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Resumo: O Mestrado
em Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG iniciou suas
atividades acadêmicas no ano de 2007 é o primeiro empreendimento brasileiro
nesse sentido. O desafio central dessa proposta multi/interdisciplinar é
constituir um Curso de Mestrado que não seja baseado na simples agregação
entre as áreas envolvidas: Administração, Ciências Biológicas, Educação
Física, Geografia, História, Pedagogia e Psicologia. Pretende colaborar com o
avanço dos Estudos sobre o Lazer a partir de uma perspectiva
interdisciplinar, por meio da busca da inovação em termos do trabalho
científico e da pesquisa colaborativa, superando a sistemática das estruturas
acadêmicas tradicionais. Para alcançar essa meta, estabeleceu-se uma área de
concentração voltada para o aprofundamento de conhecimentos sobre Lazer,
Cultura e Educação, abarcando três linhas de pesquisa. A estrutura
curricular foi elaborada considerando os objetivos do curso e o perfil
inovador desejado. Em suma, a proposta visa a construção de novas idéias e
abordagens sobre o assunto, ampliando o interesse e o engajamento de
estudantes e professores na pesquisa interdisciplinar. Olhares múltiplos são
estimulados, buscando promover a reflexão e a crítica a partir de diferentes
perspectivas e pontos de vista teóricos. Desta forma, espera-se contribuir
para a consolidação da pesquisa interdisciplinar sobre a temática do Lazer,
ainda incipiente na realidade latino-americana. Nos últimos anos o campo do Lazer ampliou de
maneira significativa o conhecimento científico produzido no Brasil,
desafiando a perspectiva disciplinar tradicionalmente adotada em nossa
realidade. O Lazer não pode ser tratado de forma isolada,
pois, além de não se restringir a nenhuma disciplina específica, uma
abordagem parcial não é suficiente para contribuir com o avanço do
conhecimento produzido sobre este tema. Recentemente, várias disciplinas vêm
articulando suas perspectivas de análise para tentar compreender essa
realidade emergente e complexa que é o Lazer. No Brasil, algumas iniciativas já vêm sendo
concretizadas com esta finalidade, como a realização do 13o Encontro
Nacional de Esses empreendimentos evidenciam o compromisso
em dar continuidade às ações acadêmicas desenvolvidas atualmente na UFMG, por
meio da criação do Mestrado em Lazer, que é uma conseqüência natural do
trabalho que vem sendo desenvolvido desde 1990 pelo Centro de Estudos de Ao
reunir contribuições de diferentes áreas do conhecimento – vinculadas às
Ciências Humanas, Ciências da Saúde e Ciências Sociais Aplicadas –, o Mestrado em Lazer da UFMG preocupa-se em
superar abordagens fragmentadas sobre essa temática. O
desafio é consolidar uma proposta pautada na articulação entre as áreas do
conhecimento dos professores envolvidos – Administração, Ciências Biológicas,
Educação Física, Geografia, História, Pedagogia e Psicologia. Pretende
contribuir com o avanço do saber interdisciplinar sobre o Lazer, por meio da
busca da inovação em termos do trabalho científico e da pesquisa
colaborativa, superando assim a sistemática das estruturas tradicionais
(Morin, 2004; Sommerman, 2006). Isso permitirá ao estudante uma formação
sólida e integradora, fundamental para a constituição de um perfil
profissional inovador, capaz de lidar de forma crítica e criativa com as
transformações que marcam a sociedade contemporânea, notadamente no que se
refere à atuação profissional e acadêmica no campo do Lazer e da Recreação. No que diz respeito ao perfil do profissional que se pretende formar, espera-se que o estudante associe uma visão crítica e global da sociedade às competências conceituais, atitudinais e procedimentais relacionadas ao Lazer; que saiba escolher e desenvolver formas qualificadas de intervenção nos âmbitos do ensino, da pesquisa e da extensão com responsabilidade e ética, conforme as competências abaixo relacionadas: -
