, participantes del Programa. Los resultados mostraron que el Programa viene atendiendo a las expectativas de la población de la ciudad. A pesar de esto, varias actividades fueron sugeridas por los entrevistados y serán incluidas en el futuro en el Programa. El Programa también ha contribuido a disminuir las barreras sociales para el ocio y la recreación, principalmente el factor económico y la falta de espacio para participar de las actividades de recreación.

 

RESUMO

O lazer é  um dos direitos  assegurado no Artigo 6º da Constituição brasileira, ao lado de saúde, educação e outros que são necessários para exercer a cidadania. Em Diadema/SP, desde fevereiro de 2001, a Escola Estadual Nicéia Albarello Ferrari vem abrindo seus portões com o Programa do Governo Estadual Parceiros do Futuro, oferecendo diversas atividades de lazer desenvolvidas por monitores e voluntários aos finais de semana. Nesta, muitos alunos e moradores participam desta programação de lazer. O objetivo deste estudo foi verificar se as atividades oferecidas pelo Programa Parceiros do Futuro na E.E. Nicéia Albarello Ferrari, em Diadema/SP, vem atendendo aos interesses da população em relação ao lazer e, ainda, se existem barreiras sociais e, em caso afirmativo, como estas poderiam ser transpostas. Neste estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica e descritiva. Nesta foram entrevistadas 32 pessoas, de ambos os sexos, adolescentes e adultos, participantes do Programa. Os resultados mostraram que o Programa vem atendendo às expectativas da população da cidade. Apesar disto, várias atividades foram sugeridas pelos entrevistados e serão incluídas no Programa futuramente. O Programa tem, também, contribuído para diminuir as barreiras sociais para o lazer, principalmente o fator econômico e falta de espaço para participar das atividades de lazer.

 

INTRODUÇÃO

         O lazer tem sido considerado como um direito do cidadão previsto, inclusive na Constituição Brasileira. Aos poucos a população vem se conscientizando deste fato e o poder público, também, tem buscado ações que façam “valer este direito”.

         Apesar destes esforços muito há o que se fazer para que a população possa desfrutar deste direito, ao lazer. Faltam espaços específicos, faltam verbas para manutenção destes locais, a violência está cada vez maior, entre outros fatores que acabam limitando o lazer da grande parcela da população. O foco deste estudo foi a escola Nicéia Albarello Ferrari que recebe, em média, cerca de 600 pessoas aos finais de semana, que participam de diversas atividades de lazer.

         A idéia deste trabalho surgiu com a intenção de associar o Programa Parceiros do Futuro da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo como experiência para observar se as atividades oferecidas aos finais de semana contribuem para diminuir as barreiras sociais da comunidade de Diadema/SP.

         Diadema/SP, cidade do conjunto ABCD (Santo André, São Bernardo e São Caetano) é uma cidade com grande precariedade de projetos de lazer.

         O Programa Parceiros do Futuro oferece atividades de lazer aos finais de semana nas dependências das escolas estaduais atendendo, no momento duzentas escolas em todo o Estado, com possibilidade de ampliar. Em Diadema/SP, cinco escolas são atendidas pelo Programa.

         Este estudo buscou verificar se as atividades oferecidas pelo Programa Parceiros do Futuro na escola E.E.Nicéia Albarello Ferrari em Diadema/SP vem atendendo às expectativas da população em relação ao lazer e, ainda, se existem barreiras sociais para estas pessoas e como estas podem ser transpostas.

 

DESENVOLVIMENTO 

       Segundo Marcellino (1995) exprimindo conceitos de filósofos e cientistas da área social, a palavra “lazer” faz parte do vocabulário técnico e científico há muito tempo. A novidade fica por conta do seu uso no nível corrente, em que as palavras são adotadas de significados imediatos. Está ligada, assim, ressalta o autor, à relação do homem com a realidade experimentada. Sua inclusão se deu a partir de situações vivenciadas ou desejadas e sua utilização nada mais é que a vontade dessas experiências. Assim, as pessoas só observam o sentido daquilo que está próximo das suas necessidades e desejos fundamentais, ou seja, que lhes é significativo, aponta o autor.