Realizar pesquisas científicas interdisciplinares
sobre o Lazer, buscando o avanço qualitativo do conhecimento e o intercâmbio
com profissionais e pesquisadores de diversas áreas. -
Contribuir com a melhoria da qualidade do
ensino superior no Brasil e na América Latina, desenvolvendo novas metodologias
e ferramentas educacionais relacionadas ao Lazer. -
Desenvolver projetos e ações que integrem
as dimensões da Cultura e da Educação como eixos transversais para se
compreender o Lazer e sua diversidade. -
Prestar assessorias a órgãos públicos,
empresas privadas e instituições do terceiro setor, reconhecendo o Lazer como
um princípio de construção de cidadania com potencial para implementar ações
comprometidas com a inclusão e a responsabilidade social. Para alcançar essas competências – direcionadas para uma sólida formação profissional e acadêmica, aliada à sensibilidade social –, esta proposta estabeleceu uma área de concentração voltada para o aprofundamento de conhecimentos sobre Lazer, Cultura e Educação. Diversos autores vêm apontando alguns motivos para a
posição de destaque ocupada pelo Lazer na atualidade, dentre os quais se
observa a cultura de massa e o consumismo, o crescimento da indústria do
entretenimento e o aumento de iniciativas governamentais no campo das
chamadas atividades culturais (Gomes, Melo, 2003). Apesar da ênfase no trabalho como referência principal da vida em sociedade, vem se ampliando também a preocupação com o Lazer, enquanto um dos fatores básicos para o exercício da cidadania e para a busca de uma vida com mais sentido e qualidade. O Lazer, hoje, está presente não apenas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas também na Constituição Federal do Brasil, sendo previsto como um direito social, além de integrar as políticas públicas de vários países. O Lazer constitui, assim, um objeto a ser tratado com seriedade, devendo receber atenção prioritária por parte do poder público, da iniciativa privada, das diversas instituições sociais, da comunidade e também da universidade. Enfim, dos diversos segmentos comprometidos com o efetivo exercício do Lazer pela população, base para o repensar das barreiras colocadas pelos discursos/ações ideológicos injustos e excludentes verificados em nossa realidade (Werneck, 2000). Aos profissionais, pesquisadores e pessoas interessadas em aprofundar conhecimentos sobre o Lazer são apresentados muitos desafios, trazendo à tona a urgência de repensar o tema não como uma forma de dissimular/amenizar problemas sociais, mas, de encontrar alternativas para a efetiva concretização desse direito, uma das condições para o exercício da cidadania. Cabe ressaltar que o acesso ao Lazer, pela população, não se esgota em propostas assistencialistas baseadas na realização de atividades que visam simplesmente à diversão e ao relaxamento alienantes, descontextualizados da dinâmica social. O significado do Lazer precisa, pois, ser redimensionado enquanto um direito social e enquanto uma possibilidade de produção cultural. No Brasil, a tendência atual entre os pesquisadores é compreender o lazer como uma “dimensão da cultura”. Do meu ponto de vista o lazer é um fenômeno constituído social e historicamente que possui significados diferentes conforme o contexto, o momento histórico, as condições materiais e simbólicas de existência, os princípios e interesses dos sujeitos e dos grupos sociais envolvidos com as experiências recreativas por eles vivenciadas. Além disso, o lazer é constituído por quatro elementos inter-relacionados: o tempo, o espaço/lugar, a