         Marcellino (1995) ainda esclarece que o importante é destacar que a difusão da palavra ao nível comum do vocabulário dá-se como objetivo da vivência ou da necessidade do lazer e, sendo assim, seu sentido varia de acordo com a situação sócio-econômica, a faixa etária e o sexo das pessoas. Considerando que, na nossa sociedade atual, devido a vários fatores, quase toda a interação social se dá através da linguagem verbal e que, portanto, a compreensão de seus símbolos é fundamental para a compreensão da própria realidade. Essas diferenças na apropriação do significado da palavra dificultam o entendimento do fenômeno lazer pela população em geral. O uso da palavra fica, assim, restrito a atividades específicas ou a juízos de valor a ela  associados, enfatiza o autor.

Não se tem consenso assim, entre a população em geral, nem entre os técnicos da área nem mesmo entre os estudiosos do assunto sobre o conceito de lazer.

           Neste trabalho foi considerado o conceito de Marcellino (1987):

 “... cultura compreendida por seu sentido mais amplo vivenciada (praticada ou fruída),  no “ tempo disponível” .É fundamental, como traço definidor, o caráter “desinteressado”  dessa vivência. Não se busca, pelo menos fundamentalmente, outra recompensa além da satisfação provocada pela situação. A” disponibilidade de tempo “significa possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa (p.31)”.

 

 O LAZER E A ESCOLA

            Aqui se discute as atividades de lazer que devem ser desenvolvidas dentro da escola, inseridas na grade curricular ou fora dela, também uma interação escola/ comunidade dando acesso ao lazer de grande parte da população excluída, democratizando o espaço ao exercício do lazer (Almeida, 1999).

    As escolas contam com grandes possibilidades para o lazer, em termos de espaço, nos vários conteúdos do lazer: quadras, pátios, auditórios, salas, entre outros. É importante considerar,ainda que tais espaços tem períodos de ociosidade, em férias e fins de semana a e a existência de vínculos com a comunidade próxima, mostra Marcellino (2000). No entanto, o que se verifica na grande maioria das vezes, é a “abertura” desses equipamentos apenas para “festas”, cujo objetivo principal é a arrecadação de fundos para sua manutenção, avalia Marcellino (2000). 

         Nesta perspectiva, considerando a escola com um equipamento não específico de lazer, mas como um patrimônio coletivo, ou seja, assumindo a defesa, manutenção, conservação deste bem público, a participação da comunidade local  e o lazer, constituem, sem dúvida, ao lado mais agradável e descontraído de sua rotina semanal, completa Marcellino (2000).

          Marcellino (2000) também coloca que a escola pode contribuir na educação para o lazer através de transmissão dos diferentes conteúdos culturais. Ao se considerar a transmissão dos conteúdos culturais do lazer, pela educação formal, é preciso antes de tudo, examinar quais seriam esses conteúdos, alerta o autor.

         Dumazedier (1980) classifica os conteúdos do lazer em várias áreas de interesse: interesses práticos ou manuais, interesses artísticos, interesses intelectuais e interesses sociais. É importante que as atividades de lazer, procurem atender pessoas no seu todo enfatiza Marcellino (2000). Para tanto, é necessário que essas mesmas pessoas, conheçam as atividades que satisfaçam os seus interesses, sejam estimulados a participar e recebam um mínimo de orientação que possam escolher. Em outras palavras, a opção em termos de conteúdos, está diretamente ligada ao conhecimento das alternativas que o lazer oferece e a escola pode contribuir nesta aprendizagem sobre as atividades de lazer (Marcellino, 2000).