atitude lúdica e as manifestações culturais. Portanto, meu conceito de lazer é baseado no entendimento deste como uma dimensão da cultura caracterizada pela vivência lúdica de manifestações culturais no tempo/espaço conquistado pelo sujeito ou grupo social, estabelecendo relações dialéticas com as necessidades, os deveres e as obrigações, especialmente com o trabalho produtivo (Gomes, 2004). Sendo um fenômeno dialético, não podemos desconsiderar o fato de que o lazer é permeado por contradições, conflitos, tensões e ambigüidades de diferentes naturezas. Essas contradições são decorrentes da dinâmica social verificada nas sociedades capitalistas, fortemente marcada pela lógica do lucro, pela alienação, pela massificação cultural, pelo consumismo e pela desigualdade social que provoca diversas exclusões. Entretanto, somos sujeitos históricos e nem sempre incorporamos passivamente os valores perversos que marcam a nossa sociedade. Conseqüentemente, nossas experiências de lazer podem tanto refletir a lógica capitalista, reforçando injustiças sociais, como podem constituir importantes possibilidades de resistência a esse jogo de poder. Afinal, cada sujeito interfere na realidade e pode construir outras perspectivas, pois ele também é um ser capaz de produzir cultura. Além disso, o homem é livre para ser, criar, escolher. Parece simples, mas essa possibilidade é complexa, pois, ser livre e responsável pelas próprias escolhas exige que a educação desenvolva a sensibilidade do sujeito, para que este tenha consciência da dimensão de sua própria liberdade – que é socialmente construída –, bem como de sua participação criativa e simbólica no mundo. Tratar a cultura como sistema simbólico implica uma ênfase na codificação da realidade. Assim, a cultura torna “pensável” a experiência humana, a institui; e não apenas a representa. Ao considerar a centralidade do significado na experiência humana, assumimos a cultura como dimensão específica da nossa espécie. Dessa maneira, o ser humano constrói a si mesmo e a seu mundo à medida que se apropria das condições de sua existência e atribui a elas um significado, que nunca é o único possível (Gomes, Faria, 2005). Adotando uma definição bastante abrangente, a educação pode ser vista como processo de transmissão e produção de cultura, sendo esta resultante da interferência simbólica dos homens no mundo que os cerca e do qual fazem parte. Querendo ou não assumir a postura e a responsabilidade de um educador, estamos, cotidianamente, educando e sendo educados. Esse compromisso se torna mais significativo quando se refere a uma temática multidisciplinar, como o Lazer, em que a ação é centrada no ser humano, ao vivenciar uma das dimensões imprescindíveis para o seu tornar-se humano. Essas considerações justificam e ressaltam a importância da escolha da área de concentração do Mestrado proposto: Lazer, Cultura e Educação, abarcando três linhas de pesquisa, conforme descrição que se segue: 1.
Lazer, História e Diversidade Cultural -
Estudos e pesquisas interdisciplinares sobre o Lazer a partir das
perspectivas histórica, pedagógica, social, política e cultural. História do 2.
Lazer, Cidade e Grupos Sociais -
Estudos interdisciplinares sobre o lazer nas sociedades contemporâneas:
dimensões materiais e simbólicas, instituídas e instituintes. Subjetividade e
lazer. Condições e significados atribuídos diante de experiências dos
indivíduos nas práticas culturais de lazer, especialmente nos centros
urbanos. Lazer, tempo e espaço. Espaços, equipamentos e manifestações de
lazer na cidade. Relações dos profissionais do lazer com a infância, a
juventude, a fase adulta, a velhice e as manifestações culturais, nos tempos
e espaços do cotidiano, da materialidade e do lazer. 3.
Lazer, Formação e Atuação
Profissional - Pesquisas interdisciplinares sobre
o lazer enquanto campo de formação em diversas áreas do conhecimento,
considerando diferentes níveis de ensino e contextos formais e não-formais. A
formação de profissionais para o lazer em suas dimensões política,
científico-instrumental, ético-moral e estético-expressiva nos múltiplos
tempos, espaços e dinâmicas da vida social. Os processos de formação inicial
e continuada de profissionais para atuar no campo do lazer. Essas linhas de
pesquisa estão relacionadas com os objetivos do Curso e com o perfil
profissional almejado, tendo em vista contribuir com o avanço do conhecimento
a partir de uma organização integrativa (Santomé, 2004). Assim, as
disciplinas propostas procuram favorecer um perfil inovador dos alunos e
garantir uma formação com característica articuladora, de maneira que os
alunos poderão cursar disciplinas das três linhas. O caráter multifacetado do Lazer tem estimulado a realização de estudos com ênfases e orientações distintas das já existentes, demonstrando a importância de se ter novos olhares sobre o assunto, alargando os limites das ciências. “É estimulante perceber a forma como um texto, uma vez tornado público, é apropriado segundo novos olhares: são justamente estes novos olhares que levam a descobrir ângulos não inteiramente visualizados na abordagem inicial.” (Magnani, 2000, p.20). Em suma, o Curso de Mestrado em Lazer da
UFMG pretende contribuir para avanços qualitativos sobre o Lazer. As
diferentes reflexões teóricas estimulam a construção de novas idéias e
abordagens, ampliando o interesse e o engajamento de alunos e professores na
pesquisa interdisciplinar. Olhares múltiplos devem ser considerados e
analisados, pois podem fomentar a reflexão e a crítica, referenciando
diferentes perspectivas e questionamentos e, desta forma, contribuindo para o
debate e o aprofundamento de conhecimentos sobre o Lazer, uma vez que as iniciativas neste sentido são ainda incipientes. Para isso, é necessário qualificar a
pesquisa sobre o Lazer no nível stricto sensu, tendo em vista auxiliar
na proposição de caminhos consistentes para a formação acadêmica e a
intervenção profissional. Objetivos Considerando
as competências que se pretende alcançar com esta proposta de formação
profissional e acadêmica, o Curso de Mestrado em Lazer visa os seguintes
objetivos: 1.
Promover a pesquisa interdisciplinar e a
reflexão crítica sobre o Lazer em nosso contexto. 2.
Aperfeiçoar pesquisadores para que
produzam e disseminem conhecimento científico sobre o Lazer, visando promover
o avanço qualitativo sobre este tema, por meio da criação e consolidação de
grupos de pesquisa, realização de eventos científicos e publicações. 3.
Formar e qualificar docentes do ensino
superior e profissionais que atuam no campo da Recreação/ 4.
Favorecer o intercâmbio científico com
outros departamentos, grupos e instituições. Relevância
e justificativa
Partindo do pressuposto de que o Lazer representa um campo de estudos emergente, é possível perceber que ele ainda não se encontra totalmente estruturado e que muitas das abordagens não evidenciam uma integração entre as áreas que fundamentam as pesquisas realizadas. Em termos de produção científica, muitos estudos ainda não alcançaram o nível de amadurecimento, consistência e profundidade requerido ao trabalho acadêmico. A maioria dos estudos sobre o Lazer, no Brasil, tem se constituído sob a forma de relatos de experiência que não partem de uma compreensão teórica aprofundada. Os trabalhos de pesquisa, mesmo apresentando uma discussão consistente sobre o Lazer, nem sempre apontam caminhos necessários para promover um avanço qualitativo neste campo (Melo, 1999). Esse quadro faz parte do processo de amadurecimento do Lazer, por isso a produção teórica requer contribuições de campos já estruturados, mas, o avanço desejado só será possível a partir de uma organização interdisciplinar. A busca de fundamentos em várias áreas não pode, dessa forma, ser feita de forma estanque, evidenciando a relevância da proposta apresentada, especialmente no âmbito do ensino superior. O cenário brasileiro tem possibilitado a criação de conteúdos curriculares sobre o Lazer em diversos cursos de Graduação, tanto em instituições de ensino públicas como privadas. Tomando dois exemplos, atualmente existem 584 Cursos de Graduação em Educação Física no Brasil, e 718 em Turismo, sendo grande a demanda dos docentes por uma qualificação sólida e específica nos níveis de Mestrado e Doutorado, para que possam incrementar a produção científica e lecionar conteúdos curriculares sobre o Lazer nesses Cursos. Tal situação cria a necessidade de qualificar os profissionais que assumem atividades de pesquisa e docência no ensino superior, pois, mesmo que muitos cursos de Graduação apresentem um expressivo crescimento quantitativo, como o Turismo, por exemplo, ressentem-se da reduzida formação de professores necessários ao seu adequado desenvolvimento qualitativo. Além disso,