         De acordo com Marcellino (1987), para se refletir sobre que tipo de conteúdo de lazer vem sendo utilizado nas nossas escolas, torna-se necessária uma abordagem histórica. Constata-se para este autor, que a educação para o lazer, no campo da educação formal, tem sido quase sempre restrita: de um lado o esporte (educação física), portanto ligada aos interesses físicos, e de outro lado à literatura, música e desenho, ligada aos interesses artísticos e intelectuais.

 

AS BARREIRAS SÓCIO-CULTURAIS PARA O LAZER

         O lazer é um dos direitos assegurados no Artigo 6º da Constituição da República Federativa do Brasil, ao lado da saúde, educação e outros que são necessários para exercer a cidadania (Madsen, 1999). Mesmo assim, nem todas as pessoas têm acesso ao lazer.  

         Marcellino (1995) tem apontado vários fatores que dificultam a participação das pessoas no lazer, devido às barreiras sócio-culturais impostas pela sociedade.

         Assim como a “falta de tempo”, Marcellino (2000) acrescenta outras barreiras sócio-culturais, que dificultam e limitam o lazer da maior partes da população, são elas:

        a) Fator econômico, também denominado de barreiras interclasses sociais, que determina desde o tempo disponível às oportunidades de acesso à escola e contribui, também para uma participação desigual do lazer. Quem tem melhores condições financeiras tem mais acesso às atividades de lazer. Algumas atividades como as práticas esportivas e as artísticas exigem investimento como o aprendizado das técnicas e as compras de materiais, exemplifica Marcellino (2000). Para freqüentar, também outras atividades de lazer oferecidas pelas organizações privadas é necessário pagar ingressos como os parques temáticos e de diversões, os cinemas, os teatros, as casas de shows, entre outros.

          b) Gênero: denominado de barreira intraclasse social. Neste aspecto as mulheres são desfavorecidas comparativamente aos homens devido sua rotina de trabalho doméstica, a dupla jornada de trabalho e principalmente devido às obrigações familiares. Marcellino (2000) acredita que por padrões estabelecidos pela sociedade, as diferenças entre homens e mulheres acontecem desde a infância, quando os meninos são incentivados às aventuras fora de casa enquanto as meninas às brincadeiras em casa. Por essa razão as mulheres tendem a dedicar-se às tarefas domésticas e a falta de horas para a prática de lazer, porque até mesmo nos finais de semana ou férias tem que realizar as mesmas atividades domésticas.

           c) Faixa etária, outra barreira intraclasse social, em que a criança e o idoso são esquecidos. A criança por não ter entrado no mercado de trabalho e o idoso por já ter saído do mesmo mercado.

         A relação entre as faixas etárias e a integração ativa das mesmas entrou  nas relações produtivas com princípio de concentração máxima do tempo de trabalho e de inclusão máxima de categorias inteiras (crianças, jovens, adultos, terceira idade), mas a nossa cultura, supervalorizando o trabalho, restringiram nossas atividades a um grupo apenas: os jovens, aponta o autor.  

         Marcellino (2000) acrescenta que a criança cada vez mais vem sendo preparada para o futuro, sendo obrigadas a fazerem cursos e atividades que muitas vezes, não gostam. Esse é o caso de crianças de classe média que os pais, para afastar do perigo das ruas limitam os espaços de lazer e nesses casos faltam à criança lugares para brincar. Os problemas se agravam quando essas crianças são de classes baixas. Estas, complementa o autor, desde cedo tem que trabalhar para ajudar a família em casa, pois precisam complementar o orçamento em casa, tornando mais difícil a vivência do lazer para essas crianças.