vários órgãos públicos, privados e do “terceiro setor” que desenvolvem ações
na área do Lazer apresentam em seus quadros muitos profissionais que requerem
qualificação, inclusive acadêmica, para enriquecer e fundamentar sua formação
e atuação neste campo, suprindo a carência de pesquisas com enfoque multi e
interdisciplinar. Neste sentido, o Curso de Mestrado em Lazer na UFMG poderá contribuir para consolidar e qualificar a produção científica no âmbito do Lazer. Corpo
docente e currículo do Curso O corpo docente do Curso de Mestrado em Lazer da UFMG é constituído por doze professores que, em sua maioria, já vêm desenvolvendo trabalhos em comum no CELAR, sendo que esses docentes possuem graduação em seis áreas diferentes do conhecimento.[2] A diversidade é evidente no que se refere às áreas de conhecimento na qual o título de Doutor foi obtido: Administração; Ciências Biológicas; Educação; Educação Física; Geografia, História Social e Psicologia. Todos os professores possuem experiência com orientação de alunos no nível de Pós-Graduação lato ou stricto sensu, ministram disciplinas na Graduação e/ou Pós-Graduação; desenvolvem projetos de pesquisa em suas respectivas áreas de atuação e apresentam níveis adequados de produtividade intelectual, aspectos fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa interdisciplinar em Lazer. Pretende-se construir um currículo integrado (Santomé, 2004) para o Mestrado, tendo em vista discutir, investigar e suscitar questões sobre o Lazer, considerando especialmente suas interfaces com a Cultura e a Educação. O currículo foi elaborado considerando os objetivos do Curso e o perfil inovador desejado, sendo composto por um conjunto de disciplinas coerentes com a área de concentração proposta e integradas com as três Linhas de Pesquisa, como pode ser verificado na tabela I. Tabela I: Linhas de Pesquisa, Disciplinas e Professores
Considerando a natureza interdisciplinar do Curso, estão previstas disciplinas denominadas “Tópicos Especiais em Lazer”, oferecidas por todos os docentes na forma de seminários, discussões em grupo, trabalhos práticos e outros procedimentos que possam colaborar com o aprofundamento de temas relacionados com as pesquisas dos alunos e, conseqüentemente, com o avanço do conhecimento interdisciplinar sobre o Lazer. Está prevista, ainda, a disciplina “Estágio Docente”, que contribuirá com a formação teórico-prática dos mestrandos, especialmente dos bolsistas, qualificando-os para a docência no ensino superior. Será exigido do aluno o cumprimento de, no mínimo, 20 créditos em disciplinas. Os estudantes também poderão cursar disciplinas eletivas nos outros Programas de Pós-Graduação da UFMG, muitas das quais oferecidas por alguns professores do Mestrado em Lazer, vinculados a outros Cursos. Considerações finais Embora seja um tema estudado em diversos Programas de
Pós-Graduação stricto sensu, no Brasil ainda não existia nenhum Curso
de Mestrado voltado especificamente ao aprofundamento de conhecimentos
interdisciplinares sobre o Lazer. Do ponto de vista acadêmico, este fato
evidencia a importância desta iniciativa para o nosso contexto
latino-americano. Outro aspecto a ser destacado é que o Estado de Minas Gerais –
assim como todo o nosso país – pela sua diversidade cultural, social,
geográfica e biológica, possui um rico acervo em termos de Lazer, que pode
ser concretizado em diversas manifestações culturais: na música, na dança, na
literatura e na poesia, na pintura, na escultura, no teatro, na arquitetura,
na dança, na festa, na viagem, nas vivências corporais e inúmeras outras
formas de linguagens e expressão de significados. O Lazer se relaciona com vários segmentos da economia, emprega
mão de obra diversificada em sua cadeia produtiva e é estratégico para a
distribuição de renda e para a construção de uma sociedade democrática.
Pesquisadores e profissionais qualificados em Lazer podem, dessa forma, atuar
não apenas no ensino superior, mas, também, em Secretarias relacionadas ao
Lazer e Cultura de órgãos públicos, clubes, hotéis, hospitais, museus,
parques, centros comunitários, bibliotecas, escolas e vários outros
empreendimentos. No Brasil, a maioria dos 5 mil municípios, 26 Estados, o
Distrito Federal e o governo central, já conseguiram implantar políticas
públicas na área do Lazer. Há uma rede de mais de mil instalações de lazer
(como clubes e colônias de férias do Serviço Social da Indústria e Serviço
Social do Comércio) e aproximadamente 20 mil clubes social-recreativos que se
espalham pelo país, onde a sistematização dos conhecimentos acumulados ainda
é incipiente. Se considerada a iniciativa privada ligada a essa área, o Lazer
constitui a segunda economia mundial, apenas suplantada pela indústria
petrolífera. Também neste âmbito as pesquisas no Brasil ainda se encontram em
fase embrionária. Essas constatações ressaltam o valor do Curso de Mestrado em
Lazer da UFMG para a realidade brasileira e latino-americana, procurando
suprir a demanda de pesquisas interdisciplinares sobre o tema e contribuir
com a sólida formação de pesquisadores e profissionais críticos, criativos e
com uma visão mais abrangente. REFERÊNCIAS GOMES,
A.M.R.; FARIA, E.L. Lazer e diversidade cultural. Brasília: SESI/DN,
2005. GOMES,
C.L. (Org.). Dicionário crítico do lazer. Belo Horizonte: Autêntica Editora,
2004. GOMES,
C. L.; MELO, V. A. Lazer no Brasil: Trajetória de estudos, possibilidades de
pesquisa. Revista Movimento. Porto Alegre, v.9, n.1, p.23-44,
jan./abr. 2003. MAGNANI,
J.G.C. Lazer: Um campo multidisciplinar de pesquisa. In: BRUHNS, H.T.;
GUTIERREZ, G.L. (Org.). O corpo e o lúdico: Ciclo de debates Lazer e
Motricidade. Campinas: Autores Associados, 2000. p. 19-33. MELO,
Victor A. Lazer: intervenção e conhecimento. In: CONGRESSO REGIONAL SUDESTE
DO COLÉGIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, 1, 1999, Campinas. Anais... Campinas: Faculdade de
Educação Física da Unicamp, 1999. p.17-21. MORIN, E. A religação dos saberes: O desafio do século
XXI. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. SANTOMÉ, J.T. Globalização e interdisciplinaridade: o
currículo integrado. Porto Alegre: ARTMED, 2004. SOMMERMAN,
A. Inter ou transdisciplinaridade? Da fragmentação disciplinar ao novo
diálogo entre os saberes. São Paulo: Paulus, 2006. WERNECK,
C.L.G. Lazer, trabalho e educação: Relações históricas, questões
contemporâneas. Belo Horizonte: Editora UFMG/CELAR, 2000. |
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[1] A UFMG é uma Instituição de Ensino
Superior com posição de destaque no Brasil, detendo reconhecimento e notoriedade
internacional. Desenvolve vários Cursos de Pós-graduação stricto sensu
em todas áreas do conhecimento e, atualmente, conta com mais de 60 Cursos de
Mestrado e mais de 50 de Doutorado.
[2] Os nomes dos professores que
integram o corpo docente do Mestrado em Lazer podem ser verificados na Tabela
I, e seus respectivos currículos estão disponíveis na plataforma lattes/CNPq www.cnpq.br , e também no site do CElAR www.eeffto.ufmg.br/celar .