         Em relação aos idosos, o autor aponta que, no Brasil e em outros países os idosos são os que menos freqüentam espaços de lazer por diversos motivos. A aposentadoria traz aos idosos falta de condições financeiras, falta de disposição, problemas na locomoção e preconceitos que a sociedade impõe para os idosos limitando sua participação no lazer.          

        d) Esteriótipos, que segundo esse autor, é uma série de preconceitos que ocorre na sociedade que restringem à prática do lazer aos mais jovens, aos mais habilitados e aos quais se enquadram dentro dos padrões sociais estabelecidos de “normalidades”. 

        e) Espaço Urbano: existe uma centralização de equipamentos específicos de lazer em sua localização. Segundo o autor, cada vez mais a população vem sendo expulsa para periferia afastando-se dos espaços de lazer. Devido ao crescimento desordenado, o aumento da população urbana não foi acompanhado pelo desenvolvimento estrutural do lazer, completa o autor.

        f) Violência, acidentes e as drogas fazem cada vez mais as pessoas vivenciarem o lazer em suas casas e apartamentos. O grande número de casos de violência nas grandes cidades intimidam  e afastam os indivíduos do convívio social. Isto contribui para que as famílias fiquem assistindo televisão e as crianças brinquem em espaços reduzidos,  prejudicando o seu desenvolvimento, tornando o problema violência, em mais uma das barreiras para o lazer. 

        Não citada por Marcellino (2000), a religião também pode limitar o lazer das pessoas.

  Em seus estudos, Parker (1978) mostrou que as religiões têm diversas afinidades com o lazer, pois ambos expressam o desejo de bem estar pessoal. No entanto, em algumas comunidades o tipo de crença religiosa influencia as oportunidades de lazer, tanto nos fiéis quanto do público em geral, podendo impedir a participação das pessoas em algumas atividades de lazer.  

 

 PROGRAMA “PARCEIROS DO FUTURO”

         No primeiro semestre de 1999, os meios de comunicação diariamente, publicavam notícias referentes à violência que assolava as escolas públicas de São Paulo e dos Estados Unidos. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, embora a violência estivesse presente nas escolas públicas de São Paulo, ela não era significativa estatisticamente.

         No entanto, a população estava alarmada pela influência dessas notícias.  Empenhado em fortalecer o compromisso assumido com a juventude paulista e levando em consideração os espaços não específicos de lazer na periferia de São Paulo,  o então governador Mário Covas convocou todas as instâncias do governo para criarem medidas de prevenção e redução da violência, por meio de desenvolvimento permanente de ações que promovessem a solidariedade, o respeito, a participação e a convivência social, entendidos como valores fundamentais para educação integral dos jovens paulistas. Surge assim, o projeto Pacto por um São Paulo Melhor, que mais tarde seria denominado de Parceiros do Futuro, por um São Paulo Melhor.

         Baseando-se em exemplos da cidade de Nova York, em 12 de maio de 1999 foi assinada a lei nº10.312, que instituiu o Programa Interdisciplinar e de Participação Comunitária para Prevenção e Combate à violência nas Escolas da Rede Pública de Ensino do Estado de São Paulo. Em 28 de agosto de 1999 foi implantado este programa nas escolas da rede estadual com o objetivo de criar nas regiões mais carentes e violentas da cidade, núcleos de convivência para reunir crianças, jovens e comunidade em geral para participar de atividades esportivas, culturais, entre outras, para mostrar aos jovens que é possível a toda comunidade ter um padrão de vida saudável, educativa e divertida longe das drogas e da violência.

         O espaço utilizado para criação desses núcleos, a exemplo do programa norte americano foi justamente às escolas que passaram a abrir também aos finais de semana com a proposta de estimular a comunidade a trabalhar em conjunto na defesa de seus interesses e necessidades. Desta forma o programa apoiava e dava espaço para os jovens expressarem seus desejos, opiniões e sua criatividade, promovendo também discussão de valores e de questões que os afligem e levando-os a tomar em decisões e solucionar problemas que envolvam suas vidas.

       Como metodologia este trabalho foi uma combinação de pesquisa bibliográfica e descritiva. Nesta pesquisa foi utilizada a coleta de dados através de entrevista  aplicadas a 32 sujeitos de ambos os sexos, adolescentes e adultos, participantes do programa Parceiros do Futuro da E. E. Nicéia Albarello Ferrari.

         Como já citado, o Programa Parceiros do Futuro acontece sempre aos finais de semana em diversas escolas do Estado de São Paulo. A escola estudada foi a E.E. Nicéia Albarello Ferrari em Diadema/ SP.

         Foram realizadas entrevistas com 32 participantes do Programa sendo estes

69 % do sexo masculino, na faixa etária entre 13 e 31 anos. Dos entrevistados, 44 % trabalham em outro município recebendo mensalmente entre um e cinco salários mínimos. A maior parte, contudo, citou estar sem trabalho. A participação no programa pode, desta forma, “aliviar” a tensão do desemprego e de dinheiro para pagar outras atividades de lazer, além de trazer o divertimento, o prazer.

         A pesquisa mostrou, também, que o programa atrai participantes de outros locais uma vez que metade afirmou ser moradores de outros bairros da cidade.

         Ao serem questionados há quanto tempo participam do Programa Parceiros do Futuro a maioria dos entrevistados, (41%), relatou participar há mais de um ano, enquanto 21% participava de um mês  a três meses, 19%   de três a seis  meses e 19%  de seis meses a um ano.

         A maioria dos entrevistados (72%) afirmou não serem alunos da escola onde acontece o Programa, enquanto o restante era alunos desta. Isto mostra que a escola está cumprindo seu papel de ser mais um espaço de lazer para esta parcela da população.

         Ao serem indagados se existe alguém da família que participa do programa, 66%, a maioria, respondeu negativamente. Dentre os familiares que participam do Programa destacaram-se: primos, pais e irmãos.

         Quando foi questionado se os entrevistados freqüentam todos os finais de semana 91% responderam positivamente. A escola tem sido assim um centro de convivência para os moradores de Diadema.

         Quanto aos motivos que levavam a participar do Programa, a maior parte dos entrevistados afirmou ser o “único tempo de lazer que possuem” e que, na escola é um “bom lugar para se divertir”. Outras razões também foram citadas como: “para melhorar a técnica de jogo” e por ser “gratuito”. O Programa está, assim diminuindo as barreiras sociais para o lazer. Como já comentado anteriormente o fator econômico pode ser um fator que dificulta as pessoas a participarem de atividades de lazer.  Sobre o tempo que passavam na escola, o número de  horas variou-se entre duas a dez horas por final de semana.

         Os entrevistados relataram que, durante a semana, no seu tempo de lazer 47% praticam atividades físico-esportivas, 28 % participam de atividades artísticas, 25% responderam não ter  tempo livre, 12 %  de atividades intelectuais e 9 % relataram participar de atividades sociais.

         A falta de tempo pode ser mesmo ser uma barreira para o lazer. Alguns entrevistados 25% mostraram que por trabalhar e estudar durante toda a semana, participar do Programa acabou sendo a única opção de lazer.

         Das atividades de lazer e recreação oferecidas na escola os entrevistados foram questionados das quais mais apreciam. Os resultados mostraram que: 20% gostam de futsal, 16 % de ping pong, 14 % de basquete, 14 % de axé, 8 % de  teatro, 8 % de  capoeira, 7 % de  samba rock. Ainda foram citadas as seguintes atividades: hip hop, skate, futsal feminino e vôlei.

         Quanto às outras atividades de lazer que gostariam de participar, na escola a maioria dos pesquisados sugeriram atividades físico-esportivas seguidas das atividades  artísticas como por exemplo: aula de cavaquinho, coral,  de grafite e de desenhos. Por último, foram sugeridas as atividades  intelectuais como por exemplo: xadrez, leitura e jogos de carta.

         A maioria dos entrevistados (88 %) relatou não ter dificuldades para vir à escola aos finais de semana. Das dificuldades encontradas foram citados a distância da escola e o fato de trabalharem aos finais de semana.

         Mais uma vez o fator econômico aparece como uma barreira para o lazer. A falta de condições financeiras faz com que a dependência de um meio de transporte para chegar à escola seja um gasto inviável para este público.

         Quando questionados se participavam de outras atividades de lazer antes do início do Programa a maioria afirmou positivamente. Para estas o lazer sempre teve importância e as atividades físico-esportivas foram as mais citadas (44 %) seguidas das intelectuais (32 %). Porém, uma parcela dos entrevistados (18%) afirmou não participar de nenhuma atividade de lazer antes do Programa Parceiros do Futuro, mostrando a importância deste para suas vidas.

         Para os que participavam de atividades de lazer antes do programa, os espaços da prefeitura, a rua, os centros culturais, as casas de parentes foram os espaços citados para a prática destas atividades. A escola desta forma, complementa os poucos espaços de lazer da cidade de Diadema/SP.

 

CONCLUSÃO

         A conclusão não se constitui a definição de algo mas, como já foi exposto, a continuidade da reflexão sobre o tema, num processo de busca constante.

         Considerando os objetivos deste trabalho foi possível identificar que as atividades oferecidas pelo Programa vêm atendendo os interesses dos participantes, porque são gratuitas e não existe exclusão para poder participar. Assim, a  escola e o Programa contribuem para diminuir as barreiras para o lazer dos moradores.

         Em relação às expectativas dos participantes do Programa Parceiros do Futuro foi  identificado que são recomendadas outras atividades de lazer que ainda não  são oferecidas  no Programa, por exemplo handebol, jogos de carta, campeonatos de futebol, pebolim e festas. Essas indicações servem de  referências para aumentar a satisfação dos participantes e atrair mais pessoas para o Programa.

         O Programa Parceiros do Futuro tem se mostrado assim, uma forma de solidariedade social, de ajuda aos menos favorecidos, contra a desigualdade  principalmente em relação ao lazer pois, oferece  dentro do espaço escolar  formas de lazer  preenchendo uma lacuna existente no bairro.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, P. A. C. O lazer no espaço escolar. In: Anais no 11º ENAREL (Encontro Nacional de Recreação e Lazer) Foz do Iguaçu, 1999.

CAMARGO, L.O.L. O que é lazer. São Paulo, Brasiliense, 1986.

DUMAZEDIER, J. Valores e conteúdos culturais do lazer. São Paulo, SESC, 1980.

MADSEN, J. E.H. Lazer e trabalho. In: Anais no 11º ENAREL (Encontro Nacional de Recreação e Lazer) Foz do Iguaçu, 1999.

MARCELLINO, N.C.  Lazer e educação, Campinas, SP 1987.

________________ Lazer e humanização. 2º ed., Campinas, Papirus, 1995.

________________ Estudos do lazer: uma introdução, Campinas, 2ºed. Autores Associados, 2000.

PARKER, S. A sociologia do lazer. Rio de Janeiro, Zahar, 1978.

PROJETOS NAS ESCOLAS. Por um São Paulo Melhor. [on line]. [2002, 17 de Fevereiro]. Disponível: www. educação.sp.gov.br/ projetos. 2001.

 

 

 

 

Red Latinoamericana de Recreación y Tiempo Libre  |  Red Nacional de Recreación

Fundación Colombiana de Tiempo Libre y Recreación / FUNLIBRE

 



[1] Monografia  apresentada como requisito parcial pra a conclusão do curso de  Graduação em       Educação Física, da Universidade do Grande ABC/ SP.

[2] Rua da Constituião, n. 31 – Vila Élida – Diadema/SP – 09913- 240

   Email:anfasouza@ig. com.br

[3] Rua Felipe Camarão, 171/apto 14 – Tatuapé – São Paulo/SP – 03065-000

   Email: oliribeiro@uol.com.br (orientadora)